sábado, 7 de maio de 2016

Não confunda: inhame, cará e taro não são a mesma coisa


Não confunda: inhame, cará e taro não são a mesma coisa. Com nomenclaturas diversas em diferentes regiões brasileiras, o verdadeiro inhame é comumente confundido com outros tubérculos. Se você jogar a palavra inhame em sites de busca, vai encontrar uma lista de textos em que o tubérculo é tratado como milagroso, desintoxicante e benéfico para a pele, para o sangue e até como repelente para o mosquito da dengue!


Mas antes de falarmos de seus benefícios para a saúde, é preciso desfazer uma grande confusão. Embora parecidos, inhames, carás e taros não são a mesma coisa. E mais: diferente do Norte e do Nordeste, regiões em que os nomes são utilizados corretamente, o que chamamos de inhame em Minas Gerais é, na verdade, cará! Problemas apenas de nomenclatura? Sim, mas a troca de termos pode gerar alguns problemas, inclusive no mercado, onde também os nomes são utilizados inadequadamente.

Cara-moela
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Taros
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“Como são tubérculos muito parecidos fisicamente, com a presença de uma casca marrom escura coberta com pequenas fibras, parecendo um cabelo, e possuem a polpa fibrosa que pode ser branca ou amarelada, facilita a confusão entre os alimentos. Segundo os pesquisadores, o cará é uma variedade do inhame, sendo que ambos pertencem à mesma família, das dioscoreaceas”, afirma Larissa Lovato, professora de nutrição do Centro Universitário de Belo Horizonte.

Mais do que uma questão de termos, há muitas diferenças entre as plantas. A professora da Faculdade de Farmácia da UFMG Maria das Graças Lins Brandão trabalha com plantas medicinais e fitoterápicos, entre elas, o inhame. Ela explica que o tubérculo é, de fato, um presente para a saúde e pode ser usado para diversos tratamentos e prevenções. Já o cará e o taro, nativos no Brasil, não compartilham das mesmas propriedades. Embora não façam mal algum e se assemelham em sabor, estes últimos não têm os mesmos componentes que o inhame e apresentam baixas taxas de valores nutricionais.

Assim, vale a pena conferir as diferenças antes de se guiar pelas plaquinhas dos supermercados e sacolões. Para não comprar nada errado, a professora Maria das Graças dá uma dica: “Os inhames são parecidos com as mandiocas, são mais compridos. Já os carás e os taros são mais redondos, como as batatas”, afirma.

E dentre as propriedades do “verdadeiro” inhame, planta originária da Ásia e da África, Maria das Graças destaca a ação diurética e a reposição hormonal. “O inhame é rico em uma substância chamada saponina, que tem estrutura química semelhante a dos hormônios, inclusive do estrógeno, hormônio feminino. Na menopausa, por exemplo, é possível fazer a reposição pelo consumo do alimento”, explica a professora.

Segundo ela, dentre outras ações, o inhame são depurativos do sangue, limpam, ajudam a combater a pressão alta e não deixam o colesterol ser absorvido. É por isso que é muito usado nos sucos revitalizantes e detox, embora até pouco tempo falar em suco de inhame soava estranho por ser servido cru. De cor e sabor neutros, ele passou a ser acompanhante de outros ingredientes como couve e limão. Também aqui, há mais confusões. A professora explica que não há problemas consumir o tubérculo cru, mas suas propriedades são melhor absorvidas se ele for cozido.

Sobre o consumo do inhame cru, Larissa aconselha, antes de mais nada, o teste de contato. “A regrinha vale tanto para o inhame como para o cará. Se você sentir uma reação nas mãos no momento de descascar o alimento, como uma coceira, por mais leve que seja, é recomendado que não utilize o tubérculo cru. Isso acontece, provavelmente, devido à alta concentração de cristais de oxalato, que são ácidos orgânicos presentes nos vegetais. Para neutralizá-lo, deve-se dar preferência para a preparação cozida. Caso não perceba nenhuma reação, fique à vontade para consumi-lo in natura”, afirma.

É exatamente em função do oxalato que a chef Juliana Muradas, da Deli Fresh Food, reforça a busca por opções em que o tubérculo seja preparado cozido, até mesmo em vitaminas, receita que ela preparou para o Gastrô. “Essa vitamina traz todos os benefícios do inhame que, cozido, elimina os riscos de edemas e coceiras que podem acontecer, dependendo das reações do organismo. Além disso, o cozimento é uma forma de deixar a vitamina mais cremosa”, indica.

PARA ESCLARECER
Tubérculo não ajuda a evitar a dengue

Como se já não bastassem as confusões em torno do inhame, em tempos de epidemia de dengue, o tubérculo foi apontado como auxiliar na prevenção da doença. “Isso é mito. Não tem chance nenhuma porque o que previne são plantas aromáticas, e o inhame não tem essa propriedade”, afirma a professora de farmácia Maria das Graças Lins Brandão, da UFMG. 

A confusão foi criada porque o inhame é rico em vitamina B, o que, no corpo humano, poderia atuar como repelente a partir de um odor que causaria incômodo ao mosquito. “Ainda não há nenhum estudo na literatura científica confirmando se o consumo de inhame pode prevenir dengue ou H1N1. Sabe-se que o inhame é um alimento que contém vitaminas do complexo B, entretanto, não podemos afirmar que o consumo de inhame oferecerá para nosso organismo uma quantidade tal que permita exalar o cheiro que repele os mosquitos”, afirma a professora de nutrição Larissa Lovato.

O tubérculo, no entanto, pode ajudar as pessoas que já contraíram as doenças, reforçando a imunidade e contribuindo para que o organismo se recupere mais rapidamente. “O inhame é uma excelente opção para compor as refeições e contribuir para uma alimentação saudável”, reforça Larissa.

ALTERNATIVA

Substitua batatas e mandiocas por inhame - Matheus Paratella, do Alma Chef, diz ver pouco uso do inhame em restaurantes, com a exceção do Norte e do Nordeste onde a planta está presente até na mesa do café da manhã. 

No cardápio que prepara, pensando em alimentos mais saudáveis, por exemplo, há pouco uso do ingrediente, mesmo sendo ele rico em nutrientes como carboidratos, cálcio, fósforo e ferro e indicado até para dietas controladas. O tubérculo é usado para atletas e pessoas que são adeptas aos exercícios físicos. E mesmo para quem não sua a camisa, não precisa se preocupar. O inhame tem poucas gorduras e não é muito calórico. Mas, ainda que o inhame tenha pouca presença nos cardápios dos restaurantes, à exceção dos mais populares, é possível fazer algumas substituições em pratos já conhecidos. 

Para o Gastrô, Matheus abriu mão das batatas e criou uma receita de salmão defumado acompanhado de creme de inhame, uma espécie de purê batido com creme de leite fresco, versátil para qualquer cozinha. “O inhame não tem muito sabor, então, é importante realçar com temperos ou outra combinação. Eu usei o salmão defumado, mas pode ser usado com qualquer carne ou peixe”, comenta. 

Já Joana Rocha Urbano, chef e proprietária do Faz de Conta, experimenta o inhame no lugar da mandioca. Ela fez a substituição em uma receita de escondidinho, mas garante que é possível fazer a trocas em outras opções como caldos e bolinhos. 

“As pessoas estão mais acostumadas com a mandioca, mas, hoje em dia, buscam o inhame por causa das propriedades. Claro que vai mudar um pouco sabor, mas é uma opção que tem agradado as pessoas”, explica a chef.

Matheus lembra que é possível também fazer chips de inhame. “Mas como é fritura, eu prefiro não fazer porque vou perder a qualidade dele”. 

Escondidinho de inhame

Escondidinho de inhame com carne seca preparado pela chef Joana Rocha do restaurante Faz de Conta. FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 14.4.2016

Restaurante Faz de Conta
(Serve 4 pessoas)

Ingredientes:
1 kg de inhame, descascado e cortado em cubos
200 ml de creme de leite
½ xícara de cebolinha picada
1/2 xícara de salsinha ou coentro picado sal 
500 g de carne de sol dessalgada
1 cebola picada azeite 
150 g de muçarela ralada

Modo de preparo
Cozinhe o inhame até que fique com consistência bem macia. Amasse o inhame e acrescente o creme de leite, a cebolinha e a salsinha, misture bem até conseguir uma massa homogênea.
Para o recheio, refogue a cebola em azeite e acrescente a carne de sol. Deixe por alguns minutos.
Em uma travessa refratária, espalhe uma camada da massa do inhame, no fundo e nas laterais. No meio, coloque o recheio de carne de sol e, por cima, complete com o restante da massa de inhame. Coloque a muçarela ralada em cima e leve ao forno a 160° por 18 minutos.
Observação: O recheio pode variar, como por exemplo: carne moída, frango desfiado, peixe ou legumes.

Vitamina de inhame, banana e maracujá

Vitamina de inhame, banana e maracujá preparada pela chef Juliana Muradas do restaurante Deli Food - (Serve duas pessoas) FOTO: MARIELA GUIMARAES

Ingredientes:
200 gr de inhame cozido
2 bananas pequenas
Polpa de 1 maracujá
500 ml de leite ou água 
Açúcar a gosto

Modo de preparo
Bater a polpa de maracujá com água ou leite no liquidificador.
Coar e acrescentar os demais ingredientes. Bater por 2 minutos.
Observação: Se preferir um smoothie, use a banana e o inhame congelados.

Creme de inhame com salmão defumado e dill

Creme de inhame com salmão defumado e dill - FOTOS DENILTON DIAS

Receita de Matheus Paratella, do Alma Chef
(Serve duas pessoas)

Ingredientes:
600 gr de inhame
50 gr de salmão defumado
100 ml de creme de leite fresco 
1/2 molho de endrodill 
30 ml de azeite extravirgem
6 gr de pinoli 
10 gr de parmesão 
Flor de sal e pimenta do reino branca a gosto

Pesto
Com o auxílio de um mixer ou de um liquidificador, fazer o pesto batendo o dill junto com o pinoli, o azeite e o parmesão. Vale lembrar que é necessário reservar algumas de folhas de dill para a decoração. Reserve o pesto.

Inhame
Imagem relacionada
Creme de inhame
Magazine - O Tempo Livre - Gastro - Nova Lima MG
Inhame

FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 14.4.2016

Descasque o inhame, cozinhe-o no vapor até ele ficar macio. Bata no liquidificador com o creme de leite. Se achar necessário, acrescente um pouco de água do cozimento para dar a densidade necessária do creme. Regule com flor de sal e pimenta do reino branca. 

Salmão 
Corte o salmão defumado em pequenos quadrados. Em um prato fundo, disponha o salmão em pequenas quantidades, além das gotas de pesto e de dill. Decorar com folhas de dill e servir com o creme.

FONTE

http://www.otempo.com.br/gastro/n%C3%A3o-confunda-inhame-car%C3%A1-e-taro-n%C3%A3o-s%C3%A3o-a-mesma-coisa-1.1280151

https://caramuela.com.br/cara-moela/

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