sábado, 16 de abril de 2016

Coco



Coco é o nome do fruto da palmeira. Existem muitos tipos de palmeiras e, portanto, diversos tipos de cocos, entre eles, os mais conhecidos, a carnaúba, o babaçu, o dendê, a tâmara e o coco-da-baía, o fruto do coqueiro.

Origem controversa

O coqueiro (Cocos nucifera L.), é um membro da Família Arecaceae (família das palmeiras). É a única espécie classificada no gênero Cocos e a palmeira de maior importância econômica. Sua origem é controversa. Enquanto uns afirmam que é originário da Costa Ocidental da América Central e dali disseminou-se pelo Sudeste asiático, outros afirmam que é nativa da Indonésia, da Nova Zelândia ou da Índia. Existe uma teoria de que o coqueiro espalhou-se pelo mundo através das correntes marítimas que levaram os frutos mar afora e estes chegaram às praias, inclusive por aqui, na região litorânea entre a Bahia e o Rio Grande do Norte, onde, até hoje, existem em profusão.

Mas, o mais certo, é que, no Brasil, tenha sido introduzido em 1553, procedente da Ilha de Cabo Verde que, por sua vez, recebeu-os originários da Índia. Da região do Recôncavo Baiano, espalhou-se por toda a costa brasileira, levado, provavelmente, por dispersão natural, através das correntes marítimas.

Na "terra brasilis", o coqueiro não revelou, imediatamente, ao indígena que habitava aquela área, todas as suas potencialidades alimentares. Segundo Câmara Cascudo, pouco mais de 50 anos após sua introdução no País, frei Vicente do Salvador já observava que, por aqui, cultivavam-se em quantidade as grandes palmeiras que dão o coco, mas acrescentava também, que o habitante da terra apenas aproveitava a água e a fina polpa, nutritivas e refrescantes de seu fruto verde, desconhecendo o uso do fruto seco.

Ainda segundo o autor, foi apenas com a chegada dos escravos africanos, especialmente aqueles originários de Moçambique - onde a extração e o aproveitamento do leite de coco já eram práticas comuns, herdadas da longínqua Índia - que iniciou-se a perfeita alquimia que culminou com a criação dos deliciosos e únicos pratos da original culinária afro-brasileira.

O termo "coco" foi criado pelos portugueses no território asiático de Malabar, na viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1498), a partir da associação da aparência do fruto, visto da extremidade, em que o endocarpo e os poros de germinação assemelham-se à face de um "coco" (monstro imaginário com que se assusta as crianças; papão; ogro). Do português, o termo passou ao espanhol, francês e inglês "coco", ao italiano "cocco", ao alemão "Kokos" e aos compostos inglês "coconut" e alemão "Kokosnuss".

Planta Tropical

Sendo por excelência uma planta de clima tropical, encontrou ao longo da costa litorânea da região Nordeste um "habitat" adequado para o seu pleno desenvolvimento. Mas pode também ser cultivado em outras regiões distantes do mar. Gosta de clima quente e úmido. Para o bom desenvolvimento da planta não pode ocorrer falta de água, necessitando cerca de 2000 mm de chuvas bem distribuídas durante o ano. A temperatura média anual não deve ser inferior a 22 graus C, fator muito importante para a floração do coqueiro. Além disso, a planta não tolera ventos fortes e frios e necessita boa insolação. Quanto ao solo, deve ser leve, profundo, permeável e arejado. O pH ideal situa-se na faixa de 6,0 a 6,5. A propagação do coqueiro se dá por meio de sementes que devem ser obtidas de plantas produtivas, de estipe reto e vigoroso; boa distribuição de copa e grande número de folhas e, é claro, livre de pragas e doenças. Os frutos escolhidos devem apresentar tamanho médio, formato arredondado e estarem perfeitamente maduros (11 a 12 meses de idade).

Características do Coqueiro

Planta arbórea perene, o coqueiro tem grande longevidade, podendo viver além dos 150 anos. Palmeira de raiz fasciculada (vai a 1,8m para lados e até 0,6m para baixo), tem um caule indiviso (único) liso, chamado de estipe ou espique, que pode atingir até 30 m de altura e 30 a 50 cm de diâmetro (coqueiro gigante). Há, porém, variedades anãs que não ultrapassam 2 ou 3 metros. As folhas, em tufo de 30/35 unidades, localizam-se na extremidade superior da árvore. São bem verdes, pinadas e arqueadas, largas e compridas - de 3 a 6 metros de comprimento, podendo chegar a ter quase 1 metro de largura (duram de 1 a 2 anos). O coqueiro é uma planta monóica (órgãos masculinos e femininos na mesma planta), produzindo flores unissexuadas em uma inflorescência ramificada em forma de cacho com pequenas e numerosas flores femininas globosas (normalmente, de 12 a 15 inflorescência por ano em intervalos de 24 a 30 dias). Seu fruto é o coco, popularmente conhecido como coco-da-baía.

As variedades de coqueiro

Gigante - também chamado de típico, é predominante, tem grande altura, polinização cruzada, fruto verde, cocos destinados à industrialização. Dos 6 aos 9 anos de idade o coqueiro inicia a produção de frutos, que se estabiliza quando chega aos 12 anos, alcançando uma média de 70 cocos por pé ao ano. Esta é a variedade mais comum em todo o Nordeste brasileiro, região responsável por cerca de 85% da produção nacional e mais de 90% da área plantada, ocupando principalmente os Estados de Alagoas, Sergipe e Bahia.

Anão - representado por tipos com frutos verdes, vermelhos e amarelos, tem auto fecundação e frutos destinados ao consumo da água-de-coco. Não alcança mais do que 10 metros de altura, o que facilita bastante a coleta dos frutos. É mais precoce do que a variedade gigante, iniciando sua frutificação no segundo ano após o plantio, também apresentando maior produtividade, cerca de 200 frutos por pé ao ano. Em compensação, vive apenas 20 anos, ou seja, bem menos tempo do que o centenário coqueiro comum. No Brasil, a variedade anã foi introduzida pelos doutores: Artur Neiva e Miguel Calmon em 1925, quando retornavam de uma viagem ao Oriente estimulados pela precocidade na produção e facilidade de colheita dos frutos.

Híbrido - proveniente do cruzamento natural ou artificial gigante x anão.

O Coco

Botanicamente falando, um coco é um fruto seco simples classificado como drupa fibrosa (não uma noz). A casca tem uma superfície relativamente fina e lisa (exocarpo ou epicarpo - 1) por baixo da qual vem uma espessa capa fibrosa com aproximadamente 5 cm de espessura dependendo da variedade (mesocarpo - 2) ), que envolve um "caroço" interno muito duro (endocarpo lenhoso - 3), popularmente chamado de casquilho ou quenga.

Antes de amadurecer, os frutos estão quase que completamente cheios de líquido esbranquiçado (albume) - a água de coco. A medida que o coco amadurece, a água vai diminuindo e espessando a parte carnosa branca (endosperma sólido), que de início assemelha-se a uma geléia mas que ,quando os frutos estão completamente maduros, chega a 1 cm ou mais. 

Para a germinação do fruto é necessário pequena quantidade de água de coco: um coco seco não germina.

Fases de Amadurecimento

Na primeira fase de amadurecimento do coco, (4 a 5 meses), ocorre o desenvolvimento da amêndoa, da casca, casquilho e a água de coco que enche totalmente seu interior. Na segunda fase (de 6 a 8 meses), a casca e o casquilho se endurecem e engrossam. Na terceira fase, o endosperma (polpa) se desenvolve e amadurece. Em geral, quando o fruto tem uns 160 dias, alcança seu tamanho máximo e começa a formar a amêndoa. Quando tem 220 dias, começa a madurecer o casquilho. O endosperma sólido, está completamente formado em torno de 300 dias e em 12 meses, o casquilho, está completamente maduro, juntamente com o fruto. A casca, que se forma ao mesmo tempo que o embrião, em seu período inicial é tenra e logo se enrijece e escurece. O fruto chega a alcançar o peso médio de 3 a 4 Kg.

A Polpa

A massa albuminosa do coco, a polpa, é rica em proteína e vitaminas e pode ser consumida crua, em seu estado natural, ou processada como gordura vegetal, coco ralado e leite de coco, obtido através da prensagem da polpa ralada. Em todas as suas formas, tem vasta utilização culinária e está presente em pratos salgados e doces da cozinha de muitos países, do Oriente ao Ocidente, como Índia, Indonésia e todo o Sudeste asiático; praticamente toda a África e Brasil, principalmente na culinária baiana.

A água é saborosa, hidratante e considerada um isotônico natural por ser rica em sais minerais. A presença do sódio e potássio em sua composição possibilita a recuperação destes minerais perdidos através da urina e, sobretudo, do suor. Sua composição é semelhante a do soro fisiológico, o que a torna eficiente para hidratar a pele, reduzir o colesterol, combater a desidratação, enjoos e também a retenção de líquidos no organismo.

Propriedades Nutricionais

Alimento completo, o coco é excelente substituto da carne, do queijo, do ovo e do leite, aos quais é superior. É rico em proteínas, gorduras, calorias, sais, hidratos de carbono e vitaminas A, B1, B2, B5 e C.

Propriedades Medicinais

A água de coco tem várias aplicações na terapêutica caseira. A água e o leite de coco são apropriados nos casos de rugas da pele. Prestam-se também como calmantes, diuréticos, anti-térmico, estimulante do apetite, depurativos do sangue, etc.

O coco verde possui as mesmas propriedades do leite materno, segundo experiências realizadas nos Estados Unidos. No Havaí, as mães costumam alimentar os bebês com leite de coco. Uma colherada de coco pela manhã, é excelente remédio contra vermes intestinais. E a polpa age como adstringente nas hemorroidas.

Árvore da Vida

Considerado mundialmente como a "árvore da vida" por seus múltiplos usos e finalidades, o coqueiro é uma rica fonte de alimento e de energia utilizado na habitação, na movelaria, nas indústrias de cosméticos, de margarinas, de sabões e de fibras, e no artesanato. No coqueiro, praticamente tudo é utilizado: raiz, estipe, inflorescência, folhas, palmito e principalmente o fruto que, mediante uma transformação geralmente simples, gera diversos subprodutos ou derivados

Variedade de Usos

O casquilho é utilizado para a produção de carvão, carvão para gasogênio, carvão desodorizante e carvão ativado. O coque metalúrgico, pelo seu alto valor calorífico e baixo teor de cinzas, viabiliza seu uso na ourivesaria, metalurgia e indústria artesanal, em substituição ao carvão mineral.

No processamento industrial, seja para extração de óleo de coco, ou seja para a produção de leite de coco, obtém-se um resíduo de grande importância na alimentação animal - a torta de coco - que pode ser ministrado ao rebanho como fonte de proteínas e energia. Outro subproduto, geralmente desperdiçado pela indústria, é a água do coco seco, que poderia ser utilizada para fornecer açúcares e sais minerais, principalmente potássio. Segundo R. Child, cada litro de água de coco maduro contém, aproximadamente, 20g de extrato seco de sais minerais

Da casca do coco são extraídas fibras de diferentes comprimentos que servem na fabricação de uma diversidade riquíssima de artigos como vestuário, tapetes, sacaria, almofadas, colchões, acolchoados para a indústria automobilística, escovas, pincéis, capachos, passadeiras, tapetes, cordas marítimas, cortiça isolante, cama de animais. Os resíduos de matéria vegetal resultante da extração das fibras das cascas possuem, geralmente, uma grande umidade que, após uma secagem natural e queima podem retornar ao coqueiral em forma de cinzas que contêm, segundo Y. Frémond (1969), 30% em K2O (óxido de potássio). Caso as cascas não sejam queimadas, pode o produtor incorporá-las ao solo como adubo orgânico fornecendo nesse caso, 3,5% em K2O.

Um dos produtos derivados do coco de grande comercialização no mundo inteiro é a copra ou amêndoa do coco, pela facilidade e economia de transporte para países interessados nessa matéria prima. É obtida partindo-se o coco maduro em 3 partes, que são postas a secar. A seguir, retira-se, em fragmentos, a polpa branca, continuando a secagem. Do produto assim obtido, a copra, de odor desagradável, usada, principalmente, para a extração do óleo de coco, empregado como alimento há milhares de anos

Também é empregado como combustível, matéria-prima na fabricação de borracha sintética, margarina, cosméticos, fluidos para freios hidráulicos de aviões, resinas sintéticas, inseticidas e germicidas, agente plastificador de vidros de segurança, adesivo no processamento de lubrificantes, na fabricação de glicerina e, principalmente, nas indústrias de sabões e detergentes que preferem o óleo de copra (polpa seca do coco) pelas suas características próprias como espumante, bactericida, germicida, e, principalmente, por ser biodegradável, portanto, não poluidor do meio ambiente, como acontece com outros tipos de detergentes e saponáceos.

A produção mundial de copra de coco está concentrada em 3 países asiáticos: Filipinas, Indonésia e Índia, que produzem 76%, levando o continente a responder por 85% da produção mundial de copra.

Nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos que ainda dispõem de outras matérias primas para obter óleos comestíveis (soja, algodão, girassol), o óleo de coco é altamente utilizado na fabricação de álcool graças ao teor de ácidos láuricos e ácidos saturados de menor peso molecular. Ele serve, especialmente, na fabricação de detergentes, como os sulfatos de álcool não poluentes, devidos às suas propriedades biodegradáveis. A indústria de plásticos utiliza-se também dos álcoois derivados do óleo de coco.

A inflorescência do coqueiro serve de fonte alternativa para a produção de açúcar, já que, a seiva da inflorescência "Toddy", em estado fresco (não fermentado), contém de 12 a 15% de sacarose, similar ao teor de caldo de cana-de-açúcar usado na preparação do açúcar. Considerando-se, segundo estudos de Frémond, que a colheita gera por planta, aproximadamente, 227 litros de seiva, ou seja, 36 Kg de açúcar nos oito meses de colheita por ano. A quantidade possível de açúcar produzida por hectare vai depender, naturalmente, do espaçamento adotado na plantação.

A seiva que exsuda dos pedúnculos cortados é adocicada e pode ser tomada ao natural, como refresco, ou se deixa fermentar para a fabricação de uma bebida alcoólica, o arrak. Com a seiva, pode-se fazer também o vinagre de palma, além do açúcar, como foi anteriormente mencionado.

Importância econômica

O coqueiro é cultivado em aproximadamente 11,6 milhões de hectares em 86 países localizados na zona intertropical do globo terrestre, Cerca de 96% da produção mundial é proveniente de pequenos agricultores, com áreas de 0,2 a 4 hectares, sendo 70% dessa produção consumida internamente nesses países, constituindo-se na principal fonte de gorduras e proteína. A sua importância, na grande maioria dos países, se deve ao seu papel na produção de óleo, como geradora de divisas e como cultura de subsistência para os pequenos agricultores, fornecendo alimentos, bebidas, combustíveis, ração para animais e abrigo. O coqueiro tem um papel muito importante na sustentabilidade de ecossistemas frágeis.

Os maiores produtores mundiais de coco são as Filipinas, Indonésia, Índia, Sri Lanka e Tailândia. México, Brasil e Venezuela lideram a produção latino-americana. Quase todos os países da América Central cultivam o fruto.

No Brasil

A introdução do coqueiro no Brasil e sua adaptação aos solos arenosos da costa brasileira, permitiram o surgimento de uma classe produtora, ocupando um ecossistema com poucas possibilidades de outras explorações comerciais, cuja cadeia produtiva é muito diversificada e de grande significado social. A cultura do coqueiro está disseminada numa área de 247 mil hectares com uma produção aproximada de 1,1 bilhões de frutos, concentrada no Nordeste do Brasil.

Antes restrita à região Nordeste brasileira, a cultura do coqueiro, nos últimos anos vem se expandindo muito nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e até mesmo Sul, principalmente, do coqueiro anão. Esta expansão se dá não só no litoral, mas também no interior dos Estados; este fato deve-se principalmente ao grande aumento da procura e do consumo da água de coco verde, ou seja, "in natura", comercializada em maior parte na região litorânea e nos grandes centros.

Curiosidade

Em algumas partes do mundo, macacos treinados são usados na colheita do coco. Escolas de treinamentos para macacos ainda existem no sul da Tailândia. Todos os anos são realizadas competições para identificar o mais rápido colhedor.
 
Aqueles fiozinhos que revestem o fruto prometem tratar dores e inflamações em geral. Pesquisadores brasileiros investigam as propriedades terapêuticas dessa fruta.

Há algum tempo, fibra de coco só servia pra fabricar corda, vaso e tapete. Mas isso virou passado. Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Vital Brazil, em Niterói (RJ), começaram a estudar o poder terapêutico do material. Em avaliações iniciais, eles descobriram que o produto, graças à sua ação anti-inflamatória, aplacou dores em cobaias.

E isso abriu as portas para testar a casca do coco como um fitoterápico. “O composto tem potencial, mas é preciso fazer pesquisas em seres humanos a fim de comprovar os resultados”, comenta a nutricionista Vanderli Marchiori, presidente da Associação Paulista de Fitoterapia. Agora os extratos da fibra estão em fase de padronização e a ideia é que já, já comecem os experimentos em gente como a gente.

Do coco tudo se aproveita

1. Fibra da casca

Análises recentes começam a destrinchar seu papel anti-inflamatório. Promessa de fitoterápico para os próximos anos.

2. Polpa

Tem muitas fibras e uma gordura um tanto saudável. Pode incrementar diversas receitas.

3. Óleo

Ele não faz milagres e não parece ser um grande emagrecedor. Mas pode compor alguns pratos doces.

4. Água

Hidrata e repõe uma série de sais minerais, como o potássio. É uma boa após a prática de atividade física.

FONTE

http://saude.abril.com.br/alimentacao/anti-inflamatorio-na-casca-do-coco/