terça-feira, 30 de junho de 2009

O que é Fome, Desnutrição e Subnutrição

Todo ser humano precisa se alimentar para continuar vivo, e se alimentar bem para ter saúde. Portanto estas condições estar vivo e ter saúde, dependem diretamente do quanto e do que se come.



Se um indivíduo não tem acesso nenhum, ou quase nenhum ao alimento, seu corpo não se alimenta, não se mantém, e o indivíduo fenece, morre. Você pode ter uma noção do que seja isto quando dá um intervalo muito grande entre refeições: seu organismo manda sinais como tontura, dor de estomago, dor de cabeça, fraqueza, mal estar. É um protesto, ou um pedido, por comida. Se esta comida não vem, ou vem um pouco para logo depois não existir novamente, a pessoa fica cada vez mais fraca, definha e morre. Morre de fraqueza, como se diz popularmente.

Se um indivíduo tem acesso à comida, mas, de uma forma insuficiente para satisfazer as necessidades de manutenção e desenvolvimento do corpo ele terá seqüelas menos graves (ex: ter baixa estatura) e/ou mais graves, que permanecerão pelo resto da vida (ex: as conexões cerebrais não se desenvolvem com todo seu potencial causando baixos níveis de concentração, dificuldade de aprendizado) se for menor de 6 anos de idade.

Quem não se alimenta suficientemente será alvo de inúmeras infecções a afecções independentes de sua faixa etária. É assim que a desnutrição age, ela mina o organismo, o qual não se mantém adequadamente, perdendo suas defesas. Como exemplo, temos aquelas pessoas que comem pequenas porções de alimentos não variados, como feijão e/ou farinha e/ou milho, de vez em nunca leite ou carne, e muitas vezes, ficando um ou dois dias sem se alimentar.

Milhares destas pessoas morrem de “causas” como pneumonia, ou alguma insuficiência orgânica, quando na verdade estão é morrendo por falta de comida. A própria definição de desnutrição dada pala Organização Mundial de Saúde, qual seja, que desnutrição corresponde a uma série de condições patológicas, leia-se doenças, que aparecem por deficiência de aporte, transporte e utilização dos nutrientes pelas células do organismo, sustenta esta visão. A desnutrição faz seu maior número de vítimas entre lactentes (crianças que ainda mamam no peito) e crianças em idade pré-escolar.
Fonte: Sawaya 1997

A desnutrição é dividida em três estágios: leve, moderada e grave. Como conceito, a subnutrição é o estágio denominado leve da desnutrição. Pelo fato da subnutrição ser a forma mais amena da conseqüência da fome, tende a ser sub estimada, já que seus efeitos são menos severos, como, por exemplo, (maior susceptibilidade às doenças infecciosas, levando ao agravamento da desnutrição e suas consequencias). Isto é um grande erro grave, pois a subnutrição constitui-se num sinal de alerta para que se evite conseqüências piores para uma vida.

Para saber mais sobre a fome, a desnutrição e subnutrição recomenda-se o site
Fonte: aqui

Distúrbio alimentar: Anorexia nervosa

Anorexia nervosa é um distúrbio alimentar resultado da preocupação exagerada com o peso corporal, que pode provocar problemas psiquiátricos graves. A pessoa se olha no espelho e, embora extremamente magra, se vê obesa. Com medo de engordar, exagera na atividade física, jejua, jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos.

É um transtorno que se manifesta principalmente em mulheres jovens, embora sua incidência esteja aumentando também em homens. Às vezes, os pacientes anoréxicos chegam rapidamente à caquexia, um grau extremo da desnutrição e o índice de mortalidade chega a atingir 15% a 20% dos casos.

Sintomas
·Perda exagerada de peso em curto espaço de tempo sem nenhuma justificativa. Nos casos mais graves, o índice de massa corpórea chega a ser inferior a 17;
·Recusa em participar das refeições familiares. Os anoréxicos alegam que já comeram e que não estão mais com fome;
·Preocupação exagerada com o valor calórico dos alimentos. Esses pacientes chegam a ingerir apenas 200kcal por dia;
·Interrupção do ciclo menstrual (amenorréia) e regressão das características femininas;
·Atividade física intensa e exagerada;
·Depressão, síndrome do pânico, comportamentos obsessivo-compulsivos;
·Visão distorcida do próprio corpo. Apesar de extremamente magras, essas pessoas julgam-se com excesso de peso;
·Pele extremamente seca e coberta por lanugo (pêlos parecidos com a barba de milho).

Causas
Diversos fatores favorecem o aparecimento da doença: predisposição genética, o conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como símbolo de beleza e elegância, a pressão da família e do grupo social e a existência de alterações neuroquímicas cerebrais, especialmente nas concentrações de serotonina e noradrenalina.

Recomendações
·Algumas profissões são consideradas de risco para a anorexia. Bailarinas, jóqueis, atletas olímpicos, precisam estar atentos para a pressão que sofrem para reduzir o peso corporal;
·A faixa etária está baixando nos casos de anorexia. A família precisa observar especialmente as meninas que disfarçam o emagrecimento usando roupas largas e soltas no corpo e se recusam a participar das refeições em casa;
·Às vezes, os familiares só se dão conta do que está acontecendo quando, por acaso, surpreendem a paciente com pouca roupa e vêem seu corpo esquelético, transformado em pele e osso. Nesse caso, é urgente procurar atendimento médico especializado;
·O ideal de beleza que a sociedade e os meios de comunicação impõem está associado à magreza absoluta. É preciso olhar para esses apelos com espírito critico e bom senso e não se deixar levar pela mensagem enganosa que possam expressar;
·Se o paciente anoréxico estiver correndo risco por causa da caquexia e dos distúrbios psiquiátricos deve ser internado num hospital para tratamento médico.

Tratamento
A reintrodução dos alimentos deve ser gradativa. Caso contrário provocaria grande sobrecarga cardíaca. Às vezes, é necessária a internação hospitalar para que essa oferta gradual de calorias seja controlada por nutricionistas.
Não há medicação específica para a anorexia nervosa. Medicamentos antidepressivos podem ajudar a atenuar sintomas depressivos, compulsivos e de ansiedade. Em geral, o tratamento de pacientes anoréxicos exige o trabalho de equipe multidisciplinar.

Por uma Vida sem Tabaco

Cada vez menos gente fuma no Brasil...

Esta imagem eu tirei de uma campanha realizada em 2008 pela ANEM, Associação Nacional de Estudantes de Medicina é a Federação que agrega as Associações e Núcleos das setes Escolas Médicas portuguesas, representantes dos cerca de 7000 estudantes de Medicina portugueses.

Cada vez menos gente fuma no Brasil. É o que comprova o resultado da pesquisa conduzida pelo Ministério da Saúde em sete capitais brasileiras, publicado na última semana de março de 2004: o número de dependentes de nicotina no país é de aproximadamente 20%.

Tendo em vista que, nos países industrializados, entre 22% e 25% da população fuma, e que alguns deles investem grandes somas na prevenção e no tratamento do tabagismo, nossos números se tornam especialmente expressivos. Afinal, para um país que investe quase nada em prevenção e muito menos em tratamento para fumantes desejosos de se livrarem da dependência, e que até ontem era complacente com o cinismo da publicidade do cigarro em horário nobre na TV, o resultado é surpreendente.

Embora a falta de estudos semelhantes no passado não permita avaliar com precisão a velocidade com a qual a epidemia de tabagismo se dissemina, certamente está ocorrendo uma queda expressiva na prevalência de fumantes. Basta lembrarmos da porcentagem de adolescentes que fumava nos anos 1960 e a dos que fumam hoje.

Naquela época, o impacto da propaganda do cigarro era universal: no cinema, na TV, no rádio e na música, todos os astros e estrelas fumavam sem parar. Que adolescente conseguia resistir ao charme dos lábios de Rita Hayworth assoprando a fumaça para o céu?

É verdade que já nos anos 1950 numerosos estudos haviam demonstrado que fumar provoca câncer, enfisema, ataque cardíaco e muitas outras doenças, mas a estratégia de defesa adotada pela indústria do tabaco foi a do contra-ataque: de um lado contratava técnicos para criticar a metodologia empregada nessas pesquisas; de outro, pressionava os meios de comunicação para garantir que não fossem divulgadas.

Qualquer jornal, emissora de rádio ou de televisão que ousasse levantar a menor suspeita de que o cigarro pudesse trazer algum malefício à saúde sofria retaliação financeira imediata.

A partir da Segunda Guerra Mundial, essa compra de espaço nos meios de comunicação, aliada a um tipo de publicidade dirigida sem nenhum pudor para aliciar as crianças, alastrou a epidemia da dependência de nicotina pelo mundo inteiro. Na história do capitalismo, raros crimes contra a humanidade foram executados com tal premeditação.

Mas os tempos mudaram. O poder dos fabricantes de cigarro nos dias de hoje é sombra anêmica do passado. Legalmente impossibilitados de inserir comerciais nos jornais, no rádio e na TV, como coagir a imprensa? Como impedir campanhas para motivar fumantes a largar o hábito de fumar, como a apresentada em rede nacional pelo "Fantástico" no ano passado?



A perda de acesso aos meios de comunicação de massa, o peso das evidências médicas ao demonstrar que o fumo é a principal causa de morte evitável em nosso país e a ameaça de serem obrigados a pagar indenizações milionárias às famílias dos que morreram por causa do cigarro obrigaram os fabricantes a adotar nova estratégia: a do silêncio. Quietinhos, têm a esperança de continuar seus negócios sem chamarem a atenção. Enquanto existirem viciados que comprem um maço por dia do fornecedor, haverá faturamento, devem pensar.

Os números publicados pelo Ministério da Saúde deixam claro que estavam enganados os céticos: é possível refrear a disseminação da epidemia do fumo, basta haver disposição da sociedade e seriedade política. Para isso, algumas das medidas sugeridas pelos técnicos podem ser implantadas a curto prazo, sem ônus para o tesouro:

1) Aumento de impostos. Em nenhum país civilizado é possível comprar um maço de cigarros por meio dólar. Está exaustivamente provado que, quanto mais caro o maço, menor o número de cigarros fumados;

2) Proibir todos os tipos de publicidade. Toda e qualquer propaganda de uma droga que provoca um tipo de dependência tão difícil de vencer, tanto sofrimento físico e tantos óbitos, para viciar meninas e meninos em nome do lucro, deve ser punida como crime inafiançável;

3) Incluir no currículo obrigatório das escolas aulas sobre os problemas causados pelo cigarro;

4) Proibir o fumo em lugares públicos. Não está certo obrigar quem não fuma a inalar fumaça alheia. Embora não seja obrigação do Estado proteger o cidadão contra o mal que ele pode fazer a si mesmo, é seu dever protegê-lo do mal que os outros podem fazer contra ele. Além disso, não há dúvida de que a proibição ajuda o fumante a adquirir mais controle sobre a dependência;



5) Oferecer tratamento gratuito para os que quiserem largar o hábito de fumar. Hoje existem grupos de apoio, adesivos e chicletes de nicotina, além de medicamentos que ajudam a vencer as crises de abstinência. É ignorância deixar de oferecê-los gratuitamente aos fumantes, ainda que não seja por razões humanitárias: sai muito mais em conta do que esperá-los ter câncer, infarto, derrame cerebral.

Alcoolismo é uma doença crônica




Do ponto de vista médico, o alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada.

Fatores genéticos

Sem desprezar a importância do ambiente no alcoolismo, há evidências claras de que alguns fatores genéticos aumentam o risco de contrair a doença.

O alcoolismo tende a ocorrer com mais freqüência em certas famílias, entre gêmeos idênticos (univitelinos), e mesmo em filhos biológicos de pais alcoólicos adotados por famílias de pessoas que não bebem.

Estudos mostram que adolescentes abstêmios, filhos de pais alcoólicos, têm mais resistência aos efeitos do álcool do que jovens da mesma idade, cujos pais não abusam da droga.

Muitos desses filhos de alcoólicos se recusam a beber para não seguir o exemplo de casa. Quando acompanhados por vários anos, porém, esses adolescentes apresentam maior probabilidade de abandonar a abstinência e tornarem-se dependentes.

Filhos biológicos de pais alcoólicos criados por famílias adotivas têm mais dificuldade de abandonar a bebida do que alcoólicos que não têm história familiar de abuso da droga.

Intoxicação Aguda

O álcool cruza, com liberdade, a barreira protetora que separa o sangue do tecido cerebral. Poucos minutos depois de um drinque, sua concentração no cérebro já está praticamente igual à da circulação.

Em pessoas que não costumam beber, níveis sangüíneos de 50mg/dl a 150 mg/dl são suficientes para provocar sintomas. Esses, por sua vez, dependem diretamente da velocidade com a qual a droga é consumida, e são mais comuns quando a concentração de álcool está aumentando no sangue do que quando está caindo.

Os sintomas da intoxicação aguda são variados: euforia, perda das inibições sociais, comportamento expansivo (muitas vezes inadequado ao ambiente) e emotividade exagerada. Há quem desenvolva comportamento beligerante ou explosivamente agressivo.

Algumas pessoas não apresentam euforia, ao contrário, tornam-se sonolentas e entorpecidas, mesmo que tenham bebido moderadamente. Segundo as estatísticas, essas quase nunca desenvolvem alcoolismo crônico.

Com o aumento da concentração da droga na corrente sangüínea, a função do cerebelo começa a mostrar sinais de deterioração, provocando desequilíbrio, alteração da capacidade cognitiva, dificuldade crescente para a articulação da palavra, falta de coordenação motora, movimentos vagarosos ou irregulares dos olhos, visão dupla, rubor facial e taquicardia. O pensamento fica desconexo e a percepção da realidade se desorganiza.

Quando a ingestão de álcool não é interrompida surgem: letargia, diminuição da freqüência das batidas do coração, queda da pressão arterial, depressão respiratória e vômitos, que podem ser eventualmente aspirados e chegar aos pulmões provocando pneumonia entre outros efeitos colaterais perigosos.

Em não-alcoólicos, quando a concentração de álcool no sangue chega à faixa de 300mg/dl a 400 mg/dL ocorre estupor e coma. Acima de 500 mg/dL, depressão respiratória, hipotensão e morte.

Metabolismo do álcool

O metabolismo no fígado remove de 90% a 98% da droga circulante. O resto é eliminado pelos rins, pulmões e pele.

Um adulto de 70kg consegue metabolizar de 5 a 10 gramas de álcool por hora. Como um drinque contém, em média, de 12 a 15 gramas, a droga acumula-se progressivamente no organismo, mesmo em quem bebe apenas um drinque por hora.

O álcool que cai na circulação sofre um processo químico chamado oxidação que o decompõe em gás carbônico (CO2) e água. Como nesse processo ocorre liberação de energia, os médicos recomendam evitar bebidas alcoólicas aos que desejam emagrecer, uma vez que cada grama de álcool ingerido produz 7,1 kcal, valor expressivo diante das 8kcal por grama de gordura e das 4kcal por grama de açúcar ou proteína.

Usuários crônicos de álcool costumam nele obter 50% das calorias necessárias para o metabolismo. Por isso, freqüentemente desenvolvem deficiências nutricionais de proteína e vitaminas do complexo B.

Tolerância e alcoolismo crônico

A resistência aos efeitos colaterais do álcool está diretamente associada ao desenvolvimento da tolerância e ao alcoolismo.

Horas depois da ingestão exagerada de álcool, embora a concentração da droga circulante ainda esteja muito alta, a bebedeira pode passar. Esse fenômeno é conhecido como tolerância aguda.

O tipo agudo é diferente da tolerância crônica do bebedor contumaz, que lhe permite manter aparência de sobriedade mesmo depois de ingerir quantidades elevadas da droga. Doses de álcool entre 400mg/dl e 500 mg/dl, que muitas vezes levam o bebedor ocasional ao coma ou à morte, podem ser suportadas com sintomas mínimos pelos usuários crônicos.

Diversos estudos demonstraram que as pessoas capazes de resistir ao efeito embriagante do álcool, estatisticamente, apresentam maior tendência a tornarem-se dependentes.

Síndrome do blackout e da abstinência

Pode ocorrer em bebedores esporádicos ou crônicos e caracteriza-se por amnésia que pode durar horas, sem perda de consciência da realidade durante a crise. O blackout (ou apagamento) acontece porque o álcool interfere nos circuitos cerebrais encarregados de arquivar acontecimentos recentes. O quadro, de certa forma, lembra o perfil de memória das pessoas idosas, capazes de contar com detalhes histórias antigas, mas que não conseguem recordar o cardápio do almoço.

O álcool é uma droga depressora do Sistema Nervoso Central. Para contrabalançar esse efeito, o usuário crônico aumenta a atividade de certos circuitos de neurônios que se opõem à ação depressiva. Quando a droga é suspensa abruptamente, depois de longo período de uso, esses circuitos estimulatórios não encontram mais a ação depressora para equilibrá-los e surge, então, a síndrome de hiperexcitabilidade característica da abstinência.

Seus sintomas mais freqüentes são: tremores, distúrbios de percepção, convulsões e delirium tremens.

Reconhecimento da dependência e reabilitação

Uma das características mais importantes do alcoolismo é a negação de sua existência por parte do usuário. Raros são aqueles que reconhecem o uso abusivo de bebidas, passo considerado essencial para livrarem-se da dependência.

As recomendações atuais para tratamento do alcoolismo, envolvem duas etapas:

a) Desintoxicação - Geralmente realizada por alguns dias sob supervisão médica, permite combater os efeitos agudos da retirada do álcool. Dados os altíssimos índices de recaídas, no entanto, o alcoolismo não é doença a ser tratada exclusivamente no âmbito da medicina convencional.

b) Reabilitação - Alcoólicos anônimos - Depois de controlados os sintomas agudos da crise de abstinência, os pacientes devem ser encaminhados para programas de reabilitação, cujo objetivo é ajudá-los a viver sem álcool na circulação sangüínea.

Para que o tratamento tenha sucesso é fundamental a participação dos familiares e amigos próximos, como declararam, nas entrevistas gravadas para o Canal Universitário, o jornalista Ricardo Vespucci e o médico Emanuel Vespucci, autores dos livros "O revólver que sempre dispara" e "O livro das respostas: Alcoolismo" cuja leitura recomendamos a todos os interessados no tema.

Dessas entrevistas participaram também um representante dos Alcoólicos Anônimos e duas mulheres da Al-Anon, associação dedicada a dar apoio e orientação aos familiares dos dependentes do álcool. Esses depoimentos foram fundamentais para entender a doença do alcoolismo e suas conseqüências.

Enxaqueca


Enxaqueca é um distúrbio neurovascular crônico, incapacitante, caracterizado por ataques de cefaléia intensa, freqüentemente unilateral e latejante. Em cerca de 15% dos casos, o quadro de dor é precedido por uma aura premonitória que envolve sintomas neurológicos.

Os ataques são geralmente associados a náuseas, vômitos, sensibilidade excessiva à luz, ao som ou ao movimento. Sem tratamento, as crises típicas duram de 4 a 72 horas.

Para fazer o diagnóstico de enxaqueca há necessidade de uma combinação de achados, como ilustra a tabela abaixo:

Critérios de diagnóstico
A enxaqueca é uma enfermidade caracterizada por episódios de cefaléia com 4 a 72 horas de duração e mais dois dos seguintes sintomas:
1.Dor unilateral;
2.Dor de intensidade média ou forte;
3.Latejamento;
4.Piora com a movimentação.

E um dos seguintes sintomas:
1 Náusea ou vômito
2 Fotofobia (sensibilidadeà luz) ou fonofobia (desconforto provocado pelos sons).

Embora o primeiro ataque possa acontecer até na velhice, a enfermidade costuma surgir na adolescência. A prevalência de enxaqueca é alta na população geral (cerca de 11% das pessoas). Os estudos mostram que de15% a 18% das mulheres e 6% dos homens apresentam sintomas característicos da doença.

A freqüência média dos ataques é de 1,5 por mês, mas pelo menos 10% dos pacientes apresentam ataques semanais. A duração média de cada crise é de 24 horas, mas 20% delas podem durar dois ou três dias.

Esses dados permitem estimar que 5% dos brasileiros (9 milhões de pessoas) passam 18 dias por ano, com crises de enxaqueca. Cerca de 1% da população (1,8 milhão) têm pelo menos uma crise por semana.

Em recente pesquisa, a Organização Mundial de Saúde considerou a enxaqueca como a quarta doença crônica mais incapacitante, sobrepujada apenas pela quadriplegia, psicose e demência.
O tratamento da enxaqueca envolve abordagens farmacológicas e não-farmacológicas.

Procedimentos não-farmacológicos incluem a educação dos pacientes sobre a doença e mudanças no estilo de vida para evitar os gatilhos que disparam as crises. O cérebro de quem sofre de enxaqueca parece suportar mal os altos e baixos da vida cotidiana. Medidas como o sono regular, exercício físico, evitar picos de estresse e retirar da dieta alimentos associados às crises devem ser adotadas em todos os casos.

O tratamento farmacológico pode ser usado para aliviar os sintomas da crise ou para evitar que elas se repitam. A maioria dos autores concorda que o tratamento preventivo deva ser instituído quando acontecem pelo menos dois ataques por mês, ou quando fica clara a tendência para aumento na freqüência das crises.

As drogas utilizadas na prevenção costumam apresentar efeitos indesejáveis e devem ser prescritas por médicos experientes. Em média, dois terços dos pacientes que recebem tratamento preventivo apresentam redução de 50% no número de crises.

O princípio mais importante no tratamento da enxaqueca já instalada é que o medicamento seja administrado assim que a dor se manifesta. Aguardar até as dores ficarem mais fortes exigirá doses mais altas de drogas, e mais tempo para aliviar a dor.

As doses devem ser adequadas para proporcionar alívio. Por exemplo: 900 mg de aspirina, 500 a 1000 mg de naproxeno, 1000 mg de acetaminofeno ou 400 a 800 mg de ibuprofeno, ou combinações desses medicamentos. A administração concomitante de metoclopramida diminui a motilidade gástrica e facilita a absorção da droga utilizada para combater a dor. O uso dessas drogas deve ficar restrito a dois ou três dias por semana, no máximo.

Drogas pertencentes ao grupo dos triptanos têm demonstrado em ensaios clínicos grande eficácia no tratamento das crises de enxaqueca. Os triptanos apresentam boa tolerabilidade, mas custam mais caro e podem causar dor no peito por constrição das artérias coronárias. Por isso, são contraindicados em pacientes que apresentam doença cardíaca isquêmica, hipertensão descontrolada e patologias cerebrovasculares.

Fontes: The New England Journal of Medicine, Vol. 346, No. 4, 2002

O Gordo e o Magro



Atribuir ao doente a culpa dos males que o afligem é procedimento tradicional na história da humanidade. A obesidade não foge à regra.

Na Idade Média, a sociedade considerava a hanseníase um castigo de Deus para punir os ímpios. No século 19, quando proliferaram os aglomerados urbanos e a tuberculose adquiriu características epidêmicas, dizia-se que a enfermidade acometia pessoas enfraquecidas pela vida devassa que levavam. Com a epidemia de Aids, a mesma história: apenas os promíscuos adquiririam o HIV.

Coube à ciência demonstrar que são bactérias os agentes causadores de tuberculose e da hanseníase, que a Aids é transmitida por um vírus e que esses microorganismos são alheios às virtudes e fraquezas humanas: infectam crianças, mulheres ou homens, não para puni-los ou vê-los sofrer, mas porque pretendem crescer e multiplicar-se como todos os seres vivos. Tanto se lhes dá se o organismo que lhes oferece condições de sobrevivência pertence à vestal ou ao pecador contumaz.

O mesmo preconceito se repete agora com a obesidade, até aqui interpretada como condição patológica associada ao pecado da gula. No entanto, a elucidação dos mecanismos de ação dos mediadores químicos e da arquitetura dos circuitos que os neurônios estabelecem até chegar aos centros cerebrais encarregados do controle da fome e da saciedade tem demonstrado que engordar ou emagrecer está longe de ser mera questão de vontade.

Vou dar um exemplo para ilustrar a complexidade desses mecanismos, com o objetivo de mostrar a você, leitor perseverante, que a obesidade é conseqüência da associação de várias características genéticas e comportamentais que convergem em determinado indivíduo: o gordo.

Recentemente foi descoberta a proteína CNTF, dotada da propriedade de manter neurônios vivos e ajudá-los a se tornar maduros em meio de cultura. O isolamento da CNTF estimulou os pesquisadores a tentar usá-la em casos graves de uma doença degenerativa conhecida pela sigla ELA, caracterizada por paralisia progressiva causada pela perda de neurônios motores.

O tratamento, no entanto, provocou um efeito colateral dramático: diminuição de apetite e emagrecimento persistente mesmo depois de suspensas as injeções de CNTF.
Estudos em ratos confirmaram essa perda de peso duradoura tanto nos casos de obesidade provocada pela ingestão de dietas ricas em gordura como naqueles portadores de obesidade de causa genética. E que o mecanismo de ação da CNTF podia ser explicado pela propriedade de provocar o nascimento de novos neurônios no hipotálamo, área do cérebro que desempenha papel crucial no controle do apetite e do balanço energético do organismo.
Nos ratos, esse efeito é tão pronunciado que o hipotálamo dos animais tratados com CNTF chega a apresentar seis vezes mais neurônios novos.

Para aumentar a complexidade, ficou demonstrado que esses neurônios novos respondem mais intensamente à ação da lepitina, hormônio supressor do apetite produzido pelo tecido gorduroso, e a outros hormônios dotados da mesma propriedade, liberados na passagem dos alimentos pelo tubo digestivo.

A conclusão a que pretendo chegar é a de que quanto mais nos aprofundamos no estudo dos mecanismos reguladores da fome e da saciedade, mais complexos e interligados eles demonstram ser. O que está absolutamente de acordo com a perspectiva evolucionista: uma função tão essencial à sobrevivência da espécie jamais teria sido deixada ao livre arbítrio de cada um. O impulso da fome, tão irresistível quanto o da sede, é disparado em áreas cerebrais dificilmente reprimidas pela ação dos centros que coordenam o pensamento racional.

As evidências fazem crer que a obesidade seja uma cruz carregada por pessoas geneticamente predispostas, num ambiente que lhes proporciona acesso farto aos alimentos.
A fartura é necessária - não havia prisioneiros obesos nos campos de concentração, como todos dizem -, mas não é suficiente. Os genes envolvidos no controle dos neurônios que interferem com o binômio fome-saciedade e com os comportamentos modulados por eles são decisivos.

As mães de vários filhos são capazes de identificar diferenças na voracidade ao mamar, em bebês que acabaram de nascer. Enquanto algumas crianças passam o dia atrás de doces, adoram alimentos gordurosos e detestam verduras ou saladas, outras fazem do horário das refeições o calvário das avós.

Na próxima vez que você for a uma churrascaria, preste atenção nas mesas grandes com a família reunida e observe como os olhos dos gordinhos brilham diante dos espetos. Como regra, os magros gostam de salada, dão preferência às carnes magras e não ligam para sobremesas; os gordos, ao contrário. O gordo viaja 30 km atrás de um frango assado; o magro pode ir junto pela companhia, não pela comida.

Reparem nos cozinheiros de fim de semana, esses que passam 12 horas no preparo de um pernil que derrete na boca. Quantos são magros? A gustação é uma experiência sensorial capaz de despertar compulsão alimentar em indivíduos predispostos geneticamente à obesidade; os magrelos desanimam diante do prato cheio.

Como o cérebro ajusta o metabolismo e dispara ímpetos de fome para que o peso corpóreo volte sempre ao maior valor já atingido, a lógica de afirmar que fulano é gordo porque come demais talvez devesse ser apresentada ao revés: ele come muito porque é gordo, enquanto o outro come pouco por ser magro.

10 de maio - Dia dos Portadores de Lúpus


O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de causa desconhecida, onde acontecem alterações fundamentais no sistema imunológico da pessoa, atingindo predominantemente mulheres. O sistema imunológico é uma rede complexa de órgãos, tecidos, células e substâncias encontradas na circulação sanguínea, que agem em conjunto para nos proteger de agentes estranhos.

Uma pessoa que tem LES, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa se torna "alérgica" a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença auto-imune.

Mas não é uma doença contagiosa, infecciosa ou maligna. A maioria dos casos de LES ocorre esporadicamente, indicando que fatores genéticos e ambientais tem um papel importante na doença.

O Lupus varia enormemente de um paciente para outro, de casos simples que exigem intervenções médicas mínimas, à casos significativos com danos à órgãos vitais como pulmão, coração, rim e cérebro. A doença é caracterizada por períodos de atividade intercaladas por períodos de remissão que podem durar semanas, meses ou anos. Alguns pacientes nunca desenvolvem complicações severas.

Histórico
Em 1851, o médico francês Pierre Lazenave observou pessoas que apresentavam "feridinhas" na pele, como pequenas mordidas de lobo. E em 1895, o médico canadense Sir William Osler caracterizou melhor o envolvimento das várias partes do corpo e adicionou a palavra "sistêmico" à descrição da doença.
Lupus=lobo eritematoso=vermelhidão sistêmico=todo

Definição
O "American College of Rheumatology", uma associação americana que reune profissionais reumatologistas, estabeleceu em 1971 e revisou em 1982, 11 critérios que definem o quadro de Lupus. Estes critérios foram modificados em 1997. Uma pessoa pode ter LES se 4 critérios estiverem presentes:

Critérios de pele:1 - mancha "asa borboleta" (vermelhidão característica no nariz e face)
2 - lesões na pele (usualmente em áreas expostas ao sol)
3 - sensibilidade ao sol e luz (lesões após a exposição de raios ultravioletas A e B)
4 - úlceras orais (recorrentes na boca e nariz)

Critérios sistêmicos:
5 - artrite (inflamação de duas ou mais juntas periféricas, com dor, inchaço ou fluído)
6 - serosite (inflamação do revestimento do pulmão - pleura, e coração - pericárdio)
7 - alterações renais (presença de proteínas e sedimentos na urina)
8 - alterações neurológicas (anormalidades sem explicações - psicose ou depressão)

Critérios laboratoriais:
9 - anormalidades hematológicas (baixa contagem de células brancas - leucopenia, ou plaquetas - trombocitopenia, ou anemia causada por anticorpos contra células vermelhas - anemia hemolítica)
10 - anormalidades imunológicas - (células LE, ou anticorpos anti-DNA, ou anticorpos SM positivos, ou teste falso-positivo para sífilis)
11 - fator antinúcleo positivo (FAN)

O diagnóstico correto é feito a partir do histórico do paciente associado ao exame clínico e exames laboratoriais. Algumas perguntas feitas ao paciente podem ajudar bastante no diagnóstico.
1 - você teve dor ou inflamação das juntas por mais de 3 meses?
2 - você teve feridinhas em sua boca ou nariz por mais de 2 semanas?
3 - os seus dedos mudam de cor, ficando pálidos ou roxos, quando o tempo está frio ou quando estão em contato com água fria?
4 - alguma lesão de pele, vermelha, surgiu no seu rosto, sobre o nariz e bochechas, por mais de um mês?
5 - durante algum exame de sangue alguém lhe disse que a contagem de células vermelhas, brancas ou plaquetas estava baixa?
6 - sua pele fica muito vermelha e irritada, principalmente no rosto, depois que você toma sol? É pior em comparação com outras pessoas?
7 - você sentiu dificuldade ou dor para respirar durante alguns dias?
8 - você tem perdido muito cabelo ultimamente? Mais do que o normal?
9 - você já teve alguma convulsão?
10 - alguma vez você fez exame de urina onde foi constatada muita proteína?

Se 3 ou mais destas perguntas forem respondidas com um "sim" é recomendável um exame de sangue para testar a possibilidade de LES.

Exames Laboratoriais

Hemograma - é o exame onde são contadas as células vermelhas (hemácias ou eritrócitos) e brancas (leucócitos) do sangue, assim como as plaquetas, responsáveis pela sua coagulação. 40% dos pacientes de Lupus apresentam anemia (queda de células vermelhas), 15 a 20% apresentam leucopenia (queda de células brancas), e ainda 25 a 35% apresentam trombocitopenia (queda de plaquetas).

Teste de Coombs - exame sanguíneo que comprova que a anemia é resultante da produção de anticorpos contra as hemácias - anemia hemolítica.

Urina - os pacientes de Lupus podem apresentar aumento de células vermelhas (hematúria), aumento de estruturas cilíndricas (cilindrúria) e aumento de proteína (proteinúria) na urina.

FAN (fator anti-núcleo) - procura-se um anticorpo dirigido contra uma substância do núcleo da célula. No núcleo localizam-se algumas proteínas e também o DNA.
Qualquer anticorpo contra o DNA ou contra as proteínas do núcleo determina um FAN positivo, o que ocorre em 95 a 100% dos casos.

Células LE - os neutrófilos são capazes de "engolir" núcleos de outras células atacadas pelo anticorpo anti-núcleo, formando as células LE positivas. Cerca de 80% dos pacientes de Lupus apresentam este teste positivo.

Anticorpo anti-DNA - existem dois tipos de DNA, nativo (dupla hélice) e mono-hélice, sendo que 60 a 80% dos pacientes com LES produzem anticorpos contra ambos. A presença do anticorpo anti-DNA sugere a possibilidade de nefrite - inflamação dos rins.

Anticorpo anti-SM - anticorpo dirigido contra uma proteína do núcleo no sangue, mas apenas 30% dos pacientes produzem esse anticorpo.

Dosagem de complemento - quando o anticorpo se liga ao antígeno forma-se uma estrutura chamada imunocomplexo. Quando este se deposita, atrai uma substância chamada complemento, responsável pela inflamação. A dosagem de complemento total (CH50) e das frações C3 e C4 são medidas, avaliando-se envolvimento renal e atividade da doença.

CAUSAS:
Porque o sistema imunológico de uma pessoa que tem Lupus se perde deixando de reconhecer constituintes do seu próprio corpo, passando a atacá-los como se fossem estranhos? Ainda não temos a resposta, mas evidências.

Imunidade
O sistema imune é regulado por uma combinação de células brancas do sangue e por algumas substâncias solúveis produzidas por elas. Existem basicamente 3 tipos destas células envolvidas no controle da resposta imune: linfócito B (produtores de anticorpos), linfócito T e o macrófago (reguladores da produção). Os linfócitos T, que estimulam a produção de anticorpos são chamados T auxiliadores, e os que reprimem a produção são chamados de T supressores.

Normalmente, o sistema imune tolera seu próprio organismo, não produzindo excessivamente anticorpos contra seu corpo. O que diferencia o paciente de LES é a enorme quantidade de auto-anticorpos dirigida contra seus constituintes próprios. Alguns estudos mostram que nos pacientes de Lupus, ocorre uma diminuição da atuação do linfócito T supressor, ou mesmo uma intensa estimulação de produção de linfócito T auxiliadores.

Genética
Alguns cientistas acreditam em uma predisposição genética à doença, mas ainda não se conhece os genes causadores. Apenas 10% dos pacientes de LES tem parentes próximos que desenvolveram a doença. E as estatísticas mostram que apenas 5% de crianças de pais que tem Lupus desenvolvem a doença.

Hormônio
90% dos pacientes de Lupus são mulheres, entre 15 e 40 anos de idade. Por isso, o Lupus parece ter alguma associação com o estrógeno, um hormônio produzido pelas mulheres em seus anos reprodutivos.

Experiências com camundongos revelaram que o estrógeno tem um efeito acelerador da doença. Fêmeas que tiveram seus ovários retirados antes da puberdade, e que receberam altas doses de hormônio masculino, tiveram a doença menos intensa. E aqueles que receberam altas doses de estrógeno, tiveram a doença exacerbada. Os estrógenos provavelmente aumentam a produção de anticorpo anti-DNA, dentre outras consequências.

Stress
O stress é comprovadamente um disparador do LES. Os cientistas pesquisam a possibilidade da adrenalina ou cortisona influenciarem o desenvolvimento da doença.

Luz Ultravioleta
Cerca de 30 a 40% dos pacientes de Lupus apresentam sensibilidade ao componente ultravioleta vindo da luz solar ou artificial, em função de:
- alteração no DNA estimulando a produção anormal de anticorpos contra ele;
- células da pele (queratinócitos) quando expostas à luz ultravioleta estimulam os linfócitos a produzirem anticorpos;
- a luz UV dificulta a retirada dos imunocomplexos da circulação, que podem se depositar em alguns tecidos provocando inflamação.

VírusÉ possível que linfócitos B sejam infectados por vírus e provoquem a produção de anticorpos em pacientes susceptíveis.

Substâncias Químicas
Alguns remédios como procainamida (para distúrbios do coração), hidrazida (para tuberculose), difenilhidantoína (para epilepsia), hidralazina (para pressão alta), podem produzir um conjunto de sintomas semelhante ao LES em pacientes predispostos. Descobriu-se que os pacientes demoram mais para metabolizar essas drogas, bastando a suspensão do uso para a regressão dos sintomas.

TRATAMENTO
Em qualquer tratamento de uma doença, individualizado e prolongado, é preciso desenvolver um ambiente de confiança e honestidade entre o médico e o paciente, a partir de um diálogo franco e aberto. É preciso obter todas as informações sobre o Lupus e os recursos da medicina atual para tratar e controlar suas manifestações.

Não há um remédio para o Lupus que funcione da mesma forma como um antibiótico funciona para acabar com uma infecção. O tratamento do LES engloba uma série de medidas, entre medicamentos e normas para que se viva bem.

SolOs pacientes com fotossensibilidade ou manchas, devem evitar a exposição ao sol, fazendo sempre o uso de filtros solares.

DietaSabe-se que, quando os pacientes usam corticosteróides, a retenção de água no organismo acontece provocando inchaços, devendo-se então diminuir o sal na dieta normal. Quando o peso está acima do normal, deve-se reduzir calorias.
Há estudos sobre a eficácia de óleo de peixe na redução de inflamação. Além disso, cientistas suspeitam que o aminoácido l-canavanina presente na alfafa, provoca sintomas de Lupus, o que foi comprovado em pesquisas com macacos. Deve-se então evitá-la.

Drogas, Álcool e Fumo
Sulfas, anticoncepcionais orais e penicilinas podem disparar a doença e devem ser evitados. O álcool e o fumo são prejudiciais a qualquer pessoa, mas no caso de LES deve-se principalmente evitar a interação do álcool com sedativos e antialérgicos, e do fumo no caso de acometimento pulmonar.

Exercícios e Repouso
As articulações tem estruturas que devem ser bem cuidadas. Quando inflamadas precisam de períodos de repouso intercalados com os de atividade, evitando-se lesões. Também deve-se dar atenção à postura e posições de trabalho e lazer. Por isso, exercícios regulares podem ajudar a prevenir fraqueza muscular e fadiga.

MedicamentosNão existem programas de tratamento iguais para todos os pacientes. Considera-se o grau de evolução da doença bem como as queixas de cada paciente. Muitas vezes são utilizados vários remédios ao mesmo tempo para controlar os sintomas.

Corticosteróides - são hormônios sintéticos, cópia do hormônio cortisona produzido pela glândula supra-renal, extremamente potentes contra a inflamação. Mas apresentam efeitos colaterais em dosagens altas como ganho de peso, "inchaço", espinhas, pressão alta, catarata, devendo então ser usados com precaução e unicamente através de indicação médica. Os mais comuns são: prednisona, prednisolona, hidrocortisona, entre outros.

Antiinflamatórios não-esteróides - alguns sintomas como fadiga, febre e artrite podem ser tratados eficientemente com não-esteróides. Não apresentam os efeitos colaterais dos esteróides, mas registra-se a intolerância do estômago. O mais antigo é a aspirina.

Antimaláricos - são muito úteis para o controle da artrite e problemas de pele, usados também contra a malária. O maior problema com o seu uso se refere à visão, devendo-se estar atento à acuidade visual, o que sugere exames de controle junto ao oftalmologista. Os antimaláricos usados são cloroquina e hidroxicloroquina.

Imunossupressores - são usados para diminuir a ação do sistema imune, existindo controvérsias sobre o seu uso em função de grandes efeitos colaterais. É preciso avaliar muito seriamente os benefícios e riscos associados a este tratamento.

portadores de lúpus eritematoso sistêmico


Mais remédios...
Enquanto os governos lutam por menos remédios para o povo, a Justiça Federal determina a distribuição dos medicamentos excepcionais para os necessitados. Pode haver problema de caixa, mas a Constituição Federal precisa ser respeitada...

... hoje e sempre!...

Pois bem. A Justiça Federal julgou procedente ação civil pública proposta pelo Ministério Público (MP) federal contra a União, o governo do Paraná e o Município de Ponta Grossa, determinando a imediata aquisição do medicamento Micofenolato Mofetil 500mg para fornecimento gratuito a todos os portadores de lúpus eritematoso sistêmico residentes na Subseção Judiciária de Ponta Grossa.

Esse medicamento -ao contrário do que quer o ministro José Gomes Temporão- não consta da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). De acordo com a decisão, o remédio deve ser entregue no posto de saúde mais próximo da residência do portador da doença, mediante a apresentação da prescrição médica atualizada. Poderá ser fornecido o remédio genérico ou com variações do nome de fantasia.

O Juiz Federal destacou a obrigação do Poder Público de garantir o direito à vida, "fornecendo de forma gratuita e ininterrupta, um medicamento necessário ao seu tratamento, ainda que não conste da lista oficial".

O Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença crônica, auto-imune, que causa inflamações em várias partes do corpo, especialmente na pele, juntas, sangue e rins. As causas do Lúpus não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que fatores ambientais e genéticos estão envolvidos. Alguns dos fatores ambientais que podem despertar a doença são: infecções, medicamentos, exposição a raios ultravioletas e o estresse.

O texto sobre Lúpus foi retirado de:
http://www.lupusonline.com.br/politica.asp#

Sociedade Brasileira de Dermatologia
http://www.sbd.org.br/
Fique por dentro do que acontece no universo da dermatologia.

Saúde Bucalhttp://www.saude.gov.br/sps/areastecnicas/bucal
Informações e publicações educativas sobre a saúde bucal.

Ministério da Saúdehttp://www.saude.gov.br
Traz informações (programas, aplicação de recursos, legislação, epidemiologia, etc) e links para outros órgãos vinculados ou não.

Dor e Inflamação
http://www.doreinflamacao.com.br
Informações sobre serviços, produtos e novidades no tratamento de dores, incluindo a artrite.

Bio Saúdehttp://www.biosaude.com.br
Informações diversas sobre a saúde destinadas ao público em geral.

Fundação Pró-Renalhttp://www.pro-renal.org.br/
Entidade criada pelo Dr. Miguel Riella, Curitiba, realiza campanhas, financia pesquisas e auxilia pessoas com problemas renais crônicos.

Portal da Osteoporose
http://www.osteoporose.org.br/
Informação, discussão, prevenção e novidades sobre a osteoporose.

Ergonet Online
http://www.ergonet.com.br
Portal temático sobre ergonomia - tudo sobre Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORT) e riscos ergonômicos presentes nos locais de trabalho.

O coração sente, o corpo dói

Como reconhecer, tratar e prevenir a fibromialgia e doenças associadas,que impõem um sofrimento real a pessoas aparentemente saudáveis

Sumário

Introdução: Uma luz no fim do túnel. A fibromialgia é uma doença real, debilitante, que provoca um sofrimento intenso agravado pela incompreensão. Mas é possível superá-la.

1. Fibromialgia? Que doença é essa? Quem são os maiores atingidos e de que forma ela prejudica a qualidade de vida. Conheça melhor a síndrome que parece vir do nada.

2. Os principais sintomas. Dores persistentes, fadiga e distúrbios do sono encabeçam a lista, que inclui também formigamento e depressão. Saiba reconhecer esses indícios.

3. De onde vem tanta dor. O que acontece no sistema nervoso central e periférico para amplificar a dor: o excesso de substância P, a falta de serotonina e outras alterações.

4. Quais são os gatilhos. Predisposição genética, estresse físico e emocional, acidentes, cirurgias, ataques virais, o que pode desencadear a fibromialgia?

5. O peso das emoções. Como a história de vida e o estresse de todo dia contribuem para o aparecimento, a manutenção e o agravamento das dores e outras queixas.

6. Dá para prevenir? Alimentação saudável, exercícios físicos, combate ao tabagismo. O que fazer para se proteger, sobretudo se tiver casos na família.

7. Diagnóstico acertado. Exames de última geração não identificam a fibromialgia, apenas excluem outras suspeitas. A tarefa cabe a um médico experiente.

8. Doenças que se confundem. Osteoartrose e artrite estão entre as enfermidades que apresentam sintomas semelhantes aos da fibromialgia ou atacam ao mesmo tempo.

9. Você não está louco.O diagnóstico traz alívio. Após peregrinar por consultórios e agüentar até a desconfiança da família, finalmente a pessoa descobre o que tem.

10. Princípios do tratamento. Um pacote de medidas que englobam medicamentos, exercícios físicos e coadjuvantes e variam conforme o caso, traz de volta o bem-estar.

11. As armas químicas. As principais indicações dos diversos remédios usados no tratamento da fibromialgia e as últimas novidades dos laboratórios.

12. Exercícios, na medida certa. Se não for personalizada e muito bem orientada, a prática regular de atividade física pode piorar o quadro, em vez de fazer bem.

13. Muito além da fisioterapia. Isolados, os choquinhos, fornos e ultra-som pouco adiantam. O treinamento físico é o mais importante para a recuperação.

14. Acupuntura e outros métodos complementares. Saiba o que realmente funciona e o que ainda não tem comprovação científica para não perder tempo, nem dinheiro.

15.O valor da psicoterapia. A terapia cognitivo-comportamental ajuda a administrar o estresse, reorganizar sua vida e até mesmo vencer a dor.

16. O que você pode fazer para se ajudar.Sugestões úteis para aliviar os sintomas e outros cuidados que diminuem a dor, melhoram o sono e auxiliam a recuperação

17. O dia seguinte. Quanto tempo demora para os remédios fazerem efeito? É possível se livrar de todas as queixas? Existe cura para fibromialgia?

18. Mitos e verdades. O que é verdadeiro e o que é falso do que se ouve falar por aí...

19. Teste: será que você tem fibromialgia? Para ajudá-lo a reconhecer a síndrome, de preferência o quanto antes.

20. Daqui pra frente. Chegou a hora de cuidar melhor de si!!!

“Todo mundo é capaz de suportar uma dor, com exceção de quem a sente.”
William Shakespeare, dramaturgo inglês (1564-1616)


Uma luz no fim do túnel

“O meu sonho de consumo é passar 24 horas sem dor em 46 anos de vida”.
Vera, portadora de fibromialgia

Insuportável para quem tem. Incompreensível para quem acompanha de fora. A fibromialgia é uma doença real, debilitante, que provoca dores persistentes e generalizadas pelo corpo -- se além delas você sentir um cansaço desproporcional ao esforço feito, não dormir bem, tiver enxaqueca, sensação de formigamento nos braços e/ou nas pernas, além de uma irritabilidade inexplicável, atenção, você é um sério candidato! Embora não mate, deforme, nem enlouqueça o portador, ela prejudica (e muito!) sua qualidade de vida.

As dores físicas são agravadas por uma outra dor, a da incompreensão. O contato com pacientes e familiares me fez perceber o quanto a falta de informações e de um diagnóstico confiável intensifica seu sofrimento. Uma historiadora que chamarei de Paula, autora de uma significativa produção intelectual, procurou-me apresentando todos os sintomas de fibromialgia e extremamente ofendida com o médico que atribuíra suas dores à “ falta de tanque”. Outra paciente, Beatriz, após reclamar de suas muitas dores, ouviu de um médico o seguinte comentário: “É sinal de que você está viva. De que tem perna, braço...” Se um profissional da saúde, que seria o encarregado de tratar esse mal-estar, reage com tamanha incompreensão, o que esperar das demais pessoas? A solidão e a carência desses pacientes influenciaram minha trajetória profissional.

Quando optei pela reumatologia, uma especialidade médica desconhecida por boa parte da população, inclusive mães de reumatologistas[1], meu objetivo era contribuir para aliviar a dor das pessoas. À medida em que fui me familiarizando com as doenças que afetam as articulações e estruturas anexas – músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos – e conhecendo as histórias dos pacientes, eu me deparei com um grupo de sofredores absolutamente infelizes, na sua maioria mulheres, que peregrinavam por consultórios médicos sem obter o esperado alívio para as suas queixas.

Como em geral tinham uma aparência saudável e manifestavam sintomas pouco esclarecedores, eram orientados a fazer dezenas de exames. Todos davam resultados normais ou traziam algum achado que não esclarecia suas queixas, o que era decepcionante para o paciente. Infelizmente, há dores cujas causas não são descobertas por métodos de diagnóstico por imagem, mesmo os de última geração. Nenhum exame substitui o ato médico bem realizado.

A prescrição quase sempre se resumia a antiinflamatórios. Depois de tomarem vários, indicados por médicos, farmacêuticos ou até vizinhos, sem sucesso, e passarem por diversos especialistas (clínico gerais, ortopedistas, neurologistas e até psiquiatras), esses pacientes começavam a achar que sofriam de uma doença rara, grave ou de alguma forma de loucura, o que potencializava suas dores. Resultado: chegavam ao meu consultório desiludidos, desacreditados pelas famílias, que não levavam a sério aquelas dores não comprovadas por exames, e sem perspectiva de se livrarem do seu tormento.

Decidida a ajudá-los, resolvi ir à luta. Comecei a estudar a fundo as síndromes dolorosas. Além de apresentar sintomas variados, a fibromialgia pode se associar a outras doenças, o que torna o diagnóstico ainda mais complexo. Disposta a elucidar as diversas partes desse quebra-cabeça, passei a freqüentar congressos médicos internacionais sobre dor, além dos eventos na área de reumatologia. Queria aprender mais a respeito dos mecanismos envolvidos na transmissão e percepção dos estímulos dolorosos, que estão em desarranjo nos portadores de fibromialgia. Mergulhei nos livros de farmacologia (parte da medicina que estuda os medicamentos) a fim de conhecer o arsenal terapêutico disponível para tratamento das dores crônicas. Seria preciso dominar bem cada um desses fármacos, seus benefícios e efeitos colaterais, para achar a combinação exata, capaz de cobrir as diversas queixas trazidas pelos pacientes.

Enquanto isso, fui percebendo que a medicação era apenas uma parte da história. O tratamento consiste num pacote de medidas. Exercícios físicos e técnicas de autocontrole, por exemplo, são fundamentais para a recuperação, desde que bem orientados. Acupuntura também é um excelente coadjuvante, descobri numa pesquisa que realizei para a minha tese de doutorado. O mais importante, no entanto, é ouvir o paciente. Sobretudo no caso dessa síndrome, que tem um forte componente emocional, cuja origem pode estar em tempos bem anteriores às manifestações dolorosas, até mesmo na infância.

Nos últimos anos, atendi centenas de portadores de fibromialgia no consultório, na Escola Paulista de Medicina e no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Essa experiência me autoriza a afirmar que praticamente não existe dor intratável. O que existe é dor mal diagnosticada, mal tratada ou pacientes que não querem ser tratados. Sempre digo que uma pessoa tem que querer e poder se tratar. Portanto, se você (ou alguém que você ama) ainda não achou o alívio desejado, não desista!

Na maioria dos casos, só de saber que tem uma doença real, após anos de dúvidas e sofrimentos, o paciente já apresenta uma melhora considerável no seu quadro. Essa constatação me animou a escrever esse livro, destinado a portadores de fibromialgia, familiares e a todas as pessoas interessadas em conhecer melhor a síndrome. Meu objetivo é orientar para que possam identificar seus sintomas e buscar a ajuda de um reumatologista, que é o especialista capacitado a diagnosticar e tratar a fibromialgia.

A educação, apoiada em dados atualizados e evidências científicas, é o primeiro passo para a recuperação, possibilita a adoção de medidas preventivas e melhora a qualidade de vida. Acredite: é possível viver bem com a síndrome e apesar dela. Nas próximas páginas você vai descobrir como.

Evelin Goldenberg
Inverno de 2004

Capítulo 1., Fibromialgia? Que doença é essa?

“Doutora, você é a minha última esperança!”. Mal entrou no consultório, Mariângela[2], 50 anos, professora universitária, foi logo contando sua história. “Eu já estive em todos os médicos, tomei todos os remédios, fiz cirurgia e nada. Depois de ver uma entrevista sua na TV, eu me ‘diagnostiquei’ com fibromialgia. Se você não puder me ajudar, nem sei mais o que vou fazer”. Em seguida, depositou sobre a mesa uma sacola de shopping center repleta de exames normais ou que não esclareciam suas queixas. Havia ressonância magnética, tomografia, ultra-som, raios X, dosagens sangüíneas. Passou a me mostrar um por um. Pedi que guardasse tudo e me dissesse qual era o seu problema.

Tudo começou com uma dor no pescoço, que ela atribuiu a uma noite maldormida. Como a dor persistia, foi a um ortopedista, que solicitou uma radiografia e prescreveu antiinflamatórios. Não adiantou. Depois, apareceu uma dor no ombro. Mariângela foi a outro médico, que suspeitou de bursite e implantou um tratamento que não produziu resultado. Apenas no ombro, foram feitas cinco infiltrações. Pouco tempo depois, surgiram dores na coluna. Ela procurou outro profissional e mais outro, depois outro, trinta médicos no total. Em geral, solicitavam exames de imagem, que davam todos normais. Começaram a desconfiar de que o seu mal era psicológico. Enquanto isso, as dores progrediam. O décimo médico resolveu tratar a hérnia de disco flagrada numa ressonância magnética.

Mariângela estava convencida de que a hérnia era a responsável pelo seu mal-estar. Afinal, tinha que haver uma explicação palpável para seus anos de sofrimento. Aquele exame alterado era a justificativa da qual ela precisava para si mesma e para os familiares. Só que o tratamento instituído não surtiu efeito. Nem poderia, porque a presença da hérnia não esclarecia os sintomas que, a essa altura, ela já manifestava: dores no corpo inteiro, cansaço excessivo, sono de má qualidade, dores de cabeça.

O fato é que muita gente pode ter hérnia, sem que isso traga prejuízo. Estudos científicos revelam que 30% das pessoas que não têm queixas de dor nas costas e se submetem a uma ressonância nuclear magnética da coluna terão no laudo protusões ou hérnias discais. No caso de Mariângela, o sofisticado método de imagem colaborou para mais um erro no diagnóstico. É importante salientar que laudos de exames só têm valor se corresponderem às queixas e aos achados do exame físico do paciente. Se isso não for levado em conta, corremos o risco de tratar resultados de exames e não pessoas.

Mariângela fez dez, vinte, trinta sessões de fisioterapia, incluindo TENS (choquinhos), ondas curtas, ultra-som e RPG (Reeducação Postural Global), sem melhora. Tomou tantos antiinflamatórios que seu estômago já começava a protestar. Passou por uma cirurgia da coluna, mas as dores pareciam cada dia piores.

Quando veio ao meu consultório, relatou uma dor descomunal e já exibia sinais claros de depressão. Chorava muito e dizia: “Acho que não vou melhorar nunca”. Tinha engordado bastante e sua auto-estima estava por um fio. Não queria mais ir ao cinema, ao teatro, e faltava muito ao trabalho. Achava que sofria de alguma doença grave, talvez um câncer ósseo ou algum tipo severo de artrite que deformaria seus ossos e a colocaria numa cadeira de rodas. Contou que o marido dizia que “era tudo da cabeça dela”. Afinal, já tinha feito todos os exames, inclusive ressonância magnética, múltiplos tratamentos e até cirurgia e nem assim parava de reclamar ... Não era possível que tanta dor viesse do nada.

E, realmente, não vem. Mariângela é portadora de fibromialgia, uma síndrome de amplificação dolorosa, não inflamatória, que atinge de 2 a 5% da população. Parece pouco, mas se usarmos como referência as estimativas do IBGE para a população em junho de 2004, 178 milhões de brasileiros, ela ataca algo entre 3,5 a 8,9 milhões de pessoas no país. Estima-se que um em cada 50 americanos sofrem de fibromialgia. Cerca de 14 a 20% dos pacientes que procuram reumatologistas apresentam o quadro.

Democrática, a fibromialgia aparece em todas as classes sociais. O principal alvo são as mulheres: entre 80% e 90% dos portadores pertencem ao sexo feminino. Mas os homens que desenvolvem a síndrome também sofrem bastante, queixam-se de sintomas graves e alguns resistem à idéia de ter uma enfermidade considerada preferencialmente feminina.

O pico de incidência é entre 30 e 60 anos, mas também pode aparecer em crianças e adolescentes (a prevalência não foi determinada), como também em idosos, embora outras síndromes degenerativas, como o bico de papagaio, sejam mais comuns na maturidade. Nada impede, porém, que a pessoa atravesse décadas sem o diagnóstico e a fibromialgia só venha a ser detectada após os 60 anos.

Frente a frente com o “fantasma”

O nome fibromialgia nasceu da junção de três termos: o latim fibra (ou tecido fibroso), o prefixo grego mio, que diz respeito aos músculos, e algia, originário do grego algos, que significa dor. Refere-se à presença crônica de dor músculo-esquelética difusa, incluindo um segmento da coluna e múltiplos pontos dolorosos, conhecidos por tender points. Ou seja, dói o corpo todo, sobretudo os músculos, as articulações e os tecidos moles, que são as estruturas que suportam as articulações, como os tendões e os ligamentos, e a miofascia (tecido conectivo e gordura que envolvem os músculos). Por isso, a fibromialgia é classificada como reumatismo das partes moles, em comparação aos clássicos reumatismos inflamatórios/degenerativos, entre eles, a osteoartrose (popular bico de papagaio) e as artrites, que danificam as articulações.

A dor difusa é entendida como uma sensibilidade dolorosa acima e abaixo da cintura, do lado direito e esquerdo do corpo e um segmento da coluna. A intensidade é variável. Enquanto alguns pacientes mencionam dores leves, outros descrevem tamanha sensibilidade que até um carinho dói. Às vezes, a dor é percebida como uma sensação de peso numa parte do corpo, outras vezes, compara-se a um forte aperto, uma queimação, um ardor.

Ao contrário do que se pode supor, a síndrome não é uma invenção moderna. Alguns relatos bíblicos já foram interpretados como indícios de fibromialgia. “Ó vos todos, que passeis pelo caminho, olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta a mim que o Senhor feriu no dia de sua ardente cólera. Até aos meus ossos lançou ele do alto um fogo que os devora... Eu ando amargurado o dia inteiro”, escreveu o profeta Jeremias nas suas Lamentações (1, 12-13)

No entanto, a primeira descrição oficial data de 1816. O cientista Balfor foi o pioneiro a localizar os pontos dolorosos. Após a virada do século (1904), o médico inglês William Gowers usou o termo fibrosite para designar os sintomas que hoje são atribuídos à fibromialgia.

Nas décadas seguintes, foram publicados trabalhos com dados conflitantes. Até que o Colégio Americano de Reumatologia (ACR) resolveu patrocinar um estudo realizado em vários centros médicos dos Estados Unidos e do Canadá. A finalidade era estabelecer critérios para homogeneizar a classificação da Síndrome da Fibromialgia. A definição válida atualmente é produto dessa iniciativa, cujos resultados foram divulgados em 1990.

O termo fibromialgia se refere à presença de dor difusa pelo corpo por mais de três meses, além de 11 pontos dolorosos à palpação, feita com o polegar ou o indicador. Há mais de 600 músculos no corpo humano e teoricamente todos podem conter um tender point, mas os cientistas elegeram 18 pontos dolorosos para o diagnóstico da fibromialgia. (veja ilustração na página ao lado)

Convém acrescentar que os 11 pontos sensíveis constituem apenas um critério para diagnóstico e padronização das pesquisas científicas. Logo, se você apresentar 9 ou 10 pontos dolorosos, somados aos demais sintomas, pode ser considerado um candidato à síndrome. Destaco, ainda, que a presença de outros distúrbios concomitantes não exclui o diagnóstico de fibromialgia. Aliás, é comum ela se associar a outras enfermidades, entre as quais, artrite reumatóide, osteoartrose, lúpus eritematoso sistêmico, doenças da tireóide etc. Às vezes, ela é a responsável pela dor ou um fator agravante da queixa original e, se não identificada, pode levar ao insucesso do tratamento.

Finalmente, a fibromialgia é considerada uma síndrome, não uma doença, porque se caracteriza por um conjunto de sintomas e sinais, que além da dor pode incluir, formigamento, fadiga, irritabilidade, enxaqueca, cólon irritável, pernas inquietas e distúrbios do sono. Logo, a forma como ela se manifesta varia de um portador a outro e cada caso requer um tratamento diferente.

Fora o sofrimento, a pior conseqüência é a perda da qualidade de vida. As dores e os demais sintomas atrapalham as atividades diárias, limitam os contatos sociais e podem, inclusive, levar ao rompimento dos laços familiares. Fizemos uma pesquisa na Universidade Federal de São Paulo para avaliar o nível de satisfação sexual de 20

Os pontos dolorosos

Conheça os nove pares de pontos dolorosos (tender points) empregados nos critérios de classificação para fibromialgia estabelecidos em 1990 pelo Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology – ACR):

· NUCA (parte superior, subocipital);

· LATERAL DO PESCOÇO (no nível do ligamento transverso da quinta e sexta vértebras cervicais);

· MÚSCULO TRAPÉZIO (fica entre o pescoço e o ombro);

· FACE LATERAL DO OMBRO (músculo supra-espinhoso);

· SEGUNDA COSTELA (na junção da cartilagem entre a costela e o osso esterno);

· COTOVELO (no epicôndilo lateral);

· NÁDEGAS (quadrante superior e externo do músculo glúteo médio);

· QUADRIL (grande trocânter: região do osso fêmur)

· JOELHO (na gordura da face interna)

portadoras de fibromialgia entre 18 e 45 anos. Elas foram comparadas a 20 mulheres sem a síndrome e que ainda não tinham entrado na menopausa. Os dados preliminares apontaram uma menor capacidade de atingir o orgasmo nas pacientes. Vale lembrar que a satisfação sexual é um fator determinante da qualidade de vida. Um estudo anterior, publicado em 1999, também sugeriu uma diminuição na função sexual de mulheres portadoras de fibromialgia. As causas, porém, não foram definidas. Talvez seja em decorrência da dor, da fadiga, da depressão ou da insatisfação com o parceiro.

Trabalhos compararam o impacto de várias doenças na qualidade de vida dos portadores. A fibromialgia foi considerada pior do que a AIDS e o câncer de próstata e equivalente à doença pulmonar obstrutiva (enfisema que obriga o uso de bombinha para respirar).

“À dor que limita e empobrece a qualidade de vida, soma-se a dor moral que uma enfermidade desconhecida produz, a dor de uma sociedade que despreza e ignora, a dor de não sentir-se acreditado”, afirma o manifesto da Fundação de Portadores de Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crônica da Espanha, distribuído naquele país em 2004 por ocasião do Dia Mundial da Fibromialgia, 12 de maio.

Voltando à paciente Mariângela, muito sofrimento teria sido poupado se seu diagnóstico tivesse sido feito precocemente por meio de um exame clínico criterioso que levasse em conta seus sintomas físicos e sua história emocional. Afinal, a dor também pode ser desencadeada por um estresse: um trauma de infância, um problema com o marido, dificuldades do dia-a-dia. Não estou afirmando que a fibromialgia é uma condição psiquiátrica. Mas, sem dúvida, fatores psicológicos podem contribuir para o início, a manutenção e a piora da crise.

Neste caso específico, a paciente tinha um pai alcoólatra. Desde cedo precisou trabalhar, mas nunca conseguiu apoio da família. Arrumou um namorado do qual engravidou, mas ele não assumiu a criança. Foi quando teve início a dor no pescoço. A filha desenvolveu um aneurisma cerebral. Fez a cirurgia e está curada. A dor de Mariângela é fruto dessa história. Nem todas as pessoas que enfrentam essa seqüência de situações estressantes manifestam a fibromialgia ou qualquer outra doença, mas para algumas, geneticamente predispostas, elas servem de gatilho.

Ao final do atendimento, essa paciente me disse que estava feliz porque teve 1 hora para ser ouvida e examinada, diferentemente do que aconteceu outras vezes, em que as consultas duravam 15 minutos e se resumiam por vezes a pedidos de exames. Pude perceber que a conversa valeu mais do que o remédio. Pior do que a dor, era o descrédito que notava por parte dos familiares e de alguns médicos.

Hoje, Mariângela toma medicamentos para estabilizar o humor e reduzir a sensação dolorosa e pratica exercícios físicos com orientação adequada. Quando algum fato tumultua sua rotina, por exemplo, a recente morte do cachorro dado pela filha, ela recorre aos analgésicos até se estabilizar novamente. Em um ano, melhorou tanto que parece outra pessoa.


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Síndrome do Túnel do Carpo

Compressão do nervo do punho

Muito comum entre mulheres na faixa de 35 a 60 anos, a Síndrome do Túnel do Carpo é uma doença que ocorre quando o nervo que passa na região do punho (nervo mediano) fica submetido à compressão. Os resultados são incômodos como dormência e formigamento nas mãos, principalmente nas extremidades dos dedos e que pioram durante a noite.

Como o quadro tende a ser progressivo, merece toda atenção. Nos casos mais avançados pode haver perda de força para segurar objetos com a mão. Segurar volante do carro, amarrar calçados ou descascar frutas e legumes pode ficar impossível caso o diagnóstico não seja descoberto a tempo. Pessoas que se dedicam a trabalhos manuais com movimentos repetidos ou tem associação com alterações hormonais como menopausa e gravidez (geralmente desaparece ao fim da gravidez) são mais propensas a desenvolver o problema.

A comprovação da compressão do nervo é feito através de um exame chamado eletroneuromiografia, capaz de constatar um atraso na condução de estímulo elétrico pelo nervo mediano ao punho. O tratamento varia de imobilizações específicas a cirurgias, nos casos mais graves.

No entanto, o melhor remédio é prevenir, fazendo intervalos durante a digitação, diversificando os trabalhos e mantendo uma postura adequada, por exemplo.

Equipe Bem Star