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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Sabugueiro



O Sabugueiro é um arbusto com flores brancas e bagas pretas, também conhecida como Sabugueiro-da-europa, Sabugueirinho ou Sabugueiro-negro, cujas flores podem ser utilizadas para preparar um chá, que pode ser usado como auxiliar no tratamento da gripe ou resfriado.


Esta planta medicinal tem com nome cientifico Sambucus nigra e pode ser comprada em lojas de produtos naturais, farmácias de manipulação e em algumas feiras livres.


Para que serve e quais as propriedades

As flores do sabugueiro têm propriedades expetorantes, estimulantes da circulação sanguínea, estimulantes da produção de suor, antivirais e anti-inflamatórias tópicas.

Assim, o sabugueiro pode ser utilizado para ajudar no tratamento de gripe e resfriado, febre, tosse, rinite, sintomas alérgicos, feridas, abscessos, acúmulo de ácido úrico, problemas renais, hemorroidas, hematomas, frieiras e reumatismo.


Como usar

As partes utilizadas do sabugueiro são as suas flores, que podem ser utilizadas para preparar um chá:


Chá de sabugueiro

Para preparar o chá de sabugueiro, é necessário:

Ingredientes
1 colher de sopa de flores secas de sabugueiro;
1 xícara de água.

Modo de preparo
Colocar 1 colher de sopa de flores secas de sabugueiro em uma xícara de água fervente e deixar em infusão por 10 minutos. Coar e tomar 3 xícaras do chá ao dia.


Além disso, o chá pode ser usado para fazer gargarejos em caso de garganta inflamada e irritada ou no caso de presença de aftas.

Existem ainda pomadas com extrato de flores de sabugueiro na composição, que estão indicadas para o tratamento de rachaduras causadas pelo frio, hematomas, hemorroidas e frieiras.


Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais do sabugueiro podem incluir reações alérgicas variadas. Além disso, os frutos do sabugueiro se consumidos em excesso podem ter um efeito laxativo.
Quem não deve usar

O sabugueiro está contraindicado para grávidas e lactantes.

Bibliografia
FINTELMANN Volker et al. Manual de fitoterapia. 11º. Alemanha: Guanabara, 2006. 235-236.
CURTIS, Susan et al.. O livro de receitas das ervas medicinais. São Paulo: Dorling Kindersley, 2011. 104-105.


Nossa PANC da vez está nas lendas populares do mundo todo como uma planta mágica, que possui fadas escondidas em suas flores e dos seus ramos são feitas as melhores varinhas (os fãs de Harry Potter com certeza se lembram!). Estamos falando do sabugueiro ou sabugueirinho, nome dado a uma série de espécies de plantas do gênero Sambucus que podem ser encontradas em diferentes partes do mundo. Existem estudos científicos sobre uma delas, a Sambucus nigra, que iremos abordar em detalhes nesse conteúdo.

Originária da Europa, Ásia e norte da África, o sabugueiro pertence à família Caprifoliaceae e é uma planta de uso medicinal e culinário tradicional nos países europeus. No Brasil, é cultivada no Estado do Rio Grande do Sul, onde existe uma espécie nativa muito semelhante a ela, a Sambucus australis, também considerada medicinal com as mesmas indicações. São plantas arbustivas ou que formam pequenas arvoretas, de ciclo de vida perene e porte médio podendo atingir de 2 a 5 metros de altura. As flores brancas em conjunto terminal são muito atrativas às abelhas e outros polinizadores e suas folhas são compostas, verdes escuras e com margem serreada. Os frutos são bagas de cor negra ou violeta, redondos e com duas sementes ovais.

Com relação a sua parte PANC, recomenda-se o uso de flores e bagas para alimentação. No uso medicinal, flores, bagas, cascas, raízes e folhas são utilizados. Diversas bebidas, chás, xaropes e refrescos são feitos com flores e bagas do sabugueiro. As bagas são utilizadas também para a confecção de licores, geleias, doces diversos e aprofundar a coloração de vinhos tintos. Atenção: algumas partes dessa planta são tóxicas devido ao seu elevado conteúdo de alcaloides cianídricos, portanto o consumo de partes verdes, raízes e frutos só é possível após cozimento para degradação do cianeto.


Benefícios do consumo para a saúde:

• Rica em antioxidantes, que combatem os radicais livres e atuam protegendo as células, reduzindo o risco de degeneração celular e a evitando o envelhecimento precoce;

• Fonte de vitamina C, que fortalece o sistema imunológico e a saúde da pele, dos tendões e vasos sanguíneos;

• Possui grande quantidade de vitamina B, sendo recomendada para tratar inflamações do sistema nervoso;

• Poderoso descongestionante e antitérmico devido a sua característica sudorífera;

• Possui características depurativas de sangue, hematopoiética e diurética;

• O banho de flores é indicado em doenças como catapora e sarampo para reduzir o incômodo das pápulas;

• Estimula o funcionamento do intestino;

• Indicada para problemas respiratórios, gripes e resfriados.

É uma planta muito resistente, pouco exigente e que pode ser cultivada em vários tipos de solos, desde que sejam profundos, bem drenados e livres de inundações. Em propagação doméstica, o método mais utilizado é a estaquia de seus ramos. Na produção de mudas e em plantas jovens, as regas deverão ser efetuadas apenas para manter o solo ligeiramente umedecido. Em plantas adultas, no caso de estiagens prolongadas, as regas devem ser feitas de 1 a 2 vezes por semana.



domingo, 22 de julho de 2018

Concentrado de Flor de Sabugueiro


O sabugueiro pode ser utilizado em quadros febris, visto que é um poderoso antitérmico; ajuda a tratar problemas renais, reumatismo, prisão de ventre e evita o envelhecimento precoce. Por ser rico em vitamina C, a planta fortalece o sistema imunológico e mantém pele e cabelo saudáveis.

Concentrado de Flor de Sabugueiro (Cordial) achei lá no Tentações Sobre a Mesa

São irresistíveis as belas flores de sabugueiro, tão delicadas e perfumadas. Quando passei um dias por terras do Douro, descobri que por lá já se investe na exploração dos sabugueiros. Encontrei campos cheios deles, soube que a produção é toda escoada para Espanha (flores e bagas). Depois importamos o produto final, que encontrei numa pequena loja " A Botica", entre eles doce feito com as bagas, uma geleia confecionada com as flores, licores e chá. Aos visitantes ofereciam um refresco de cordial com hortelã, mas que quase só sabia a hortelã! Achei o gesto bonito e até lhes recomendei a receita que já está AQUI no blogue, mas que é bem diferente da que hoje vos venho apresentar!




Decidi realizar um concentrado de flor de sabugueiro que fosse rico em sabor e muito mais leve em açucar, (tem um terço do habitual), porque o meu marido gosta muito e bebe imenso! Tenho que zelar pela sua boa saúde e preocupava-me a quantidade de açucar que ele estava a ingerir, ainda por cima por culpa minha! Sabendo de todos os benefícios do sabugueiro aborrecia-me que por causa do açúcar fizesse mais mal do que bem... então fiz esta experiência, que correu muito bem em sabor, mas que tem um senão...


Ao contrário dos xaropes que levam imenso açúcar, este não se pode preservar por muito tempo em garrafas esterilizadas! Conserva-se no frigorífico durante 2 ou 3 semanas, o que é pouco tempo.

Lembrei-me de o congelar, e não é que resultou lindamente! Distribui por pequenas garrafas de água (plásticas), e passado um ano o concentrado continua ótimo, como na hora! Outra forma muito prática de congelar é usar sacos para gelo, assim não é preciso esperar que descongele, vai direto para dentro do jarro. Se tiverem muitas couvetes podem até colocar algumas flores em cada, dá um belo efeito, um refresco mesmo elegante!


A mandolina da Borner tornou a tarefa de fatiar os limões em algo que se faz num instante, com a vantagem que ficam rodelas bem fininhas, extraindo-se assim todo o sabor do limão.


Concentrado de Flores de Sabugueiro

Ingredientes:

4 limões biológicos (tamanho médio);
0,5 kg de açucar;
25 flores de sabugueiro (umbelas ou cabeças);
1,5l de água mineral.

Execução:

Espalhe as flores na bancada e retire algum inseto que possam ter. Não as lave, nem sacuda, pois o polém vai produzir um aroma mais intenso.Separe as pequenas flores das hastes. Raspe a casca de um limão e esprema o sumo, fatie os restantes. Leve a água a ferver com o açúcar até que este se dissolva completamente.

Num recipiente grande coloque o sumo e as rodelas dos limões, a raspa e as flores em camadas, verta sobre estes o xarope de açúcar morno. Verifique que tudo fica submerso. Tape com um pano e deixe em infusão durante 24 horas, mexendo um vez por outra.

No dia seguinte coe o xarope e verta para pequenas garrafas de plástico ou para sacos de cubos de gelo. Congele para usar ao longo do ano. O refresco obtém-se diluindo uma colher de sopa de concentrado um copo de água (200 ml), mais ou menos dependendo do gosto pessoal.


Pode-se substituir uma parte do açúcar por mel, mas nota-se o sabor que se sobrepõe um pouco ao da flor, prefiro não usar.Já experimentei com açúcar amarelo, fica com uma cor  bastante mais escura e um sabor ligeiramente diferente, mas também gostei.




A época da floração do sabugueiro está quase a acabar, mais para norte florescem até ao final de Julho. Aqui na minha zona, Caminha - Viana do Castelo, ainda é possível encontrar, mas a fase áurea já passou.


Já tenho um pequeno sabugueiro no quintal, demora bastante a crescer. Felizmente por cá há bastantes e ninguém lhes liga nenhuma! Os nossos vizinhos do norte da Europa há muito que descobriram as maravilhas do sabugueiro, quando forem ao IKEA procurem na loja de alimentação, caso queiram provar, chama-se Elderflower Cordial.


Recorda-la na sua juventude, tê-la de volta em qualquer estação, sentir o seu calor, o seu perfume, saborear o seu doce beijo e reviver todas as sensações que só ela sabe despertar.


Será possível guardar pedacinhos de primavera?
É pois! Desta forma poderemos ter de volta momentos quentes e perfumados, a sensação de que a primavera nunca nos abandona, para isso basta encher num pequeno cálice de Licor de Flor de Sabugueiro, saboreá-lo lentamente e deixar que o seu calor nos invada e reconforte


Já antes me rendi à beleza e perfume das delicadas flores de sabugueiro, elaborando um cordial espesso e bem doce e um outro concentrado com menor teor de açúcar, mas não menos fragante e saboroso. Sabe tão bem degusta-lo em refrescos, bem gelados, nos dias mais quentes de verão, ou em sorvetes.

Desta vez decidi aventurar-me com um licor e ainda bem, fiquei muito agradada com o resultado. Pena que fiz apenas 1 litro, mas já estou a pensar em repetir a dose!


A época de floração do sabugueiro é de curta duração, ocorre entre Maio e Junho (dependendo das zonas). São descritas inúmeras vantagens e usos medicinais destas flores e das bagas também, essa parte fica para os especialistas, eu rendo-me ao seu encanto e à dança que as abelhas executam à sua volta. Felizmente já tenho dois destes arbustos no quintal e se tivesse espaço teria muitos mais, sou apaixonada por eles!


O processo de elaboração deste licor é muito simples, basta colher algumas flores (umbelas ou cabeças), preferencialmente de manhã, quando são mais perfumadas. Depois usa-las o mais rápido possível, uma a duas horas após a apanha.


Licor de Flor de Sabugueiro

Ingredientes:

20 a 30 umbelas de sabugueiro;
1 l de rum;
1 limão (casca);
200g de açúcar;
200 ml de água.

Execução:

Sacudir gentilmente as flores de forma a eliminar algum inseto indesejado. Cortar os caules, aproveitado apenas as flores viçosas e rejeitando as que se apresentem escuras. Esterilizar um frasco de vidro com capacidade para 1 litro de líquido. Introduzir as flores e cobrir com cascas de limão finamente cortadas. Estas evitarão o contacto das flores com o ar e a sua possível oxidação.

Verter o rum até cobrir totalmente as flores e as cascas de limão. Fechar bem o frasco.

Envolve-lo com folha de alumínio e guardar num local escuro e fresco (à temperatura ambiente), durante 4 semanas. O contacto com a luz nesta fase irá provocar o escurecimento das flores e o resultado será um licor acastanhado.

Findo este período a infusão de flores e rum deve apresentar com um tom amarelo dourado.
Preparar um xarope, levando ao lume a água e o açúcar até levantar fervura. Deixar arrefecer totalmente.

Coar o líquido da infusão para outro recipiente e juntar o xarope de açúcar. Nesta fase pode-se provar e ajustar a quantidade de açúcar ao gosto pessoal, pode-se adicionar maior quantidade de xarope caso se pretenda um licor mais espesso.

Decantar para garrafas previamente esterilizadas e arrolhar bem. Está pronto a ser consumido, mas o ideal será deixar maturar por 2 meses, num local fresco e escuro.

Conserva-se durante vários anos.


A natureza é uma enorme fonte de inspiração e de uma riqueza sem fim., nela encontramos tudo o que precisamos, só temos que estar atentos.

O sabugueiro, tantas vezes desprezado, encerra inúmeras qualidades e era muito valorizado na antiguidade, mas aos poucos foi sendo esquecido e até combatido como espécie infestante. Felizmente tem vindo a ser redescoberto e mesmo que não se faça nada com ele, só para desfrutar da sua beleza, e atrair as abelhas, já vale a pena ter um por perto, especialmente para quem tem pomares ou horta.


Esta é daquelas receitas que temos que ter paciência para aguardar pelo resultado final, mas vale mesmo a pena cada dia de espera. O licor é bom degustado simples, mas também pode ser usado para aromatizar gin, martini e até mesmo champanhe! Pode também ser usado em diferentes cocktails. Usei rum como base alcoólica, mas também pode ser feito com vodka ou água ardente.





Um brinde à primavera e ao perfume das flores!
Se quiserem conhecer melhor o sabugueiro sigam este LINK.


Diziam que ele era milagroso!
Sambucus Nigra tinha fama de ser feiticeiro, capaz de lançar poderosos encantamentos! Também se dizia que sabia fazer mezinhas e poções variadas, uns chamavam-lhe o "guardião da saúde", e quase o veneravam. Havia aqueles que o maldiziam e acusavam de ser venenoso, altamente perigoso, amigo das bruxas!
Não sei se sabem, mas foi ele que fez uma das varinhas mágicas mais poderosas de todos os tempos... sim, sim a "Elder Wand"!
Era preciso conhece-lo muito bem para perceber que o seu lado bom superava largamente a sua face mais obscura. Uma coisa é certa quer o amassem ou detestassem, quem o conhecesse não lhe ficava indiferente!
Este era sem dúvida um senhor a quem todos tiravam o chapéu!


Os sabugueiros estão em flor e que lindas são estas minúsculas florzinhas, juntas nas suas umbelas parecem ramos de noiva.
Há muito tempo que queria experimentar usa-las, mas tinha algum receio, por isso pesquisei imenso, li bastantes artigos, analisei receitas... em fim, certifiquei-me que não iria fazer asneira e pôr o pessoal aqui de casa a abraçar a barriga, eheheh.
Quando a Wikipédia me fala em " glicosideo de cianeto" todo o cuidado é pouco! Porém são muitos mais os beneficios desta planta que os seus perigos, é apenas preciso fazer dela uso correto. Se os antigos lhe chamavam "guardião da saúde" eu acredito na sua sabedoria, mas aqui vamos falar de gastronomia e não de medicina, deixo isso para os entendidos em "remédios", porém se fizer bem à saúde tanto melhor.


Decidi fazer um 1.º lugar o concentrado ou xarope de flor de sabugueiro, também conhecido por cordial. A maioria das receitas concordam nos ingredientes, mas diferem nas quantidades e tempo de maceração; foi-me difícil decidir qual fazer, além disso desagradava-me a ideia de ter que usar ácido-cítrico num produto caseiro. Até que descobri uma receita do Jamie Oliver que não o levava, no blog Lottei+Doof. Confio no bom gosto e experiência do Jamie, por isso a escolha estava feita.


O que aprendi entretanto e que não quero esquecer:

As flores devem ser apanhadas num dia de sol e se possível de vários sabugueiros, para se obter uma mistura de aromas e açucares;
Devem preferir-se flores jovens, acabadas de desabrochar;
Não podem ser lavadas, estendem-se numa bancada e separam-se dos pedúnculos verdes e limpam-se de algum pequeno inseto que possam ter;
Na execução do cordial as flores devem ser recém colhidas, o mais frescas possível;
O cordial pode ser feito só com limão ou com mistura de citrinos;
Se quisermos usar as flores para infusão têm que se deixar secar primeiro;
Podem ser usadas frescas em refrescos com sumo de limão e mel;
Podem ser fritas com um polme e polvilhadas com canela (vou fazer isto em breve);
As flores também podem ser usadas para aromatizar vinagres, doces e mel.

Ingredientes:

20 flores de sabugueiro (umbelas ou cabeças);
1,5 kg de açúcar;
1,5 l de água mineral;
2 limões grandes;
2 laranjas.

A mandolina da Borner mais uma vez facilitou-me imenso a trabalho e cortou num instante todos os citrinos em rodelas.

Execução:

Separe as pequenas flores das hastes. Corte as laranjas e os limões em rodelas. Leve a água a ferver com o açúcar até que este se dissolva completamente. Num recipiente grande coloque as rodelas dos citrinos e as flores em camadas, verta sobre estes o xarope de açúcar morno. Tape com um pano e deixe em infusão durante 24 horas, mexendo um vez por outra. No dia seguinte coe o xarope e guarde em frascos ou garrafas esterilizadas. Está pronto a ser usado em refrescos, gelados, bolos, cocktails, etc.




O refresco faz-se diluindo 1 colher de sopa de cordial numa chávena de água fresca (ou água com gás), claro que a concentração depende muito do gosto pessoal. Juntam-se pedras de gelo, pode decorar-se com rodelas de limão e flores. Cá em casa todos gostaram imenso. Não me importava que o sabor fosse um pouco mais forte, vou certamente repetir usando mais flores e juntando açúcar amarelo para obter uma cor mais acentuada.


Nestes dias de verão antecipado, sabe mesmo bem beber um pouco de primavera!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Negócio: Bagas do Sabugueiro



A produção de baga de sabugueiro tem vindo a aumentar e já representa um negócio de cerca de 2 milhões de euros. A exportação é o principal destino, em especial a Alemanha, e o uso farmacêutico é a principal utilização.

Quando o Marquês de Pombal estabeleceu a região demarcada do Douro considerou como crime grave a adição de bagas de sabugueiro no vinho. A prática manteve-se, por dar mais cor e tornou-se legal, mas em 1983 voltou a ser novamente proibida.

A legislação pombalina impunha a proibição de sabugueiros a menos de cinco léguas (portuguesas – 33,3 quilómetros). Ainda assim, este arbusto, que pode atingir os seis metros de altura, encontra-se em concelhos que têm freguesias com direito a produzir para Vinho do Porto.

O sabugueiro (Sambucus nigra) é encontrado em toda a Península Ibérica, sendo que em Portugal a exploração está quase toda nos concelhos de Tarouca, Moimenta da Beira, Lamego, Armamar e Tabuaço, sendo nestas duas autarquias a principal fonte de receitas, referiu Bruno Cardoso, produtor deste arbusto. Nas freguesias que não se encontram dentro da delimitação da região vitivinícola do Douro não se encontra, ainda hoje, um pé de vinha.

Atualmente, existem cerca de 700 hectares cultivados, por cerca de 850 agricultores, responsáveis por 3.500 toneladas de baga fresca – salienta Carla Paula Cardoso, diretora da Associação Flor do Sabugueiro, citando um documento da Direção Regional de Agricultura do Norte. Esta dirigente sublinha que o número tem vindo a aumentar ligeiramente.

Bruno Cardoso, agricultor em Salzedas (Tarouca) considera que o negócio é atrativo e que pode ser uma aposta viável. O preço médio da baga fresca é de 0,375 euros por quilograma, sendo a seca de 2,10 euros. No seu conjunto, a produção de baga de sabugueiro representa um negócio entre dois milhões e 2,2 milhões de euros.


A produção de baga de sabugueiro tem vindo a aumentar ligeiramente e já representa um negócio de cerca de 2 milhões de euros. A exportação é o principal destino, em especial para a Alemanha, e o uso farmacêutico é a principal utilização.


Quando o Marquês de Pombal estabeleceu a região demarcada do Douro considerou como crime grave a adição de bagas de sabugueiro no vinho. A prática manteve-se (por dar mais cor) e tornou-se legal, mas em 1983 voltou a ser novamente proibida.

A legislação pombalina impunha a proibição de sabugueiros a menos de cinco léguas (portuguesas – 33,3 quilómetros). Ainda assim, este arbusto, que pode atingir os seis metros de altura, encontra-se em concelhos que têm freguesias com direito a produzir para Vinho do Porto.

O sabugueiro (Sambucus nigra) é encontrado em toda a Península Ibérica, sendo que em Portugal a exploração está quase toda concentrada nos concelhos de Tarouca, Moimenta da Beira, Lamego, Armamar e Tabuaço, sendo nestas duas autarquias a principal fonte de receitas, referiu Bruno Cardoso, produtor deste arbusto. Nas freguesias que não se encontram dentro da delimitação da região vitivinícola do Douro não se encontra, ainda hoje, um pé de vinha.


Produção vale 2 milhões de euros

Atualmente, existem cerca de 700 hectares cultivados, por cerca de 850 agricultores, responsáveis por 3500 toneladas de baga fresca – salienta Carla Paula Cardoso, diretora da Associação Flor do Sabugueiro, citando um documento da Direção Regional de Agricultura do Norte. Esta dirigente sublinha que o número tem vindo a aumentar ligeiramente.

“Portugal não é o maior produtor de baga, como não é um produto muito conhecido também não se lhe dá grande importância económica, mas é um produto muito apreciado sobretudo pelos alemães, que são o nosso maior consumidor”

Bruno Cardoso, agricultor em Salzedas (Tarouca) considera que o negócio é atrativo e que pode ser uma aposta viável. O preço médio da baga fresca é de 0,375 euros por quilograma, sendo a seca de 2,10 euros. No seu conjunto, a produção de baga de sabugueiro representa um negócio entre dois milhões e 2,2 milhões de euros.

Carla Paula Cardoso salienta: “Portugal não é o maior produtor de baga, como não é um produto muito conhecido também não se lhe dá grande importância económica, mas é um produto muito apreciado sobretudo pelos alemães, que são o nosso maior consumidor. Pelas pesquisas efetuadas, a nossa baga é a melhor, por isso muito apreciada e desejada. Sabe-se que a Polónia, Hungria, Roménia e a Áustria são grandes produtores de baga, mas a nossa supera devido ao brix, que é muito superior”. As bagas do Vale do Varosa têm maior valor, pois o “grau brix é 10% a 20% superior e a cor melhor”. Existem outros países, nomeadamente a Áustria que também produz alguma baga, da qual já faz algumas bebidas e outros produtos deste fruto. A Alemanha é o principal cliente, mas há exportações importantes para a Holanda e o Japão, salienta Carla Paula Cardoso.

Arbusto bem adaptado às condições nacionais

O negócio da baga de sabugueiro representa perto de 100 000 euros para Bruno Cardoso, que tem na Alemanha o seu mercado, que lhe paga 2,1 euros por quilograma. A propriedade tem 60 hectares, com 20 hectares de pomares de sabugueiros, sobretudo em terrenos argilosos. Para os próximos anos, este produtor não tenciona aumentar a área deste cultivo. Este ano, vai iniciar uma parcela com prática de agricultura biológica.

O arbusto do sabugueiro encontra-se bem adaptado às condições portuguesas, pois dá-se tanto em terrenos húmidos como secos. Os pomares de Bruno Cardoso não são regados, mas adianta que o consumo de água é de 150 litros. As plantas exigem alguma humidade natural e solos ricos e alcalinos. As folhas e flores gostam de luz e sol.

“Pela experiência que temos, o sabugueiro necessita de invernos rigorosos e verões quentes, uma vez que permite que a frutificação seja de maior qualidade. O Vale do Varosa possui as condições edafoclimáticas ideais para a cultura dos sabugueiros”

A rega pode melhorar a produção, segundo Carla Paula Cardoso, que contudo diz que na região não é costume regar. A mesma dirigente associativa informa que as plantas “crescem à beira dos caminhos e estradas, à beira de algum ribeiro, são árvores lindas, não requerem grande trabalho, embora prefira locais húmidos e solos ricos, também se encontram em locais secos e pobres. No outono faz-se a poda e não necessita de produtos químicos para produzir”.

Carla Paula Cardoso especifica as necessidades: “pela experiência que temos, o sabugueiro necessita de invernos rigorosos e verões quentes, uma vez que permite que a frutificação seja de maior qualidade. O Vale do Varosa possui as condições edafoclimáticas ideais para a cultura dos sabugueiros”.

De acordo com Carla Paula Cardoso, “o sabugueiro é uma árvore de folha caduca, na forma de arbusto ou árvore pequena, de três a seis metros de altura, podendo atingir os dez metros, sendo o seu aspeto inconfundível. Pertence à família das Caprifoliáceas”.

O crescimento dá-se em novembro e a floração acontece em maio e junho, “com sementes em setembro. As flores são hermafroditas e são polinizadas por insetos”.

A mesma dirigente afirma que esta cultura deve ser vista como estratégica, dado que se “consegue exportar a totalidade da sua produção”. Carla Paula Cardoso considera que será “necessária ainda mais produção para fazer face às necessidades do importador. Seria necessário ter um preço mais apelativo, incentivar mais produção e divulgar mais o produto uma vez que é praticamente desconhecido no país”.

Quanto a apoios comunitários, Carla Paula Cardoso confessa saber pouco sobre o assunto. Refere que os sabugueiros constituem um rendimento extra para os agricultores, embora tenham surgido pomares, “de dimensões variadas”. Todavia, a terra a eles dedicada não é grande, devido à dimensão das propriedades.

Um “grande” produtor

Bruno Cardoso tem cerca de 840 plantas, com uma produção de cerca de oito toneladas por hectare. O tempo de vida útil da planta ronda os 20 anos, começando a exploração a partir do terceiro ano, com uma produtividade de apenas 20% do expectável. Ao quarto ano, a produtividade é já de 60%. Ao quinto ano entra rendimento pleno, refere Bruno Cardoso. No entanto, há sabugueiros com 40 anos a produzir – diz a dirigente associativa.

Quanto a cultivares, é um mistério. Segundo referiu Bruno Cardoso, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro está a investigar essa questão. No pomar deste produtor de Tarouca, as plantas estão plantadas em 4 m entre linhas e 3 m entre plantas. A época de colheita é o mês de agosto.

Os pomares de sabugueiro não necessitam de trabalhos excecionais: “poda, um tratamento às doenças e pouco mais”

“Não há viveiristas, a planta nasce em qualquer lugar e pega facilmente de estaca. Os agricultores fazem eles próprios a plantação. Por altura da poda, escolhem algumas varas, que de seguida enterram na terra para que estas ganhem raiz. Na altura da primavera plantam nos terrenos. Em alguns locais é considerado uma praga, porque está sempre a rebentar” – diz Carla Paula Cardoso.

A mesma dirigente associativa garante que o custo da plantação é baixo, visto serem os agricultores quem faz a sua seleção. “Qualquer agricultor interessado pode recorrer sempre ao amigo ou vizinho, que trocam sementes entre si”.

Os pomares de sabugueiro não necessitam de trabalhos excecionais: “poda, um tratamento às doenças e pouco mais”, refere o mesmo agricultor de Tarouca. As ameaças são o aranhiço e o pulgão. Mais difícil é a apanha, pois tem de ser feita manualmente.

O valor acrescentado aumentou, em Portugal, desde há quatro anos, sublinha Carla Paula Cardoso. “Até mais ou menos meados de 2010, a baga era comercializada em seco, porque não havia outra forma de a conservar. Atualmente, com a abertura da Regifrutas, que é uma cooperativa construída unicamente para a transformação da baga para exportação, é vendida em fresco. Foi uma exigência do importador, uma vez que a baga em fresco conserva outras propriedades que não em seco”.

A vantagem de ser vendida em fresco é que reduz os custos de mão de obra, pois “secar era um processo complicado e mais moroso, dependendo ainda das condições climatéricas”.

Os usos medicinais são vastos: antioxidantes, redução do colesterol, melhoria cardiovascular, redução da progressão do cancro da vesícula biliar, fortalecimento do sistema imunitário, utilização no campo da visão, tratamento da osteoporose em doentes diabéticos…

Uso farmacêutico é o principal destino

Carla Paula Cardoso informa que o primeiro registo histórico data de há 2500 anos, como tendo uso medicinal, pela mão de Hipócrates, considerado como ‘pai da Medicina’. A indústria cosmética é outra consumidora da baga de sabugueiro.

Segundo documentação fornecida pela Associação Flor do Sabugueiro, os usos medicinais são vastos: antioxidantes, redução do colesterol, melhoria cardiovascular, redução da progressão do cancro da vesícula biliar, fortalecimento do sistema imunitário, utilização no campo da visão, tratamento da osteoporose em doentes diabéticos, uso no tratamento de infeções virais de trato respiratório (gripe, nomeadamente), de infeções fúngicas, amigdalites, tosse, congestão nasal provocada pela febre do feno, laxantes, purgantes, diuréticos.

Os usos são variados, segundo esta dirigente. Na região do Alto Douro e Norte da Beira Alta, utiliza-se a flor seca, no inverno, para fazer infusões, com bom resultado no combate a resfriados. “A baga madura utiliza-se na altura em que se está a fazer o vinho, dá-lhe cor e um aspeto aveludado. Não se conhecem outros usos significativos”.

No entanto, a planta, no seu conjunto, tem mais utilidades. “Quase todas as partes desta árvore/arbusto [são] indicadas para múltiplos usos. Um pouco por todo o lado, esta árvore/arbusto é extremamente querida e considerada, quer por características medicinais ou mesmo lendárias. As diversas partes utilizadas são: as flores; as folhas; os frutos maduros; a segunda casca seca, excluindo-se a raiz; o miolo” – informa Carla Paula Cardoso.

A mesma dirigente associativa adianta que se começa “a descobrir outras utilidades; licores, compotas, xaropes de flor e de baga, iogurtes, rebuçados e uso na culinária para dar gosto a alguns pratos”.

Porém, é preciso ter atenção a algumas partes da baga de sabugueiro. “As sementes da baga têm alguns produtos tóxicos e necessitam de ser inativos, por via térmica, ou seja cozinhados, uma vez que esses produtos tóxicos podem provocar náuseas e vómitos. Depois deste processo pode ser ingerida ou utilizada noutros produtos” – alerta Carla Paula Cardoso.

Além de ter perdido a sua função de adulteração do vinho, os usos mágicos também desapareceram. “Acreditava-se que as propriedades do sabugueiro mantinham as bruxas à distância. Já na aromaterapia, existem efeitos colaterais pelo que o sabugueiro só deve ser usado seco, pois a erva fresca pode ser tóxica” – lê-se na documentação da Associação Flor do Sabugueiro.

Um apoio ao desenvolvimento local

A Inovterra aposta no cultivo do sabugueiro para travar o abandono dos meios rurais, adianta Inês Carneiro, uma das responsáveis por esta Associação Para o Desenvolvimento Local, com sede em Salzedas.

Criada em 2011, a Inovterra tem como principal objetivo a “promoção de medidas que garantam a criação de oportunidades de emprego e formação profissional, e na implementação de capacidades adequadas para a melhoria da produtividade e competitividade do setor agrícola, visando o crescimento económico e o desenvolvimento social da região e contribuindo para o aumento da sua taxa de ocupação por população economicamente ativa”.

A divulgação do cultivo do sabugueiro é um dos seus eixos de funcionamento, realizando ações de formação. “Apoio no acesso à terra, à formação e ao conhecimento agrícola. Ações agrícolas inovadoras voltadas para o biológico e sustentável, para as novas formas de pensar e agir como forma de interligar agricultura, cultura e turismo. Somos uma equipa que cria uma rede de parcerias estratégicas, que promove ações para o desenvolvimento económico e social, elevando sempre a região, os produtos e o património, por exemplo, Horto Monástico”.

Este horto encontra-se localizado no Mosteiro de São João de Tarouca, que, segundo Inês Carneiro, é o mosteiro mais antigo da Ordem de Cister. Nele se faz uma recriação do cultivo praticados pelos monges cistercienses e que, além da produção em modo biológico, “é um projeto voltado para a promoção do turismo religioso e rural, pela oportunidade de os turistas e visitantes do mosteiro vivenciarem o local, a sua história de forma diferenciada, podendo colher mais do que produtos agrícolas, colher cultura e levar essa experiência consigo” – adianta Inês Carneiro.