sábado, 30 de abril de 2016

Kefir de água


Os grãos de Kefir de água são pequenos, translúcidos ou caramelos (dependendo do açúcar que você usa) e tem a aparência de micro cristais. Quando bem cultivados produzem uma rica bebida probiótica e continuam crescendo indefinidamente.

Preparar o Kefir de Água é super simples. Os grãos são cultivados em água adoçada com açúcar ou rapadura (nunca use mel). As bacterias e leveduras presentes nos grãos metabolizam o açúcar, transformando em um conjunto de microorganismos benéficos, repleto em vitamina, aminoácidos e enzimas.

Como toda bebida fermentada, a cultura de kefir de água produz uma quantidade pequena de álcool, que varia de 0.5% a 0.75%, dependendo o tempo de fermentação e a quantidade de açúcar. Quando fermentado suco de frutas, que possuem mais açúcar a quantidade de álcool sobre para 0.9% a 1%.


O QUE PRECISA PARA PRODUZIR KEFIR DE ÁGUA

Primeiro você precisa dos grãos, também conhecido como tibicos. Conforme você cultiva e fermenta a água, os grãos irão crescer e se reproduzir, e você poderá doá-los. O Kefir de Água se reproduz melhor em um ambiente mineral e preferencialmente com açúcar orgânico. Se usar açúcar mascavo, por exemplo, o seu Kefir terá uma coloração caramelo, usando açúcar refinado a coloração será mais límpida. Eu particularmente uso água mineral e açúcar mascavo.

Além dos grãos, água e açúcar você irá precisar de um recipiente de vidro para fermentar os grãos, um pano estilo voal ou gaze, uma peneira e um recipiente para armazenar a sua água já fermentada.

Antes de começar não esqueça de ler este post sobre DICAS BÁSICAS DE MANUSEIO.


PREPARANDO A ÁGUA DE AÇÚCAR PARA CULTIVAR O KEFIR

Aqueça 250 ml de água filtrada ou mineral.
Adicione ¼ de xícara de açúcar (mascavo de preferência ou rapadura) e dissolva bem.
Complete com mais 750ml de água filtrada ou mineral.
Deixe esfriar até atingir temperatura ambiente.

Obs. Se for preparar uma quantidade menor, utilize cerce de 1 colher (sopa) rasa de açúcar para 250ml de água.

PREPARANDO A ÁGUA DE KEFIR

Prepare a água de açúcar e coloque em um recipiente de vidro.
Adicione os grãos de Kefir – cerca de 3 a 4 colheres (sopa) para cada litro de água.
Cubra com um papel toalha ou um pano estilo voal (gaze ou fralda funcionam bem) e prenda com um elástico e deixe fermentando entre 24 e 72 horas em temperatura ambiente e em local longe de luz. (arrume um lugarzinho no seu armário). * Importante salientar aqui que, quanto maior a temperatura ambiente mais rápido irá fermentar e ainda que quanto mais tempo fermentando menos doce ficará. Faça suas experiências e veja qual o melhor método (tempoXquantidade de grãosXtemperatura) é melhor para o seu paladar. Aqui em casa preferimos o fermentado por 48horas.
Depois de fermentar, coe os grãos de kefir. Armazene o líquido fermentado em um recipiente com tampa.
Retorne os grãos para um recipiente com água de açúcar para reiniciar o processo.

Esse processo é chamado de primeira fermentação, quando a água com açúcar é fermentado em contato com os grãos de kefir.

1. Colocando os grãos de KEFIR na água preparada de açúcar.


2. Fechando com um paninho e elástico.


3. Depois de fermentado (48horas).


4. Coando os grãos e separando a água já pronta.


5. Grãos de Kefir, água coada e água com limão.


A tonalidade mais amarelada/caramelo é porque eu uso açúcar mascavo. Depois de fermentada a água ficará mais clara, com um cheiro de fermentado (aparentemente fermento de pão) e com um sabor mais ácido/azedinho.


ARMAZENAMENTO DA ÁGUA DO KEFIR PRONTA

Depois de coada a água de kefir deverá ser armazenada em um recipiente devidamente tampado:
Em temperature ambiente – 3 a 4 dias.
Na geladeira – 2 a 3 semanas.
No freezer – até 3 meses.

O ideal é armazenar na geladeira.


Agora é só consumir a água de kefir pura ou pode-se, ainda, adicionar aromatizadores, como por exemplo suco de frutas, sachê de chá, frutas frescas ou secas para saborizar.

O meu preferido é com suco de limão, fica parecendo uma limonada, ou aromatizada com gengibre. Dentro da garrafa com a água de kefir pronta (depois de coado os grãos), eu coloco pedacinhos de gengibre e deixo na geladeira. Com sachê de chá também fica muito bom.

OUTRAS informações:
Não é necessário lavar os grãos entre um cultivo ou outro, mas recomenda-se fazer isso uma vez na semana. Depois de peneirado, lave os grãos com água filtrada e depois reinicie o processo.
Para cada litro de água recomenda-se usar cerca de 3 a 4 colheres (sopa) de grãos de kefir. Se usar mais o processo de fermentação será mais acelerado.


Você saberá que o kefir está dando certo quando, depois de fermentado, a água estiver mais clara e com um gostinho mais azedinho.

Além da água com açúcar é possível usar suco de frutas e água de coco para fermentar. O ideal é separar grãos específicos para essa finalidade porque os grãos usados para fermentar os sucos irão dar um gosto diferente na água. Se notar que os grãos estão ficando fracos, colocá-los na solução de água com açúcar pelo menos uma vez a cada duas semanas, descartando a água em seguida.

Nunca consumir o kefir que apresentar gosto ou cheiro estranho. É normal um cheiro de fermentado e um sabor um pouco mais ácido, mas nunca cheiro e gosto totalmente desagradável.

Conforme o seu Kefir for aumentando, guarde uma porção no congelador de backup e doe o excedente!

FONTE

https://www.temperando.com/2016/04/kefir-de-agua-como-cultivar/

Para mais informações sobre o KEFIR visite:
Kefir: o que é?
Kefir: Manual Básico
Kefir de Água: Segunda Fermentação
Kefir de Leite: Como cultivar – Um Guia Básico
Kefir de Leite: Suas variações

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Kefir de Leite


Os grãos de Kefir de leite são brancos e constituem uma cadeia de bactérias e leveduras que tem a aparência muito semelhante a uma couve flor. Quando bem cultivados produzem uma rica bebida probiótica e continuam crescendo indefinidamente.

Preparar o Kefir de Leite é muito fácil. Os grãos são cultivados leite, seja de vaca, cabra ou ovelha. As bactérias e leveduras presentes nos grãos metabolizam o açúcar do leite, ou seja, a lactose, reduzindo a caseína, albumina, além de sintetizar o ácido lático, a lactose e outras enzimas. Também modificam os sais de cálcio, que se tornam mais fáceis de serem absorvidos pelo organismo humano. O leite de Kefir é composto por um conjunto de microorganismos benéficos, repleto em vitamina, aminoácidos e enzimas.


Quando fermentado pelo Kefir o leite se assemelha muito ao iogurte que conhecemos, no entanto é nutricionalmente mais rico, com menos lactose e repleto de probióticos. São mais de 30 tipos diferentes de lactobacilos, incluindoLactobacillus bulgaricus, Streptococcu thermophilus, Lactobacillus acidophilus e Lactobacillus casei.


O QUE PRECISA PARA PRODUZIR KEFIR DE LEITE

Primeiro você precisa dos grãos, e os conseguirá através de doação (existem muitos grupos na internet onde você pode procurar). Conforme você cultiva, os grãos irão crescer e se reproduzir, e você poderá também doá-los. O Kefir de Leite se reproduz sintetizando o açúcar presente no leite, ou seja, a lactose. O ideal é usar leite integral de boa qualidade. Aqui em casa uso o leite que encontro na parte refrigerada do supermercado, as vezes compro orgânico quando consigo. Se você tem acesso a alguém que vende leite fresco, melhor ainda!

Além dos grãos e leite você irá precisar de um recipiente de vidro para fermentar os grãos, um pano estilo voal ou gaze, uma peneira e um recipiente para armazenar o seu leite já fermentado.

Antes de começar não esqueça de ler este post sobre DICAS BÁSICAS DE MANUSEIO.


PREPARANDO O KEFIR DE LEITE

Em um recipiente de vidro bem limpo coloque o leite.
Adicione os grãos de Kefir – cerca de 2 a 4 colheres (sopa) para cada litro de leite.
Cubra com um papel toalha ou um pano estilo voal (gaze ou fralda funcionam bem) e prenda com um elástico e deixe fermentando entre 24 e 48 horas em temperatura ambiente e em local longe de luz. (arrume um lugarzinho no seu armário). * Importante salientar aqui que, quanto maior a temperatura ambiente mais rápido irá fermentar e, ainda, que quanto mais tempo fermentando mais ácido ficará. Faça suas experiências e veja qual o melhor método (tempoXquantidade de grãosXtemperatura) é melhor para o seu paladar. Pode ser que em tempetaras mais quentes 12 horas seja o suficiente.
Depois de fermentar, coe os grãos de kefir. Armazene o líquido fermentado em um recipiente com tampa.
Retorne os grãos para um recipiente limpo com leite para reiniciar o processo.

1. Coloque os grãos no Leite Integral.


2. Tampe com uma gaze, fralda, voal ou papel toalha e guarde em um cantinho do seu armário.


3. Depois de fermentado entre 12 a 48 horas, coe e reinicie o processo.



ARMAZENAMENTO DO IOGURTE DE KEFIR

Depois de coado o leite de kefir, também chamado de iogurte de kefir, deverá ser armazenada em um recipiente devidamente tampado, na geladeira.

Agora é só consumir o kefir puro ou pode-se, ainda, bater com frutas diversas e de acordo com o seu gosto. Ainda há outras possibilidades, dessorar para deixá-lo mais consistente estilo iogurte grego, mais ainda e virará um estilo cream cheese ou ainda um queijinho mais firme. Tudo isso vou explicar em um post mais completo.


OUTRAS informações:

Teste várias combinações de quantidade de grãos, quantidade de leite, tipo de leite e tempo de fermentação para chegar ao Kefir que mais agrade o seu paladar.

Não é necessário lavar os grãos entre um cultivo ou outro, mas recomenda-se fazer isso uma vez na semana ou a cada duas semanas. Depois de peneirado, lave os grãos com água filtrada e reinicie o processo.

É normal que, quando for coar o Kefir, você note a presença de uma espécie de viscosidade, isso é totalmente normal, e os cientistas chamam essa “liga” que se desprende de Kefiran, que é altamente benéfico e está associado a propriedades anti-cancerígenas. Evite ficar lavando sempre!

Para cada litro de leite recomenda-se usar cerca de 2 a 4 colheres (sopa) de grãos de kefir. Se usar mais o processo de fermentação será mais acelerado.


Você saberá que o kefir está dando certo quando, depois de fermentado, o leite fica mais grosso, na consistência de iogurte.

Pode acontecer durante o processo de fermentação a separação do leite e do soro, se isso acontecer não se desespere é totalmente normal. Misture tudo e coe normalmente.

A coloração normal dos grãos é mais branquinha, se você encontrar algum mais escuro ou amarronzado, descarte!

Nunca consumir o kefir que apresentar gosto ou cheiro estranho. É normal um sabor um pouco mais ácido, mas nunca cheiro e gosto totalmente desagradável.

Conforme o seu Kefir for aumentando, guarde uma porção no congelador de backup e doe o excedente!

Para mais informações sobre o KEFIR visite:
Kefir: o que é?
Kefir: Manual Básico
Kefir de Água: Como Cultivar – Um Guia Básico
Kefir de Água: Segunda Fermentação
Kefir de Leite: Suas variações


FONTE

https://www.temperando.com/2016/04/kefir-de-leite-como-cultivar/

sábado, 23 de abril de 2016

Kefir: Manual Básico


Você conseguiu os grãos de KEFIR mas se pergunta, e agora?? Bem, é importante que você saiba de algumas coisinhas para começar a cultivar os seus “grãos da saúde” e para que eles fermentem e cresçam de forma saudável.

Então aqui vão alguma dicas gerais de como proceder, tanto para os grãos de água quanto para o de leite.

PARA COMEÇAR: O QUE VOCÊ PRECISA SABER.

Nunca manipule os grãos de Kefir com material de metal, isso irá matá-los. Use coador e colher, preferencialmente, de plástico ou madeira (inox também pode).
Para cultivar o Kefir dê preferência a jarras e recipientes de vidro, sempre bem limpos, porque eles não interferem no desenvolvimento do Kefir. Recipientes de plástico podem ser propensos a contaminação. Para limpar bem os vidros onde você vai deixar o Kefir fermentando, lave com água e passe água fervente.
Eu aconselho que você separe os materiais que vai mexer com o seu Kefir somente para este fim. Por exemplo, tenha uma peneira própria e os recipientes de vidro específicos somente para usar com o Kefir, isso diminui consideravelmente o risco de contaminação.


Nunca (JAMAIS) aqueça os grãos de Kefir. Isso vai matar os seus bichinhos!
O ideal é que a fermentação ocorra em temperatura ambiente e a evolução é melhor em temperaturas em torno de 22ºC a 30ºC. Assim, o processo de fermentação e o tempo vai variar de acordo com a temperatuae ambiente, em dias mais frios a fermentação será mais lenta, em dias mais quentes mais rápida.
A fermentação na geladeira é mais lenta. Se for sair de férias, por exemplo, você pode armazenar o Kefir até 3 semanas na geladeira, em um recipiente tampado que ele se manterá vivo. Depois é só coar (descartar o líquido) e voltar ao processo normal. Importante ressaltar que pode demorar alguns dias até eles voltarem completamente a ativa.
O tempo ideal de fermentação é de 24 a 48 horas, mas se a temperatura ambiente estiver muito alta a fermentação pode acontecer em 12 horas.. Aconselha-se não deixar os grãos na mesma água/leite por mais de 3 dias, eles podem morrer por falta de alimento.
Durante o processo de fermentação não tampe o frasco, cubra com um papel toalha, um voal ou uma gaze que possibilite que o Kefi respire e que o gás carbônico produzido durante a fermentação disperse. Importante cobrir o kefir para evitar que moscas ou mosquitinhos pousem sobre o líquido e os grãos.


Praticando e testando você vai achar o Kefir que mais agrada o seu paladar, faça testes com quantidade de grãos, líquido e tempo de fermentação.

Evite mexer no kefir quando for coar: coloque o líquido a ser coado aos poucos na peneira e dê leve batidinhas para escoar o líquido no recipiente que você vai armazenar.

Não é necessário lavar os grãos entre um cultivo ou outro, mas recomenda-se fazer isso uma vez na semana. Depois de peneirado, lave os grãos com água filtrada.

Para cada litro de água/leite recomenda-se usar cerca de 3 a 4 colheres (sopa) de grãos de kefir. Se usar mais o processo de fermentação será mais acelerado e o reverso também é verdade.

Nunca consumir o Kefir que apresentar gosto ou cheiro estranho. É normal um sabor um pouco mais ácido, mas nunca cheiro e gosto totalmente desagradável.

A cor dos grãos de Kefir de leite é sempre branquinho, se tiver algum escuro descartar, pois ele com certeza não está saudável. O Kefir de água tem tonalidade mais cristalina, transparente ou cor de caramelo, parecem mini cristais e a cor vai variar de acordo com o tipo de açúcar que você usa (cristal, mascavo, rapadura).

Sempre que os seus grãos se multiplicarem aconselha-se a guardar uma porção de backup. Você pode congelar os grãos ou desidratar.

Se bem cuidado os grãos de Kefir tem vida longa.


KEFIR CONGELADO OU DESIDRATADO – Como Ativar os Grãos de Kefir

Depois de congelado ou desidratado o Kefir precisa ser ativado.

Se congelado, retire do freezer e deixe descongelar em temperatura ambiente. Jamais tente acelerar o processo de descongelamento dentro do microondas ou adicionando líquido quente, isso irá matar os grãos de Kefir.

Prepare a solução de água com açúcar ou separe o leite integral.

Coloque a água ou o leite (dependendo do tipo de grão) em um recipiente de vidro e adicione os grãos de Kefir.

Cubra com um papel toalha ou um pano estilo voal (gaze ou fralda funcionam bem) e prenda com um elástico e deixe fermentando por 12 horas em temperatura ambiente e em local longe de luz (arrume um cantinho do seu armário).

Coe os grãos em um coador de plástico e descarte a água ou o leite.

Repita o processo deixando fermentar por mais 24 horas e descarte novamente a água ou o leite.

O Kefir está pronto para ser usado. Pode ser que ele ainda esteja fraco devido ao processo de desidratação ou congelamento, mas aos poucos ele vai ficando mais forte e se multiplicando.

Você também pode encontrar mais informações no site Probióticos Brasil –

FONTE

https://www.temperando.com/2016/04/kefir-manual-basico/

sábado, 16 de abril de 2016

Coco



Coco é o nome do fruto da palmeira. Existem muitos tipos de palmeiras e, portanto, diversos tipos de cocos, entre eles, os mais conhecidos, a carnaúba, o babaçu, o dendê, a tâmara e o coco-da-baía, o fruto do coqueiro.

Origem controversa

O coqueiro (Cocos nucifera L.), é um membro da Família Arecaceae (família das palmeiras). É a única espécie classificada no gênero Cocos e a palmeira de maior importância econômica. Sua origem é controversa. Enquanto uns afirmam que é originário da Costa Ocidental da América Central e dali disseminou-se pelo Sudeste asiático, outros afirmam que é nativa da Indonésia, da Nova Zelândia ou da Índia. Existe uma teoria de que o coqueiro espalhou-se pelo mundo através das correntes marítimas que levaram os frutos mar afora e estes chegaram às praias, inclusive por aqui, na região litorânea entre a Bahia e o Rio Grande do Norte, onde, até hoje, existem em profusão.

Mas, o mais certo, é que, no Brasil, tenha sido introduzido em 1553, procedente da Ilha de Cabo Verde que, por sua vez, recebeu-os originários da Índia. Da região do Recôncavo Baiano, espalhou-se por toda a costa brasileira, levado, provavelmente, por dispersão natural, através das correntes marítimas.

Na "terra brasilis", o coqueiro não revelou, imediatamente, ao indígena que habitava aquela área, todas as suas potencialidades alimentares. Segundo Câmara Cascudo, pouco mais de 50 anos após sua introdução no País, frei Vicente do Salvador já observava que, por aqui, cultivavam-se em quantidade as grandes palmeiras que dão o coco, mas acrescentava também, que o habitante da terra apenas aproveitava a água e a fina polpa, nutritivas e refrescantes de seu fruto verde, desconhecendo o uso do fruto seco.

Ainda segundo o autor, foi apenas com a chegada dos escravos africanos, especialmente aqueles originários de Moçambique - onde a extração e o aproveitamento do leite de coco já eram práticas comuns, herdadas da longínqua Índia - que iniciou-se a perfeita alquimia que culminou com a criação dos deliciosos e únicos pratos da original culinária afro-brasileira.

O termo "coco" foi criado pelos portugueses no território asiático de Malabar, na viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1498), a partir da associação da aparência do fruto, visto da extremidade, em que o endocarpo e os poros de germinação assemelham-se à face de um "coco" (monstro imaginário com que se assusta as crianças; papão; ogro). Do português, o termo passou ao espanhol, francês e inglês "coco", ao italiano "cocco", ao alemão "Kokos" e aos compostos inglês "coconut" e alemão "Kokosnuss".

Planta Tropical

Sendo por excelência uma planta de clima tropical, encontrou ao longo da costa litorânea da região Nordeste um "habitat" adequado para o seu pleno desenvolvimento. Mas pode também ser cultivado em outras regiões distantes do mar. Gosta de clima quente e úmido. Para o bom desenvolvimento da planta não pode ocorrer falta de água, necessitando cerca de 2000 mm de chuvas bem distribuídas durante o ano. A temperatura média anual não deve ser inferior a 22 graus C, fator muito importante para a floração do coqueiro. Além disso, a planta não tolera ventos fortes e frios e necessita boa insolação. Quanto ao solo, deve ser leve, profundo, permeável e arejado. O pH ideal situa-se na faixa de 6,0 a 6,5. A propagação do coqueiro se dá por meio de sementes que devem ser obtidas de plantas produtivas, de estipe reto e vigoroso; boa distribuição de copa e grande número de folhas e, é claro, livre de pragas e doenças. Os frutos escolhidos devem apresentar tamanho médio, formato arredondado e estarem perfeitamente maduros (11 a 12 meses de idade).

Características do Coqueiro

Planta arbórea perene, o coqueiro tem grande longevidade, podendo viver além dos 150 anos. Palmeira de raiz fasciculada (vai a 1,8m para lados e até 0,6m para baixo), tem um caule indiviso (único) liso, chamado de estipe ou espique, que pode atingir até 30 m de altura e 30 a 50 cm de diâmetro (coqueiro gigante). Há, porém, variedades anãs que não ultrapassam 2 ou 3 metros. As folhas, em tufo de 30/35 unidades, localizam-se na extremidade superior da árvore. São bem verdes, pinadas e arqueadas, largas e compridas - de 3 a 6 metros de comprimento, podendo chegar a ter quase 1 metro de largura (duram de 1 a 2 anos). O coqueiro é uma planta monóica (órgãos masculinos e femininos na mesma planta), produzindo flores unissexuadas em uma inflorescência ramificada em forma de cacho com pequenas e numerosas flores femininas globosas (normalmente, de 12 a 15 inflorescência por ano em intervalos de 24 a 30 dias). Seu fruto é o coco, popularmente conhecido como coco-da-baía.

As variedades de coqueiro

Gigante - também chamado de típico, é predominante, tem grande altura, polinização cruzada, fruto verde, cocos destinados à industrialização. Dos 6 aos 9 anos de idade o coqueiro inicia a produção de frutos, que se estabiliza quando chega aos 12 anos, alcançando uma média de 70 cocos por pé ao ano. Esta é a variedade mais comum em todo o Nordeste brasileiro, região responsável por cerca de 85% da produção nacional e mais de 90% da área plantada, ocupando principalmente os Estados de Alagoas, Sergipe e Bahia.

Anão - representado por tipos com frutos verdes, vermelhos e amarelos, tem auto fecundação e frutos destinados ao consumo da água-de-coco. Não alcança mais do que 10 metros de altura, o que facilita bastante a coleta dos frutos. É mais precoce do que a variedade gigante, iniciando sua frutificação no segundo ano após o plantio, também apresentando maior produtividade, cerca de 200 frutos por pé ao ano. Em compensação, vive apenas 20 anos, ou seja, bem menos tempo do que o centenário coqueiro comum. No Brasil, a variedade anã foi introduzida pelos doutores: Artur Neiva e Miguel Calmon em 1925, quando retornavam de uma viagem ao Oriente estimulados pela precocidade na produção e facilidade de colheita dos frutos.

Híbrido - proveniente do cruzamento natural ou artificial gigante x anão.

O Coco

Botanicamente falando, um coco é um fruto seco simples classificado como drupa fibrosa (não uma noz). A casca tem uma superfície relativamente fina e lisa (exocarpo ou epicarpo - 1) por baixo da qual vem uma espessa capa fibrosa com aproximadamente 5 cm de espessura dependendo da variedade (mesocarpo - 2) ), que envolve um "caroço" interno muito duro (endocarpo lenhoso - 3), popularmente chamado de casquilho ou quenga.

Antes de amadurecer, os frutos estão quase que completamente cheios de líquido esbranquiçado (albume) - a água de coco. A medida que o coco amadurece, a água vai diminuindo e espessando a parte carnosa branca (endosperma sólido), que de início assemelha-se a uma geléia mas que ,quando os frutos estão completamente maduros, chega a 1 cm ou mais. 

Para a germinação do fruto é necessário pequena quantidade de água de coco: um coco seco não germina.

Fases de Amadurecimento

Na primeira fase de amadurecimento do coco, (4 a 5 meses), ocorre o desenvolvimento da amêndoa, da casca, casquilho e a água de coco que enche totalmente seu interior. Na segunda fase (de 6 a 8 meses), a casca e o casquilho se endurecem e engrossam. Na terceira fase, o endosperma (polpa) se desenvolve e amadurece. Em geral, quando o fruto tem uns 160 dias, alcança seu tamanho máximo e começa a formar a amêndoa. Quando tem 220 dias, começa a madurecer o casquilho. O endosperma sólido, está completamente formado em torno de 300 dias e em 12 meses, o casquilho, está completamente maduro, juntamente com o fruto. A casca, que se forma ao mesmo tempo que o embrião, em seu período inicial é tenra e logo se enrijece e escurece. O fruto chega a alcançar o peso médio de 3 a 4 Kg.

A Polpa

A massa albuminosa do coco, a polpa, é rica em proteína e vitaminas e pode ser consumida crua, em seu estado natural, ou processada como gordura vegetal, coco ralado e leite de coco, obtido através da prensagem da polpa ralada. Em todas as suas formas, tem vasta utilização culinária e está presente em pratos salgados e doces da cozinha de muitos países, do Oriente ao Ocidente, como Índia, Indonésia e todo o Sudeste asiático; praticamente toda a África e Brasil, principalmente na culinária baiana.

A água é saborosa, hidratante e considerada um isotônico natural por ser rica em sais minerais. A presença do sódio e potássio em sua composição possibilita a recuperação destes minerais perdidos através da urina e, sobretudo, do suor. Sua composição é semelhante a do soro fisiológico, o que a torna eficiente para hidratar a pele, reduzir o colesterol, combater a desidratação, enjoos e também a retenção de líquidos no organismo.

Propriedades Nutricionais

Alimento completo, o coco é excelente substituto da carne, do queijo, do ovo e do leite, aos quais é superior. É rico em proteínas, gorduras, calorias, sais, hidratos de carbono e vitaminas A, B1, B2, B5 e C.

Propriedades Medicinais

A água de coco tem várias aplicações na terapêutica caseira. A água e o leite de coco são apropriados nos casos de rugas da pele. Prestam-se também como calmantes, diuréticos, anti-térmico, estimulante do apetite, depurativos do sangue, etc.

O coco verde possui as mesmas propriedades do leite materno, segundo experiências realizadas nos Estados Unidos. No Havaí, as mães costumam alimentar os bebês com leite de coco. Uma colherada de coco pela manhã, é excelente remédio contra vermes intestinais. E a polpa age como adstringente nas hemorroidas.

Árvore da Vida

Considerado mundialmente como a "árvore da vida" por seus múltiplos usos e finalidades, o coqueiro é uma rica fonte de alimento e de energia utilizado na habitação, na movelaria, nas indústrias de cosméticos, de margarinas, de sabões e de fibras, e no artesanato. No coqueiro, praticamente tudo é utilizado: raiz, estipe, inflorescência, folhas, palmito e principalmente o fruto que, mediante uma transformação geralmente simples, gera diversos subprodutos ou derivados

Variedade de Usos

O casquilho é utilizado para a produção de carvão, carvão para gasogênio, carvão desodorizante e carvão ativado. O coque metalúrgico, pelo seu alto valor calorífico e baixo teor de cinzas, viabiliza seu uso na ourivesaria, metalurgia e indústria artesanal, em substituição ao carvão mineral.

No processamento industrial, seja para extração de óleo de coco, ou seja para a produção de leite de coco, obtém-se um resíduo de grande importância na alimentação animal - a torta de coco - que pode ser ministrado ao rebanho como fonte de proteínas e energia. Outro subproduto, geralmente desperdiçado pela indústria, é a água do coco seco, que poderia ser utilizada para fornecer açúcares e sais minerais, principalmente potássio. Segundo R. Child, cada litro de água de coco maduro contém, aproximadamente, 20g de extrato seco de sais minerais

Da casca do coco são extraídas fibras de diferentes comprimentos que servem na fabricação de uma diversidade riquíssima de artigos como vestuário, tapetes, sacaria, almofadas, colchões, acolchoados para a indústria automobilística, escovas, pincéis, capachos, passadeiras, tapetes, cordas marítimas, cortiça isolante, cama de animais. Os resíduos de matéria vegetal resultante da extração das fibras das cascas possuem, geralmente, uma grande umidade que, após uma secagem natural e queima podem retornar ao coqueiral em forma de cinzas que contêm, segundo Y. Frémond (1969), 30% em K2O (óxido de potássio). Caso as cascas não sejam queimadas, pode o produtor incorporá-las ao solo como adubo orgânico fornecendo nesse caso, 3,5% em K2O.

Um dos produtos derivados do coco de grande comercialização no mundo inteiro é a copra ou amêndoa do coco, pela facilidade e economia de transporte para países interessados nessa matéria prima. É obtida partindo-se o coco maduro em 3 partes, que são postas a secar. A seguir, retira-se, em fragmentos, a polpa branca, continuando a secagem. Do produto assim obtido, a copra, de odor desagradável, usada, principalmente, para a extração do óleo de coco, empregado como alimento há milhares de anos

Também é empregado como combustível, matéria-prima na fabricação de borracha sintética, margarina, cosméticos, fluidos para freios hidráulicos de aviões, resinas sintéticas, inseticidas e germicidas, agente plastificador de vidros de segurança, adesivo no processamento de lubrificantes, na fabricação de glicerina e, principalmente, nas indústrias de sabões e detergentes que preferem o óleo de copra (polpa seca do coco) pelas suas características próprias como espumante, bactericida, germicida, e, principalmente, por ser biodegradável, portanto, não poluidor do meio ambiente, como acontece com outros tipos de detergentes e saponáceos.

A produção mundial de copra de coco está concentrada em 3 países asiáticos: Filipinas, Indonésia e Índia, que produzem 76%, levando o continente a responder por 85% da produção mundial de copra.

Nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos que ainda dispõem de outras matérias primas para obter óleos comestíveis (soja, algodão, girassol), o óleo de coco é altamente utilizado na fabricação de álcool graças ao teor de ácidos láuricos e ácidos saturados de menor peso molecular. Ele serve, especialmente, na fabricação de detergentes, como os sulfatos de álcool não poluentes, devidos às suas propriedades biodegradáveis. A indústria de plásticos utiliza-se também dos álcoois derivados do óleo de coco.

A inflorescência do coqueiro serve de fonte alternativa para a produção de açúcar, já que, a seiva da inflorescência "Toddy", em estado fresco (não fermentado), contém de 12 a 15% de sacarose, similar ao teor de caldo de cana-de-açúcar usado na preparação do açúcar. Considerando-se, segundo estudos de Frémond, que a colheita gera por planta, aproximadamente, 227 litros de seiva, ou seja, 36 Kg de açúcar nos oito meses de colheita por ano. A quantidade possível de açúcar produzida por hectare vai depender, naturalmente, do espaçamento adotado na plantação.

A seiva que exsuda dos pedúnculos cortados é adocicada e pode ser tomada ao natural, como refresco, ou se deixa fermentar para a fabricação de uma bebida alcoólica, o arrak. Com a seiva, pode-se fazer também o vinagre de palma, além do açúcar, como foi anteriormente mencionado.

Importância econômica

O coqueiro é cultivado em aproximadamente 11,6 milhões de hectares em 86 países localizados na zona intertropical do globo terrestre, Cerca de 96% da produção mundial é proveniente de pequenos agricultores, com áreas de 0,2 a 4 hectares, sendo 70% dessa produção consumida internamente nesses países, constituindo-se na principal fonte de gorduras e proteína. A sua importância, na grande maioria dos países, se deve ao seu papel na produção de óleo, como geradora de divisas e como cultura de subsistência para os pequenos agricultores, fornecendo alimentos, bebidas, combustíveis, ração para animais e abrigo. O coqueiro tem um papel muito importante na sustentabilidade de ecossistemas frágeis.

Os maiores produtores mundiais de coco são as Filipinas, Indonésia, Índia, Sri Lanka e Tailândia. México, Brasil e Venezuela lideram a produção latino-americana. Quase todos os países da América Central cultivam o fruto.

No Brasil

A introdução do coqueiro no Brasil e sua adaptação aos solos arenosos da costa brasileira, permitiram o surgimento de uma classe produtora, ocupando um ecossistema com poucas possibilidades de outras explorações comerciais, cuja cadeia produtiva é muito diversificada e de grande significado social. A cultura do coqueiro está disseminada numa área de 247 mil hectares com uma produção aproximada de 1,1 bilhões de frutos, concentrada no Nordeste do Brasil.

Antes restrita à região Nordeste brasileira, a cultura do coqueiro, nos últimos anos vem se expandindo muito nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e até mesmo Sul, principalmente, do coqueiro anão. Esta expansão se dá não só no litoral, mas também no interior dos Estados; este fato deve-se principalmente ao grande aumento da procura e do consumo da água de coco verde, ou seja, "in natura", comercializada em maior parte na região litorânea e nos grandes centros.

Curiosidade

Em algumas partes do mundo, macacos treinados são usados na colheita do coco. Escolas de treinamentos para macacos ainda existem no sul da Tailândia. Todos os anos são realizadas competições para identificar o mais rápido colhedor.
 
Aqueles fiozinhos que revestem o fruto prometem tratar dores e inflamações em geral. Pesquisadores brasileiros investigam as propriedades terapêuticas dessa fruta.

Há algum tempo, fibra de coco só servia pra fabricar corda, vaso e tapete. Mas isso virou passado. Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Vital Brazil, em Niterói (RJ), começaram a estudar o poder terapêutico do material. Em avaliações iniciais, eles descobriram que o produto, graças à sua ação anti-inflamatória, aplacou dores em cobaias.

E isso abriu as portas para testar a casca do coco como um fitoterápico. “O composto tem potencial, mas é preciso fazer pesquisas em seres humanos a fim de comprovar os resultados”, comenta a nutricionista Vanderli Marchiori, presidente da Associação Paulista de Fitoterapia. Agora os extratos da fibra estão em fase de padronização e a ideia é que já, já comecem os experimentos em gente como a gente.

Do coco tudo se aproveita

1. Fibra da casca

Análises recentes começam a destrinchar seu papel anti-inflamatório. Promessa de fitoterápico para os próximos anos.

2. Polpa

Tem muitas fibras e uma gordura um tanto saudável. Pode incrementar diversas receitas.

3. Óleo

Ele não faz milagres e não parece ser um grande emagrecedor. Mas pode compor alguns pratos doces.

4. Água

Hidrata e repõe uma série de sais minerais, como o potássio. É uma boa após a prática de atividade física.

FONTE

http://saude.abril.com.br/alimentacao/anti-inflamatorio-na-casca-do-coco/

terça-feira, 1 de março de 2016

Sinais de intolerância ao glúten que todos ignoram!


Saiba que a grande maioria das pessoas que têm uma intolerância ao glúten, são pessoas a quem ainda não lhe foi diagnosticada, será que você é um deles? Nem sempre o diagnóstico é de reconhecendo fácil, visto que a sensibilidade ao glúten tem sintomas que podem se sobrepor a outros problemas de saúde tornando-se difícil distinguir.

É importante você saber que muitos destes sintomas podem se manifestar logo após as suas refeições e podem desaparecer rapidamente. Em outros casos, os sintomas podem ficar por algumas semanas ou tornaram-se crônicos.

Confira aqui uma lista de 7 sintomas que pode ajudar a diagnosticar uma sensibilidade ao glúten: 
  1. Tonturas ou Vertigens: Se sentir falta de equilíbrio pode ser um sinal de intolerância ao glúten. 
  2. Doenças auto-imunes: Certamente não em todos os casos, mas alguns casos com problemas de tiroidite de Hashimoto, artrite reumatóide, colite ulcerativa, lúpus, escleroderma, esclerose múltipla, psoríase, são doenças onde a taxa intolerância ao glúten é bem alta.
  3. Fadiga Crônica: Se sentir uma fadiga quase constante, confusão mental, e sensação de cansaço, especialmente após as refeições consulte um médico, poderá ser apenas uma intolerância ao glúten. 
  4. Queratose pilar: também conhecido como “pele de galinha” que se manifesta normalmente nas costas dos braços e coxa é o resultado de deficiência de ácidos graxos causados ​​pelo glúten.
  5. Fibromialgia: Algumas pessoas diagnosticadas com fibromialgia e fadigas crônicas realmente têm intolerância ao glúten, mas não percebem isso. Se você foi diagnosticado, considere o glúten como a causa potencial.
  6. Dores de cabeça persistentes: Enxaquecas e dores de cabeça persistentes é outro sinal potencial da sua intolerância ao glúten. Eles também podem ser sinais de desidratação e outras desordens.
  7. Problemas digestivos crônicos: gases, diarreia, inchaço e que persiste aparentemente sem causa é um dos sinais mais evidentes. A obstipação é um sinal comum de intolerância ao glúten em crianças. 
fonte:

http://dicass.org/?p=13300

sábado, 23 de janeiro de 2016

Deficiência de vitamina B12: Uma epidemia silenciosa, com graves consequências


O que todas estas doenças têm em comum? A doença de Alzheimer, demência, declínio cognitivo e perda de memória (coletivamente referidos como “envelhecimento”). A esclerose múltipla (EM) e outras desordens neurológicas. Doença mental (depressão, ansiedade, transtorno bipolar, psicose). Doença cardiovascular. Transtornos do aprendizado ou do desenvolvimento em crianças. Desordem do espectro autista. Doença auto-imune e desregulação imune. Câncer. Infertilidade masculina e feminina. Resposta: elas podem imitar todos os sinais e sintomas de uma deficiência de vitamina B12.

A deficiência de vitamina B12 não é uma doença estranha, misteriosa. Pode-se ler sobre ela em cada livro de medicina e as suas causas e efeitos são bem estabelecidos na literatura científica. No entanto, a deficiência de B12 é muito mais comum do que a maioria dos profissionais de saúde e o público em geral percebem. Dados do Tufts University Framingham Offspring Study sugerem que 40 por cento das pessoas com idades entre 26 e 83 anos possuem níveis plasmáticos de vitamina B12 na faixa normal baixa – uma faixa em que muitas pessoas experimentam sintomas neurológicos. Nove por cento tinham uma deficiência clara, e 16 por cento estava “perto da deficiência“.

O MAIS SURPREENDENTE PARA OS PESQUISADORES FOI O FATO DE QUE OS BAIXOS NÍVEIS DE VITAMINA B12 ERAM TÃO COMUNS EM PESSOAS MAIS JOVENS COMO ERAM NOS IDOSOS.

Dito isto, estimou-se que a deficiência de B12 afete cerca de 40% das pessoas com mais de 60 anos de idade. É inteiramente possível que pelo menos alguns dos sintomas que atribuem ao envelhecimento “normal” – tais como perda de memória, declínio cognitivo, diminuição da mobilidade, etc. – sejam, pelo menos, em parte causados pela deficiência de B12.

Porque a deficiência de vitamina B12 é tão sub-diagnosticada?

A deficiência de vitamina B12 é muitas vezes perdida por duas razões. Em primeiro lugar, não é rotineiramente testada pela maioria dos médicos. Em segundo lugar, a extremidade inferior da faixa de referência de laboratório é demasiadamente baixa. É por isso que a maioria dos estudos subestimam os verdadeiros níveis de deficiência. Muitas pessoas com deficiência de vitamina B12 têm os chamados níveis “normais” de B12.

No entanto, é bem estabelecido na literatura científica que as pessoas com níveis de B12 entre 200 pg / ml e 350 pg / mL – níveis considerados “normais” – têm claros sintomas de deficiência de B12. Alguns especialistas em diagnóstico e tratamento da deficiência de B12, sugerem o tratamento de todos os pacientes que sejam sintomáticos e apresentem níveis de vitamina B12 inferior a 450 pg / mL. Eles também recomendam o tratamento de pacientes com B12 normal, mas com nível elevado de ácido metilmalonico urinário (MMA), homocisteína e / ou holotranscobalamina (outros marcadores de deficiência de B12).

No Japão e na Europa, o limite inferior para B12 é entre 500-550 pg / mL, o nível associado com manifestações psicológicas e comportamentais, tais como declínio cognitivo, demência e perda de memória. Alguns especialistas têm especulado que, no Japão, a aceitação de níveis normais mais elevados e a disposição de tratar os níveis que são considerados “normais” nos EUA, explicam as baixas taxas de doença de Alzheimer e demência naquele país.

O que é a vitamina B12 e por que você precisa dela?

A vitamina B12 trabalha em conjunto com o folato na síntese de DNA e das células vermelhas do sangue. Também está envolvida na produção da bainha de mielina em torno dos nervos, e na condução de impulsos nervosos. Você pode pensar no cérebro e no sistema nervoso como um grande emaranhado de fios. A mielina é o isolamento que protege os fios e os ajuda a conduzir as mensagens.

A deficiência grave de B12 em condições como anemia perniciosa (uma condição auto-imune em que o corpo destrói o fator intrínseco, uma proteína necessária para a absorção de B12) costumava ser fatal até que os cientistas descobriram que a morte poderia ser evitada pela alimentação de pacientes com fígado cru (que contém quantidades elevadas de vitamina B12). Mas anemia é a fase final da deficiência de B12. Muito antes da anemia surgir, a deficiência de vitamina B12 provoca vários outros problemas, incluindo fadiga, letargia, fraqueza, perda de memória e problemas neurológicos e psiquiátricos.

A deficiência de vitamina B12 ocorre em quatro fases, começando com a diminuição dos níveis sanguíneos de vitamina (fase I), progredindo para baixas concentrações celulares da vitamina (fase II), um aumento do nível de homocisteína no sangue e uma diminuição da taxa de síntese de DNA (fase III) e, finalmente, a anemia macrocítica (fase IV).
Porque a deficiência de vitamina B12 é tão comum?

A absorção de vitamina B12 é complexa e envolve várias etapas – cada uma das quais pode dar errado. Causas de má absorção de B12 incluem:

disbiose intestinal
intestino permeável e / ou inflamação do intestino
gastrites atróficas ou hipocloridria (baixa acidez estomacal)
anemia perniciosa (condição auto-imune)
medicamentos (especialmente IBP [inibidores da bomba de prótons]e outras drogas de supressão de ácido)
álcool
exposição a óxido nitroso (durante uma cirurgia ou a utilização recreativa)

Isso explica por que a deficiência de B12 pode ocorrer mesmo em pessoas que comem grandes quantidades de B12 contendo produtos de origem animal. Na verdade, muitos dos meus pacientes que são deficientes em vitamina B12 estão seguindo uma dieta low-carb / paleo onde comem carne com frequência.

Em geral, os seguintes grupos estão em maior risco para a deficiência de vitamina B12:

vegetarianos e veganos
pessoas com 60 anos ou mais
pessoas que usam regularmente IBP ou drogas supressoras de ácido
pessoas em uso de medicamentos para diabetes, como a metformina
pessoas com doença de Crohn, colite ulcerativa, doença celíaca ou SII
mulheres com história de infertilidade e aborto

Nota para os vegetarianos e veganos: a vitamina B12 é encontrada somente em produtos de origem animal.

A vitamina B12 é a única vitamina que contém um elemento-traço, o cobalto, razão pela qual ela é chamada de cobalamina. A cobalamina é produzida no intestino de animais. É a única vitamina que não podemos obter a partir de plantas ou luz solar. As plantas não precisam de B12 e, portanto não possuem estoque dela.

Um mito comum entre os vegetarianos e veganos é que é possível obter vitamina B12 a partir de fontes vegetais, como algas, soja fermentada, spirulina e levedura de cerveja. Mas, na realidade, os alimentos vegetais, que se diz conterem B12, contêm na verdade substâncias análogas à B12, chamados cobamidas, que bloqueiam a ingestão e aumentam a necessidade da verdadeira vitamina B12.

ISTO EXPLICA POR QUE OS ESTUDOS DEMONSTRARAM CONSISTENTEMENTE QUE ATÉ 50% DE VEGETARIANOS DE LONGO PRAZO E 80% DOS VEGANOS SÃO DEFICIENTES EM VITAMINA B12.

Os efeitos da deficiência de B12 em crianças são especialmente alarmantes. Estudos têm demonstrado que as crianças iniciadas em um dieta vegana até os 6 anos de idade ainda são deficientes em vitamina B12 até mesmo anos depois que comecem a comer, pelo menos, alguns produtos de origem animal.

Em um estudo, os pesquisadores descobriram:

Uma associação significativa entre o status da cobalamina [b12] e o desempenho em testes que medem a inteligência fluida, habilidade espacial e memória de curto prazo (com as crianças anteriormente veganas marcando mais baixo do que as crianças onívoras em cada caso).

O déficit na inteligência fluida é particularmente preocupante, segundo os pesquisadores, porque:

Ele envolve o raciocínio, a capacidade para resolver problemas complexos, capacidade de pensamento abstrato e a capacidade de aprender. Qualquer defeito nesta área pode ter consequências de longo alcance para o funcionamento individual.

Eu reconheço que existem muitas razões pelas quais as pessoas optam por comer da maneira que elas fazem, e eu respeito o direito das pessoas de fazerem suas próprias escolhas. Sei também que, como todos os pais, vegetarianos e veganos querem o melhor para seus filhos. É por isso que é absolutamente crucial para aqueles que abstêm-se de produtos de origem animal compreenderem que não existem fontes vegetais de vitamina B12 e que todos os veganos e vegetarianos devem suplementar a vitamina B12. Isto é especialmente importante para as crianças vegetarianas ou veganas ou mulheres grávidas, cuja necessidade de B12 é ainda maior do que os adultos.

O tratamento da deficiência de vitamina B12



Uma das coisas mais tristes sobre a epidemia de deficiência de vitamina B12 é que o diagnóstico e o tratamento são relativamente fáceis e baratos – especialmente quando comparado com o tratamento das doenças que a deficiência de vitamina B12 pode causar. Um teste de B12 pode ser realizado por qualquer laboratório, e deve ser coberto pelo seguro. Mesmo para quem não tenha um plano de assistência, o custo deste exame é muito barato.

Como sempre, o tratamento adequado depende do mecanismo subjacente que está causando o problema. Pessoas com anemia perniciosa ou doença intestinal inflamatória como a doença de Crohn são suscetíveis de terem prejudicado a absorção por suas vidas inteiras, e isso, provavelmente, vai exigir injeções de vitamina B12 por tempo indeterminado. Isso também pode ser verdadeiro para aqueles com deficiência de vitamina B12 grave causando sintomas neurológicos.

Alguns estudos recentes têm sugerido que a dose elevada de administração oral ou nasal pode ser tão eficaz quanto as injeções para as pessoas com problemas de má absorção de vitamina B12. No entanto, a maioria dos especialistas ainda recomenda injeções de vitamina B12 para as pessoas com anemia perniciosa e deficiência de B12 avançada envolvendo os sintomas neurológicos.

A cianocobalamina é uma das formas de suplementação de B12 mais frequentemente utilizadas. Mas, provas recentes sugerem que a hidroxicobalamina (frequentemente utilizada na Europa) é superior à cianocobalamina, metilcobalamina e pode ser superior a ambas – especialmente para a doença neurológica.

Estudos japoneses indicam que a metilcobalamina é ainda mais eficaz no tratamento de sequelas neurológicas a deficiência de vitamina B12, e que pode ser melhor absorvido porque evita problemas potenciais em vários ciclos de absorção da vitamina B12. Em cima disso, a metilcobalamina fornece o corpo com grupos metil que desempenham um papel em vários processos biológicos importantes para a saúde global.

SE SUSPEITAR QUE VOCÊ TEM DEFICIÊNCIA DE B12, O PRIMEIRO PASSO É FAZER O TESTE.

Você precisa de uma linha de base precisa para trabalhar. Se você é deficiente B12, o próximo passo é identificar o mecanismo que causa a deficiência. Isso é algo que você provavelmente vai precisar de ajuda com de um médico. Uma vez que o mecanismo é identificado, a forma adequada (injeção, oral, sublingual ou nasal) de suplementação, a dose e a duração do tratamento poderá ser selecionada.

FONTE

http://www.oarquivo.com.br/variedades/qualidade-de-vida/4488-defici%C3%AAncia-de-vitamina-b12-uma-epidemia-silenciosa,-com-graves-consequ%C3%AAncias.html