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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Climatério e Menopausa


Enfim, confesso que tem sido difícil conseguir um acompanhamento médico adequado nesta fase da minha vida. Por vezes penso que posso estar equivocada, mas a impressão que eu tenho é que a fragmentação das especialidades médicas, ou seja, a ampliação da divisão técnica da área de trabalho dentro das Unidades Médicas alienou física e psicologicamente os médicos ou simplesmente por não dominarem as etapas da vida como um todo, passam a desconhecer que o resultado do seu trabalho não está em lidar com as doenças até que "a morte os separe", mas em avaliar, acompanhar, tratar  das pessoas doentes e principalmente, não ignorar que o êxito de seu trabalho está em prevenir as doenças.

Estranhamente, sintomas e sinais característicos do Climatério e da Menopausa são vistos como "normais". Um absurdo! Como irregularidades menstruais, alterações da pele e na distribuição da gordura corporal, ondas de calor (fogachos), manifestações urogenitais, risco aumentado de doenças cardiovasculares, secura vaginal, perca de massa óssea, alterações do sono, da libido e do humor, bem como atrofia dos órgãos genitais, podem ser considerados aceitáveis?!

Inicialmente fui a médica porque a menstruação estava irregular. Era a segunda vez, neste ano que a menstruação descia duas vezes em um mesmo mês. O exame solicitado não detectou a possível causa contudo, a médica passou um anti-inflamatório. Em casa, li a bula do remédio na internet e não vi qualquer relação com a minha sintomatologia, o meu grau de dor é zero, como diz o Dr. Lair Ribeiro. Resolvi levar o exame a outra médica que confirmou o que o médico que fez o exame havia dito sobre a obstrução na trompa ser a laqueadura tubária feita em 1992, portanto não era uma inflamação.

A médica solicitou um chek-up. Com os resultados em mãos fui a Clinica e a atendente disse que seria possível agendar o retorno para novembro. Achei melhor levar o resultado dos exames a uma terceira médica. Informei que a menstruação havia parado a três meses e que eu gostaria de orientação médica quanto a esta fase da menopausa. Tive então uma aula de que possivelmente eu estaria no climatério e que menopausa seria se eu estivesse 24 meses sem menstruar. Diferente da segunda médica que disse que seriam 12 meses. E, da primeira que disse que após 06 ou 08 meses, poderíamos considerar a menopausa.

Não acertei a resposta da maior parte das perguntas que a médica me fez. Sobre câncer em pessoas da família do sexo feminino, ela riscou a minha resposta inteira porque segundo ela confundi nódulo que é benigno e câncer que é maligno. Errei também a resposta sobre cirurgias que fiz no abdome, pois segundo a médica cirurgia da vesícula, não conta. Sobre a menstruação estar irregular desde 2015 e ter parado há 3 meses também não acertei, a médica disse que não estou "entrando na menopausa", que isso não existe; que ou estou ou não estou na menopausa. Embora até agora não tenha detectado a ENORME diferença, a médica também afirmou não ter dúvidas que a minha menopausa ocorrera apenas em 2020; que alguns episódios de calor na face que relatei não tem nada haver AINDA com climatério ou menopausa que na verdade era apenas ansiedade e que os sintomas teriam passado se eu tivesse tomado dois copos de água.

Estava séria por fora e rindo por dentro. Realmente, não sou a pessoa que se esquece de beber água. Sou aquela que diz: "Beba água!" Outro dia uma amiga disse que eu estava igual a mãe dela que diante de qualquer queixa de mal-estar indica a pessoa que ela tome água. Realmente, eu faço isso. Água é excelente, pois além de trazer equilíbrio ao organismo é muito importante a manutenção da saúde em geral. Aqui mesmo no Blog fiz várias postagens sob o tema "Beba Água".

Quanto a interpretação do resultado do exame de citologia oncóticaa médica também equivocou-se, talvez pelo fato de ela ter, simplesmente, ignorado que eu respondi NÃO a todas as suas ultimas perguntas. Por fim, a médica disse que a mamografia, ultrassom da mama e meus exames de "dosagem hormonal" estavam normais a minha idade; seja lá o que ela quis dizer com isso, vindo dela não me pareceu algo bom. Tive certeza disso, assim que a médica disse que não receitaria nenhum medicamento ou suplemento a não ser que em um novo exame as taxas apresentassem alterações.

A médica me sugeriu o uso de lactobacilos e disse que eu deveria, diariamente, tomar um Yakult. Eu disse que usava Kefir. E, mais uma vez ela se irritou contestando minha nova tentativa de interaçãoA primeira vez foi quando entrei a sala dizendo o motivo da minha visita e ela me respondeu rispidamente: "Espera um pouco, não te conheço deixe eu me apresentar (sou fulana) e vou lhe fazer algumas perguntas importantes". Constrangedor, me senti como uma atriz que erra o script. Tínhamos nos cumprimentado no corredor, desde a Sala de espera até a sala de atendimento médico. Entendi a situação após imaginar quantas vezes ela havia treinado 'as falas' de suas consultas na frente do espelho, tipo: "eu falo primeiro e o paciente escuta tudo sem me interromper. Afinal, eu sou a médica!". E, não era apenas isso. De forma não muito educada ela disse que eu poderia falar apenas quando ela tivesse terminado de falar e nunca antes disso. 

Regras claras, mas que não se aplicam ao diálogo necessário em uma consulta. Seja como for, lembrei de um fato ocorrido outro dia no trabalho quando rimos muito com a "evolução das bactérias" em relação ao tempo que se tem para resgatar um alimento antes que seja considerado que ele está contaminado por ter caído no chão. Uns aprenderam na infância que seriam dois minutos; e quando cresceram que seriam 30 segundos. Outros aprenderam a Regra dos 5 segundos. Então, pega, limpa, assopra e come ou seria melhor prevenir e descartar este alimento porque a contaminação é proporcional ao tempo que ficou caído no chão. Alguns diriam o que não mata, engorda.

Talvez cada um tenha como certa a sua própria regra. Certo é que dialogo não é monólogo. Portanto, num diálogo caso seja necessário, sempre é possível pedir para que o outro espere que se conclua a ideia sem fazer dessa situação normal em uma conversa um motivo para "pegar a bola e ir embora". Ou para advertir e repreender, desrespeitosamente, a pessoa que falou algo em meio a sua fala, como se esta tivesse cometido uma infração ou um crime gravíssimo. Assim concluo que pessoas com o ego inflado além de não ter qualquer noção do ridículo também desconhecem princípios de civilidade. 

Não que eu tenha argumentado qualquer coisa sobre o Kefir durante a explanação da médica sobre a diferença entre Yakult e Kefir, dizendo que o Yakult era um probiótico e o Kefir era pré-biótico e portanto o Kefir não faria o mesmo efeito do Yakult, mas apenas para constar, observo que o Kefir é classificado como simbiótico, ou seja, uma mistura de probióticos e pré-bióticos. Aquela primeira consulta estava fadada a ser também a ultima, então fiquei ali ouvindo a médica em silênciopara não correr nenhum risco dela se achar interrompida e dar outro piti. 

Ainda que eu tenha sido surpreendida em 30/12/2004 pela demora da identificação da causa ou doença que levou minha filha de 12 anos a óbito, no dia 06/01/2005, apenas uma semana após o diagnostico de Lúpus Eritematoso Sistêmico. E, que, em 2013, eu tenha enfrentado situação semelhante quando meu pai foi diagnosticado portador da Doença de Addison. É trágico constatar que em abril/2017 não foi apenas a falência adrenal que levou meu pai a óbito aos 69 anos. Ele também foi mais uma vítima da ausência de uma medicina preventiva.

A Danielly era minha caçula e há meses estávamos buscando assistência médica. Ela estava doente, isso era óbvio diante dos sintomas de emagrecimento, febre, cianose das extremidades (mãos, pés, lábios), hálito cetônico. Contudo, as consultas médicas sempre encerravam na prescrição de paracetamol, internação, injeções e soro. Talvez tenha sido uma virose, algo que comeu ou que quis comer, dizia o médico. Meu pai havia tratado de um câncer de próstata. Tão logo recuperou-se da cirurgia, voltou a adoecer. Algo estava errado de novo. Lembro que durante a busca do que estava causando seu súbito emagrecimento, mal estar generalizado, escurecimento da pele, meu pai me disse, por diversas vezes: "Eu estou doente e eles (médicos) procuram apenas o câncer e nada mais! E, eu não tenho mais câncer".

Infelizmente, o tempo não para. Não voltamos no tempo. A única alternativa permitida é: seguir em frente. E, o que posso reafirmar da uma semana de vida da Danielly após se saber portadora de uma doença auto-imune e ainda dos quatro anos de "sobrevida" do meu pai, pós-diagnóstico de fadiga adrenal: foram fortes, corajosos, mas estas lembranças ainda doem. Contudo, sou eternamente grata pela atenção e cuidados dos bons profissionais. Outros médicos, no entanto, deveriam ser responsabilizados por seu despreparo gritante; e, consequentemente por suas suas ações e omissões.

E, não falar nada realmente funcionou por alguns minutos. Após analisar o meu exame preventivo a médica disse que o resultado era bom e eu distraidamente disse que a médica que fez o exame me disse que haviam sinais de que a minha menstruação ocorreria nos próximos dias. Irritada e de forma irônica a médica retrucou: "as pessoas dizem cada coisa, não tem como dizer isso com base apenas no exame, porque uma coisa não tem nada haver com a outra". Ela fez algumas anotações no prontuário; e, passou "as falas" das considerações finais dizendo que em uma única consulta ela não teria o tempo necessário de revisar comigo noções básicas de biologia que talvez eu tivesse esquecido, pois eu era mãe e deveria saber que não se tratavam do mesmo assunto, 

Duvidei que aquilo estivesse realmente acontecendo. Sei lá, eu poderia acordar. Não tinha ainda certeza que permanecer ali sentada era uma boa ideia, mas optei por esperar estática pelo término daquela pseudo-consulta. E, assim permaneci. Sem esboçar qualquer expressão oral, facial, gestual, corporal, que pudesse ser interpretado pela médica como interrupção a apresentação de seu monólogo. "Quanto tempo uma pessoa pode prender a respiração!? Relaxa, Beth! Inspira e Expira. Respiração diafragmática. Não engole seco, não revire os olhos, não suspire, não gesticule e aconteça o que acontecer não fale. Você consegue!!Enfim a sessão "ego inflado" da médica encerrou e pude sair daquela sala.

Seja lá qual tenha sido a causa de tantos desencontros, talvez eu nunca saberei ao certo, mas a opção da médica por tratar de doenças em detrimento do exercício de uma medicina preventiva parecia proposital. Obviamente, que seu deslize na teoria também sinalizava sua total ausência de prática e conhecimento dos reais sintomas e sinais do climatério e da menopausa. Dias depois, tive provas irrefutáveis de que a médica que fez o meu preventivo havia acertado.

Sou responsável pela minha saúde e bem estar. Fiz várias dietas antes e depois dos 30 e dos 40 anos. Engordei, emagreci. Desisti. Recomecei. Fui adotando hábitos de uma alimentação saudável aliada a atividade física. Faço uso de linhaça desde 2004 e também acrescento a minha alimentação gergelim, chia, entre outros grãos e sementes. Dese 2008, prefiro o meu café, chá, chocolate, suco, vitamina sem açúcar ou qualquer outro adoçante. Escolho apenas um carboidrato nas principais refeições. Evito refrigerante 99,9%. Faço a dieta Low Carb, a minha moda. Gosto de pão, bolo, bolacha, sorvete e outras "gordices", porém deixei de consumi-las desde que adotei, o jejum intermitenteNão tomava leite há 4 anos, mas passei a usar por conta do Kefir. Faço também suplementação de Vitamina D com cálcio; Amora com Isoflavona; Spirulina; Magnésio, Iodo, entre outros que uso porque acredito que trazem benefícios a minha saúde.

O vídeo abaixo é perfeito. Vou fazer mais uns ajustes aqui e outros ali... que venha a menopausa! ! \0/




FONTE

http://elizabethprovidasaudavel.blogspot.com.br/search/label/Menopausa

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302002000200011

https://drachristiane.wordpress.com/category/atrofia-vaginal-sintoma-da-menopausa/

http://exame.abril.com.br/ciencia/pesquisa-comprova-regra-dos-5-segundos-para-comida-que-cai/

http://elizabethprovidasaudavel.blogspot.com.br/search?q=climat%C3%A9rio

sábado, 6 de agosto de 2011

Climatério e Menopausa


Climatério e Menopausa não são sinônimos. Climatério é uma fase de limites imprecisos na vida feminina; compreende a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo. Menopausa, ao contrário, tem data para começar: a da última menstruação da vida.

Enquanto o homem espalha centenas de milhões de espermatozoides a cada ejaculação, a mulher investe toda a energia na produção de um único óvulo por mês. Todos os óvulos que produzirá terão sua origem em células germinativas (ou folículos) dos ovários já presentes no instante do nascimento. As meninas nascem com 1 a 2 milhões dessas células germinativas.

Em cada ciclo menstrual um comando hormonal complexo recruta um grupo de folículos para produzir o óvulo daquele mês. Os que perderem a oportunidade enfrentarão a impiedosa seleção natural, e morrerão. Por causa dessa competição, quando chegar a primeira menstruação, o número de folículos estará reduzido a cerca de 400 mil.

Os folículos em luta para formar óvulos são os principais produtores dos hormônios sexuais que fazem a fama das mulheres. O folículo é a unidade funcional do ovário. Mulher nenhuma é capaz de formar novos folículos para repor os que se foram. Quando morrem os últimos deles, os ovários entram em falência e as concentrações de estrogênio e progesterona caem irreversivelmente.

De cada quatro mulheres, pelo menos três experimentam sintomas desagradáveis no climatério. As ondas de calor resultantes de sintomas vasomotores são os mais típicos; estão presentes em 60% a 75% das mulheres. Surgem inesperadamente como crises de calor sufocante no tórax, pescoço e face, muitas vezes acompanhadas de rubor no rosto (a temperatura da pele chega a subir cinco graus), sudorese (que pode ser profusa), palpitações e ansiedade. As crises geralmente duram de um a cinco minutos e podem repetir-se diversas vezes por dia.

A queda dos níveis dos hormônios sexuais altera a consistência do revestimento da vagina, da uretra e das fibras do tecido conjuntivo que conferem sustentação à mucosa dessas regiões. Podem surgir incontinência urinária, ardência à micção, facilidade para adquirir infecções urinárias e corrimentos ginecológicos. Os músculos que formam o assoalho responsável pela sustentação dos órgãos genitais e bexiga urinária enfraquecem e podem surgir prolapsos (útero e bexiga caídos). Os pelos pubianos ficam mais ralos, os grandes lábios mais finos, a mucosa vaginal perde elasticidade e flexibilidade podendo sangrar e doer à penetração. Diminuição da resposta à estimulação clitoriana, secura vaginal e redução da libido são queixas frequentes. A fisiologia do orgasmo, no entanto, não é alterada.

A falta de estrogênio resseca e torna a pele mais fina, enrugada, menos elástica e as unhas frágeis. Os pelos pubianos e axilares se tornam mais ralos. O colágeno da derma mais profunda começa a ser perdido a uma velocidade média de 2% ao ano, durante os 10 primeiros anos de menopausa.

Ricas em receptores para estrogênio e progesterona, as células das glândulas mamárias se hipotrofiam com a falta desses hormônios. O espaço deixado entre elas é substituído por tecido gorduroso. As mamas se tornam mais flácidas, o mamilo fica mais achatado e perde parcialmente capacidade de ereção.

A partir da menopausa, 1% a 4% da massa óssea é reduzida a cada ano que passa. A perda é mais sentida nas vértebras e nas extremidades dos ossos longos. Mulheres de raça branca ou amarela, baixa estatura, peso corpóreo baixo e com história familiar de osteoporose são mais suscetíveis. Além desses, há fatores evitáveis que aumentam o risco de perda óssea: dietas pobre em cálcio, com excesso de vitamina D, ingestão exagerada de cafeína, de álcool, tabagismo, vida sedentária e o uso de certos medicamentos.

Através de mecanismos mal conhecidos, menor produção de estrogênio modifica os níveis de dopamina, noradrenalina e serotonina em certas áreas do sistema nervoso central. Como consequência, as mulheres no climatério estão sujeitas a quadros depressivos, dificuldade de memorização, irritabilidade, melancolia, crises de choro, humor flutuante e labilidade emocional.

Mulheres de 45 a 55 anos, que ainda menstruam, apresentam apenas um terço das doenças cardiovasculares dos homens nessa faixa etária. A chegada da menopausa aumenta gradualmente a incidência dessas enfermidades no sexo feminino, até igualar-se a dos homens ao redor dos 70 anos.

fonte

https://drauziovarella.com.br/drauzio/artigos/climaterio-e-menopausa/