quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Doença de Addison





Minha filha veio a óbito em janeiro/2005 em decorrência de LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico) diagnosticado uma semana anterior a sua morte. Doença até então desconhecida para nossa família. Não tivemos tempo de aprender a lidar com o dia a dia de um paciente portador de Lúpus, quanto ao que deve ser feito; e, o que deve ser evitado. Li bastante sobre o assunto; e, me desesperei com a minha ignorância sobre a doença; e, a minha fragilidade diante da ausência de informações.

Recentemente meu pai foi diagnosticado como portador da Doença de Addison e novamente me deparo com uma doença tão séria; e, pouco conhecida. E, mesmo com as informações médicas; e, tudo que encontramos disponível na internet... a frase: "cada caso é um caso" se faz verdadeira. Tudo é aprendizado. E, espero contribuir positivamente com aqueles que também precisam conhecer um pouco mais sobre a doença.

A doença de Addison (ou insuficiência adrenal crônica ou hipocortisolismo) é uma insuficiência primária das glândulas suprarrenais (chamadas também de glândulas adrenais), responsáveis pela liberação de hormônios como cortisol e de catecolaminas, como a adrenalina. Ocorre por uma atrofia das glândulas suprarrenais, fazendo com que por vezes elas não produzam o cortisol e a aldosterona em quantidade suficiente para as necessidades orgânicas. O cortisol é importante no processamento do metabolismo dos carboidratos, proteínas e lipídios, entre outras ações, e a aldosterona é um mineralocorticoide responsável pela homeostasia do sódio e do potássio e pelo equilíbrio hidroeletrolítico.

Esta condição pode afetar tanto homens como mulheres, em qualquer idade e é uma doença rara.

A grande maioria dos casos de doença de Addison é em razão de processos autoimunes dirigidos contra as células adrenais. Devem-se à infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), sarcoidose, amiloidose, hemocromatose, câncer, hemorragia adrenal e defeitos congênitos das glândulas adrenais.

Os principais sinais e sintomas da doença estabelecida são, entre outros: fadiga crônica e progressiva, perda de força muscular, perda de apetite e de peso, como perdem sal pela urina, há uma avidez pelo consumo de sal na dieta, hipotensão, hipoglicemia, etc.

Uma parte importante do tratamento é proporcionar uma dieta natural e comer alimentos orgânicos, se possível.

Os pacientes com a doença de Addison tendem a perder quantidades elevadas de sódio, porque as glândulas supra-renais não produzem hormônios mineralocorticoides suficiente para regular os níveis de sódio no corpo. Também tendem a reter potássio porque as glândulas supra-renais não produzem hormônios suficientes para manter normais os níveis de potássio no sangue. Alimentos ricos em potássio devem ser consumidos em quantidades moderadas. Os pacientes também devem ter seus níveis de potássio monitorados regularmente, porque os níveis elevados de potássio pode causar problemas cardíacos. Provoca hipoglicemia ou baixa os níveis de glicose no sangue, porque as glândulas adrenais produzem menos glicocorticoides, que são hormônios que ajudam a aumentar os níveis de açúcar no sangue no sangue, especialmente durante situações estressantes.

Procure um profissional nutricionista capacitado para tratamento e orientações.

O início da doença costuma ser pouco notório, já que as manifestações tendem a apresentar-se de forma lenta e progressiva, ao longo de vários anos ou décadas, conforme o grau de insuficiência na produção de cortisol e das outras hormonas elaboradas no córtex supra-renal.

O sintoma inicial mais comum é uma específica sensação de debilidade, que surge essencialmente ao final do dia e em momentos de stress, quando o organismo necessita de mais cortisol. Contudo, com o passar do tempo, o cansaço apresenta-se em circunstâncias muito variadas, independentemente da atividade realizada, adquirindo uma cada vez maior intensidade até chegar a ser persistente, surgindo até após o repouso noturno.

Uma outra manifestação inicial muito frequente é a perda de peso, igualmente progressiva, que apenas costuma ser detectada quando já é bastante significativa.

Entre as manifestações mais características da doença de Addison é preciso destacar uma progressiva intensificação da pigmentação cutânea, o que se conhece como melanodermia. O mecanismo causador da hiperpigmentação na doença de Addison é curioso, de certa forma, pois o défice de cortisol provoca um aumento da produção de adrenocorticotropina (ACTH), uma hormona hipofisária de estrutura química muito parecida com a da hormona estimuladora do melanócito (MSH) e com efeitos semelhantes, pois consegue estimular a pigmentação cutânea. Por isso, a pele adota uma coloração escura, de tez bronzeada, sobretudo nas zonas do corpo expostas às radiações solares, como a cara, os braços e as mãos, e nas áreas mais submetidas a fricções, como as articulações dos cotovelos, a parte anterior dos antebraços, a cintura e os joelhos. Pelo mesmo motivo, os lábios e as gengivas, as conjuntivas oculares, os mamilos, a região anorretal e as cicatrizes em geral também ficam mais escuras.

Por outro lado, o défice de cortisol e de outros hormônios cortico-supra-renais costuma provocar sintomas muito diversos, tais como problemas intestinais, náuseas e vômitos, irritabilidade, insônia e depressão, diminuição do desejo sexual, ausência de menstruação nas mulheres, tendência para a hipotensão arterial e crises de hipoglicemia (diminuição da concentração da glicose no sangue).

Normalmente, estas manifestações estabelecem-se e intensificam-se paulatinamente. Todavia, existem alguns casos, sobretudo em determinados momentos de stress e de tensão emocional, que favorecem o aparecimento de períodos de manifestação mais intensa dos sintomas, originando crises em que predominam o cansaço, problemas digestivos e a hipotensão arterial. Nos casos mais graves, pode conduzir a um estado de choque cardiovascular.

Tratamento Para a Doença de Addison

O paciente com doença de Addison tem de tomar medicação diária para restabelecer os níveis de hormônios perdidos, de forma a poder seguir uma vida normal.

Em alguns casos, as causas subjacentes da doença de Addison podem ser tratadas. Por exemplo, a tuberculose. Esta é tratada através de antibióticos durante um período de pelo menos seis meses. No entanto, a maior parte dos casos, são causados por uma deficiência no sistema imunitário, que não pode ser curada.

O tratamento geralmente envolve uma terapia de reposição hormonal para o resto da vida, através do uso de corticosteróides (hormonas esteroides). A medicação com corticosteróides é usada para substituir (repor) os hormônios cortisol e aldosterona que o corpo do paciente não produz mais. Esta medicação normalmente é administrada em forma de comprimidos duas a três vezes por dia.

Na maioria dos casos, é utilizado um medicamento chamado hidrocortisona (forma sintética do cortisol) para substituir o cortisol. Outros medicamentos de possível uso são a prednisolona ou a dexametasona, embora estes sejam menos utilizados.

A aldosterona será reposta por um medicamento chamado fludrocortisona (também chamado 9-alfa-fluorocortisol, um corticosteróide sintético). O médico também pode pedir ao paciente que adicione um extra de sal à dieta diária, caso este não esteja a tomar fludrocortisona suficiente.

Normalmente, os medicamentos utilizados para prevenir o avanço ou tratar a doença de Addison, não têm efeitos secundários, a não ser que as doses administradas sejam muito elevadas. Quando o paciente toma doses superiores ás necessárias durante um longo período de tempo, existe o risco de desenvolver problemas nos ossos, ossos enfraquecidos (osteoporose), alterações de humor e dificuldade em dormir (insônia).

Regra geral, a Doença de Addison não afeta a qualidade de vida ou o tempo de vida que o paciente tem. A dieta, o exercício físico e a rotina diária podem ser completamente normais.

Serão necessárias consultas periódicas com um endocrinologista a cada 6-12 meses de forma a avaliar o progresso e ajustar a dose terapêutica do paciente se necessário.

Partindo do princípio de que o paciente toma a medicação sem falhas, os sintomas da doença de Addison devem desaparecer completamente. Deixar de tomar a medicação pode levar a um problema grave chamado crise adrenal (crise addisoniana), podendo resultar em morte. Desta forma o paciente deve:

  • lembrar-se de ir buscar as receitas médicas para comprar os medicamentos
  • ter a medicação de reposição hormonal onde necessário – por exemplo, no carro ou no trabalho e transportar sempre alguns medicamentos consigo
  • tomar a medicação todos os dias, á hora exata
  • levar sempre medicação extra, quando vai para longe (Ex: férias) – geralmente o dobro do que a necessária e o kit (estojo) de injeção (veja abaixo)
  • levar a medicação na bagagem de mão, se viajar de avião, com uma nota do médico a explicar a sua necessidade
  • A pessoa pode também informar os amigos ou colegas da sua doença. E explicar-lhes quais os sinais de uma crise adrenal e o que eles devem fazer se você tiver uma.
Pulseira de Alerta Médico

É sempre uma boa ideia usar uma pulseira ou colar de alerta médico que informa as pessoas que a pessoa tem a doença de Addison.

Depois de um acidente grave, como um acidente de carro, o corpo produz cortisol. Este hormônio ajuda a pessoa a lidar com esta situação estressante e toda a tensão adicional resultado das graves lesões. Como o organismo da pessoa com esta patologia não consegue produzir cortisol, esta vai necessitar de uma injeção de hidrocortisona para repor os níveis deste hormônio (cortisol) e evitar uma crise adrenal.

Outro exemplo. Se por exemplo a pessoa for para o hospital de emergência, os médicos e enfermeiros responsáveis ​​pelos seus cuidados também necessitam saber que o paciente precisa de medicação de reposição de esteroides durante a sua estadia.

Ao usar uma indicação de alerta médico (pulseira ou colar) irá ajudar a equipa médica a tratá-lo/a de acordo com a sua condição, e com a medicação de que necessita.

Ajustar a Medicação

Existem algumas situações, em que a medicação pode precisar de ser ajustada tendo em conta possíveis tensões adicionais no organismo. Pode ser necessário um aumento da dose da medicação, se o paciente:

  • tiver uma doença ou infecção – especialmente com temperaturas de 37.5C ​​(99.5F) ou superiores.
  • tiver um acidente, como um acidente de carro por exemplo
  • realizar uma cirurgia, um procedimento dentário ou médico (tal como uma restauração dentária ou uma endoscopia)
  • realizar exercícios muito extenuantes que normalmente não fazem parte da sua rotina diária

O aumento da dose da medicação ajudará o corpo a lidar com esse possível estresse adicional. Inicialmente será o endocrinologista a monitorar a dosagem e aconselhar o paciente sobre quaisquer alterações necessárias. Com o tempo, e à medida que se acostuma com a doença e sabe o que pode provocar os sintomas, o paciente aprende a ajustar a sua própria medicação. No entanto, é sempre melhor consultar o especialista, quando existem algumas dúvidas.

O Tratamento de Emergência

Além do paciente, a pessoa ou pessoas mais próximas podem e devem ser instruídas (ensinadas) a administrar uma injeção de hidrocortisona em caso de emergência.

Esta ação pode ser necessária caso o paciente entre em estado de choque após uma lesão, ou se tiver náuseas e vômitos ou diarreia e for incapaz de se manter bem apenas com a medicação oral. Esta situação pode ocorrer por exemplo se a paciente estiver grávida e tiver a “doença da manhã”.

Tratamento da Crise Adrenal

A Crise adrenal, ou crise Addisonian, precisa de atenção médica urgente. Ligue o 112 e peça uma ambulância, sempre que você ou alguém que você conheça esteja a enfrentar uma crise adrenal. Os sinais de uma crise adrenal incluem:
  • desidratação grave
  • pele pálida, fria e úmida
  • transpiração
  • respiração rápida e superficial
  • tonturas
  • vómitos e diarreia
  • fraqueza muscular severa
  • dor de cabeça
  • sonolência severa ou perda de consciência
No hospital serão administrados fluidos por via de uma veia do braço de forma a hidratar o paciente. Estes fluidos contêm uma mistura de sais e açúcares (sódio, glicose e dextrose) que vão repor os que estão em falta no organismo. Igualmente também será injetada hidrocortisona para repor o hormônio cortisol em falta.



O tratamento da doença de Addison consiste na terapêutica hormonal substitutiva, isto é, na administração de hormônios sintéticos de ações semelhantes às naturais, cuja produção se encontra em défice. Basicamente, a terapêutica baseia-se na administração de cortisol, normalmente em duas doses diárias, uma de manhã e outra à noite. Este tratamento deve ser mantido ao longo de toda a vida, embora seja necessário ajustar as doses às necessidades de cada paciente e de cada fase da sua vida, sendo por isso fundamental realizar controlos médicos periódicos. Normalmente, os resultados do tratamento costumam ser muito bons - a partir do momento em que o organismo recupera os níveis normais de cortisol, os sintomas cedem e o paciente pode levar uma vida praticamente normal.



FONTE



http://rafaelasampaionutri.blogspot.com.br/2014/11/doenca-de-addison.html

http://www.especialista24.com/tratamento-para-doenca-de-addison/