quinta-feira, 27 de abril de 2017

Vitamina E, Curcumina e Açafrão no tratamento de Alzheimer


O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, caracterizada pela deterioração variável das habilidades cognitivas e consequentes destas, incluindo memória, fala, emoções e personalidade. E não somente para a pessoa, mas a doença tem também um efeito prejudicial sobre as famílias e pessoas queridas no âmbito físico, mental e financeiro.

A cura para a doença de Alzheimer (DA) seria o ideal, mas, enquanto a ciência procura avançar neste sentido, a sua prevenção ou o retardamento de sua progressão é uma necessidade e possível realidade.


Uma evidência desta possibilidade, publicada em Antioxidants, vem através de um estudo de revisão da literatura que destaca o uso da vitamina E, curcumina e açafrão como abordagem complementar ao tratamento padrão. Estudos pré-clínicos e clínicos reportam que estes agentes possuem habilidades terapêuticas, atuam como protetores das células nervosas contra o dano de radicais livres, moderando a atividade da acetilcolinesterase (AChE) e reduzindo a neurodegeneração, efeitos encontrados como fatores-chave da DA.


Embora a patogênese da doença ainda não tenha sido totalmente compreendida, existe um consenso crescente de que por trás do complexo mecanismo molecular está o acúmulo e agregação de fragmentos proteicos.

As placas beta-amiloide (Aβ) nos vasos sanguíneos e o acúmulo de emaranhados neurofibrilares intracelulares (tau), os quais bloqueiam os neurotransmissores e alteram o metabolismo do ferro, causam a destruição de células nervosas – observáveis na DA.



Relata-se que o aumento dos níveis de Aβ reduz os níveis de plasmalogênios [protegem as células contra os efeitos danosos das espécies reativas de oxigênio (EROs)], aumenta a formação de EROs e, lentamente, obstrui a função cerebral.

Na retaguarda desses efeitos, está o estresse oxidativo – um estado patológico que indica o desequilíbrio entre a produção de EROs e as defesas antioxidantes, o que é reconhecido pelos cientistas como uma marca registrada da doença.

Conforme a revisão, dada a importância do estresse oxidativo na doença de Alzheimer, o uso de terapias antioxidantes (agentes que previnem o dano oxidativo), como a vitamina E, curcumina e açafrão, pode ser indicado em várias estratégias neuroprotetivas, especialmente como prevenção primária.

Vitamina E

A vitamina E é um grupo de 8 compostos diferentes que consistem em 4 formas de tocoferóis e 4 formas de tocotrienóis, as quais coletivamente fornecem suporte antioxidante ao organismo.

O estudo de revisão aqui baseado observa que o alfa-tocoferol, por exemplo, encontrado em níveis reduzidos no plasma de pacientes com DA, protege contra a peroxidação lipídica, possui a capacidade de reduzir danos causados por radicais livres no cérebro e pode diminuir a progressão da doença.

Mas cada forma da vitamina E atua de maneira diferente, sendo que os tocotrienóis oferecem potente capacidade antioxidante e propriedades de redução de colesterol no sangue, em comparação com as moléculas de tocoferol devido às diferenças na sua estrutura molecular.

São apontados vários estudos que concluem que a vitamina E é efetiva na administração da atividade da enzima acetilcolinesterase (como aspecto comum, o cérebro de pacientes com DA possui níveis elevados de acetilcolinesterase e níveis reduzidos de ácido fólico e vitamina B12). Em comparação com o fármaco donepezil, o qual atua na inibição da acetilcolinesterase, a vitamina E mostrou resultados próximos.

Sendo a vitamina E um poderoso antioxidante que fornece efeitos neuroprotetores, a maioria dos estudos revisados indica que sua ingestão está associada à prevenção ou diminuição da progressão da doença de Alzheimer.

Mas, alguns estudos produziram resultados clínicos inócuos ou negativos, mostrando a necessidade de executar mais estudos com designs semelhantes (características do estudo, técnicas, doses, formas, duração, seleção de participantes, etc.).

Curcumina

Derivada da cúrcuma (rizoma comumente chamado no Brasil de açafrão-da-terra), que é popularmente utilizada como tempero no sul e leste da Ásia (ingrediente do curry, entre outros), estudos demonstram que, com efeitos adversos mínimos, a curcumina apresenta efetividade semelhante ao donepezil.

Interessante observar que dois estudos realizados atestam que a incidência de Alzheimer se faz muito mais alta nos Estados Unidos e países europeus, quando se compara com países asiáticos.

Um deles concluiu que em Ballabgarh, Índia, em cada 1.000 pessoas com idade superior a 65 anos, 4,7 apresentavam DA. Na Pensilvânia, EUA, em cada 1.000 pessoas com idade superior a 65 anos, 17,5 delas apresentavam DA.

Embora a cúrcuma apresente 235 compostos, os seus ingredientes bioativos principais são os curcuminoides, o mais comum sendo a curcumina. A pesquisa sobre este ativo já é bem ampla em relação à doença de Alzheimer (leve à moderada) com conclusões como seguem:

– Crescente número de estudos clínicos sugerem que a curcumina é efetiva para a DA como agente antioxidante e anti-inflamatório, melhorando as funções cognitivas.

– Estudos clínicos sugerem que o ativo pode ser efetivo em reduzir o dano oxidativo.

– Reduz a inflamação em células microgliais cerebrais.

– Reverte a neurodegeneração resultante da produção de Aβ.

– Previne a formação da proteína beta-amiloide.

– Reduz as placas beta-amiloide.

– Inibe a agregação de Aβ.

– Bloqueia a formação de colesterol.

– Possui elevada afinidade de ligação ao ferro e cobre, podendo a curcumina funcionar como quelante de ferro na DA (níveis alterados de ferro são considerados um fator crítico da patologia).

Açafrão (Crocus sativus)

Diferentemente do rizoma açafrão-da-terra (cúrcuma/curcumina), o açafrão deriva dos estigmas ou filamentos amarelo escuro ou laranja de uma flor de cor lilás (C. sativus).

Mas uma característica em comum entre ambos é a habilidade terapêutica através de seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios. Conforme o trabalho de revisão, seguem conclusões de estudos sobre o ativo em relação à doença de Alzheimer (leve à moderada):

– O açafrão foi identificado como agente melhorador da memória.

– Além de efeito antioxidante e anti-inflamatório, apresenta habilidade antiamiloidegênica. Portanto, pode inibir a agregação e depósito de placas beta-amiloides.

– Apresenta efeito similar ao donepezil na melhora da função cognitiva.

– É relatado que o açafrão pode agir contra toxidades e moderar a acetilcolinesterase (AChE).

– Pode atuar no dano causado pelo estresse oxidativo no hipocampo, melhorar a degeneração do aprendizado e os parâmetros do estresse oxidativo.

Conforme crescente número de estudos clínicos, a utilização de antioxidantes e anti-inflamatórios naturais – vitamina E, curcumina e açafrão – como preventivos ou coadjuvantes no tratamento da doença de Alzheimer é uma possibilidade efetiva, mesmo que estes agentes não sejam considerados como medicamentos farmacêuticos convencionais.

Em busca de tratamentos seguros, de baixo custo e colaboradores para a manutenção da qualidade de vida, é importante notar na hora da compra que estes ingredientes sejam de fonte natural.

FONTE


Estudo: Nur Adalier; Heath Parker. Vitamin E, Turmeric and Saffron in Treatment of Alzheimer’s Disease. Antioxidants. 2016.

Pharma. Novembro, 2016. DOI: 10.3390/antiox5040040

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